sexta-feira, 11 de julho de 2014

Uma nova e distinta ordem de seres criados

O edifício portátil que fora construído por Moisés para que o Altíssimo pudesse habitar entre os homens é mais do que um simples tabernáculo ou tenda. É a real arquitetura preparada pelos céus para negociar e resolver o problema do pecado. Tal arquitetura fora pensada para ensinar o processo expiatório e, todos os seus utensílios, em ambos compartimentos, representam etapas do processo expiatório, as quais deveriam ser bem entendidas na atualidade, por tratar-se da forma como Deus se relaciona com os homens. Na verdade, a forma estética do tabernáculo representa a Lei de Deus com suas duas dimensões: amor e justiça.

No segundo compartimento do tabernáculo estava a arca da aliança, um móvel que continha, no seu interior, a Lei dos dez mandamentos, a vara de Arão que florescera e uma porção do maná. Estes três itens representam intensamente a justiça e a misericórdia de Deus. Cobrindo a arca, estava o chamado propiciatório ou cobertura da clemência, onde, entre os dois querubins representando o exército dos anjos, aparecia o Sheknah, a presença física de Deus, o qual já havia sido mostrado a Moisés quando da aparição da sarça ardente no deserto. Verdadeiramente, o tabernáculo era o lugar do trono de Deus na Terra; o Reino celeste entre os homens.

Do tabernáculo emanavam as instruções sobre como os israelitas deveriam proceder para alcançar relacionamento correto com Deus. Tal relacionamento se efetivava pela compreensão e observância da Lei de Deus. Aliás, relacionamentos com quaisquer tipos de governos ocorrem através do cumprimento de leis. Assim, deve ser nosso relacionamento com Deus.

O Deus da Bíblia (Jeová) é um soberano cujo território de ação é o universo. No caso do nosso planeta, palco da luta entre o bem e o mal, o sistema religioso que mantém alta a observância da lei de Jeová é a embaixada desse reino. No entanto, existe pluralidade de sistemas religiosos, mas, a maneira de reconhecer qual sistema religioso é a legítima embaixada é através da maneira como a Bíblia é manejada, uma vez que ela é a vontade explícita de Deus. Então, o sistema que considera a Bíblia na sua integridade sem selecionar ou esconder nenhuma de suas partes, mas que a mantém completamente aberta e, além disso, ensina como pode ser usada e adonada pelos seguidores, este deve ser considerado.

Aos sistemas religiosos chamamos igrejas, mas, o conceito de igreja no Novo Testamento é o conceito grego que denota “Assembleia aberta a todos os cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos que tivessem prestado, pelo menos, dois anos de serviço militar e que fossem filhos de um pai natural da polis. Atuava no âmbito da política externa e detinha poderes de governança relativos à legislação, judiciais e executivos”, ou ainda, mais simplesmente, reunião dos que foram chamados. Tal conceito aparece na história do povo de Deus através das eras, pois este tem sido chamado para refletir a vontade de Deus por meio de uma vida de fidelidade, confiança, obediência e amor. Fidelidade é a semelhança entre o original e a cópia; exatidão. A igreja de Deus busca semelhança, em caráter, com o modelo Jesus. Confiança quer dizer crédito, boa fé; os céus depositam certeza ou fidúcia na igreja. Obediência é a submissão à autoridade legítima; aquiescência; docilidade. Assim, na Bíblia quando aparece a expressão a paciência dos santos, e identifica os santos como os que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus, está-se falando daqueles que copiam o modelo que é Cristo (Apoc. 14:12).

Considerando que após a queda do homem a conformidade com a Lei de Deus não mais pode ser alcançada, o céu prometeu que faria uma aliança com os homens: “...porei a minha Lei no íntimo deles e as escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o Meu povo” (Jer.31:33). A Lei de Deus não devia ser somente uma norma externa de justiça: devia ser o motor determinante que guiasse e contivesse a conduta humana. Em II Coríntios 3:3-6 Paulo expressa o cumprimento da aliança referida: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.  E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”.

O Reino de Deus existe desde antes da criação do mundo e, quando este surgiu, passou a integra-lo. Quando Deus criou os primeiros seres humanos, deu-lhes domínio sobre todas as coisas. Adão devia governar o mundo. Porém, pela transgressão da Lei de Deus, ele perdeu o direito à soberania terrena, e o domínio passou para o arqui-inimigo, Satanás. Quando os representantes de outros mundos se reuniram diante de Deus durante o tempo dos patriarcas, foi Satanás quem apareceu como delegado da Terra (Jó 1:6). Esta situação define uma condição diferente do original, fato que levou o governo de Deus a tomar providências para resolver a governabilidade de planeta. Paulo descreve como está atualmente a situação em Efésios 2:1-2 “E Vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. De outra forma ele demonstra em II Coríntios 4:4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.

Embora tenhamos, em realidade, a presença de dois reinos no âmbito do grande conflito, não existe algo parecido com dupla cidadania. Estamos de um lado ou do outro. O reino do mal tem lutado contra o reino da justiça durante milênios. É impossível que uma pessoa seja fiel aos dois lados ao mesmo tempo. Temos que escolher qual reino terá a nossa lealdade. Em Colossenses 1:12-13 lemos “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. Nestas circunstâncias, somos instados a agir em conformidade com as regras estabelecidas em I Coríntios 6:9-11 “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus”.

Se o que temos é uma luta moral entre dois reinos e, ao mesmo tempo temos vários sistemas religiosos que não satisfazem os vazios da alma humana e, que não esclarecem os limites de cada reino, deveríamos tentar entender melhor o significado destas “igrejas” buscando identificar o papel da verdadeira igreja no contexto celeste, bem como, da luta entre o bem e o mal.

A escritora Ellen White descreveu em sua obra alguns indicadores que lançamos mão, neste momento, para que esclareçamos o papel da verdadeira igreja. Chamo sua atenção para a descrição da criação em dois momentos. Peço-lhes que leiam com acurado cuidado os seguintes parágrafos:

Os anjos leais lamentaram a sorte daqueles que haviam sido seus companheiros de felicidade e bênçãos. Sua falta foi sentida no Céu. O Pai consultou a Jesus quanto à possibilidade de executar imediatamente o propósito de fazer o homem para habitar a Terra (Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879). 

Neste parágrafo temos o emprego de duas idéias. A primeira trata da falta sentida no céu relacionada aos anjos expulsos. A segunda, aparentemente desconectada da anterior, diz-nos da alteração no cronograma de Deus para a criação da Terra. Duas perguntas surgem: Por que os anjos sentiram falta dos outros que caíram? Qual a ligação entre o sentir a falta e o apressamento da criação do homem? Vejamos com muito cuidado, os parágrafos seguintes:

As mais brilhantes e exaltadas estrelas da alva louvaram... a glória [de Cristo] na criação, e anunciaram Seu nascimento com cânticos de alegria (Signs of the Times, 4 de janeiro de 1883).  Por que os as estrelas da alva louvaram e anunciaram com alegria a criação? Não nos parece algo semelhante ao nascimento de Jesus? Leiamos o próximo parágrafo:

Quando Deus formou a Terra, havia montanhas, colinas e planícies, e serpenteando entre estas existiam rios e fontes de água. A Terra não era constituída de uma extensa planície, mas a monotonia do cenário foi quebrada por outeiros e montanhas, não elevadas e ásperas como são agora, mas regulares e belas em sua forma. ... Os anjos contemplavam e se regozijavam diante das maravilhosas e belas obras de Deus (Spiritual Gifts, vol. 3, pág. 33). Novamente, os anjos nunca tinham visto obras belas antes? Seria o universo já existente inferior ou será que estamos diante de algo muito admirável?

Todo o Céu tomou profundo e alegre interesse na criação do mundo e do homem. Os seres humanos constituíam uma nova e distinta ordem (Review and Herald, 11 de fevereiro de 1902). Vejamos bem, o céu tomou interesse profundo no surgimento de um novo planeta e de uma nova ordem de seres. Estamos lendo sobre algo incomum. Sigamos a leitura:

Depois dos seres angélicos, a família humana, formada à imagem de Deus, constitui a mais nobre de Suas obras criadas (Review and Herald, 3 de dezembro de 1908). Chamamos a atenção para a descrição: a mais nobre de suas obras.

O Senhor... havia dotado Adão com poderes mentais superiores a qualquer outra criatura vivente que houvesse feito. Suas faculdades mentais eram apenas um pouco menor do que as dos anjos (Review and Herald, 24 de fevereiro de 1874). 

 Tão logo Deus, através de Jesus Cristo, criou nosso mundo e colocou Adão e Eva no jardim do Éden, Satanás anunciou seu propósito de conformar à sua própria natureza o pai e a mãe da humanidade. Review and Herald, 14 de abril de 1896. Por qual razão Satanás anunciou sua intenção de conformar a sua natureza no homem? Há algo de especial na criação do mundo e do homem que irrita o inimigo, sigamos lendo os parágrafos abaixo e vejamos novas informações.

 Quando o Senhor apresentou Eva a Adão, anjos de Deus testemunharam a cerimônia (Nos Lugares Celestiais, pág. 203). 

Este casal imaculado não usava roupas artificiais. Achavam-se vestidos com uma cobertura de luz e glória, tais como os anjos (Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879).  O casamento de Adão e Eva fora assistido por toda hoste angélica e, por outro lado, os humanos usavam as vestes dos anjos. Os homens eram como os anjos. O que significa a criação de uma classe especial de seres parecidos com os anjos e semelhantes a Deus?

Deus criou o homem para Sua própria glória, para que depois de testada e provada, a família humana pudesse tornar-se uma com a família celestial. Era o propósito de Deus repovoar o Céu com a família humana (SDA Bible Commentary, vol. 1, pág. 1.082). Há neste parágrafo duas importantíssimas informações: criado para a sua própria glória, ou seja, criado para ser semelhante a Deus; o caráter do homem era o mesmo caráter de Deus. A outra informação mostra o propósito de Deus em repovoar o céu. Bem, agora, chamamos atenção para outra criação. Leia com muita atenção os parágrafos que estão abaixo.

 Deus o fez [a Lúcifer] bom e formoso, tão semelhante quanto possível a Si próprio (Review and Herald, 24 de setembro de 1901). Verifiquemos as semelhanças entre a criação do homem e a de Lucifer.

Deus o havia feito [a Lúcifer] nobre, havendo-lhe outorgado ricos dotes. Concedeu-lhe elevada posição de responsabilidade. Nada lhe pediu que não fosse razoável. Deveria ele administrar o cargo que Deus lhe atribuíra, num espírito de mansidão e devoção, buscando promover a exaltação de Deus, o qual lhe dera glória, beleza e encanto (The Sabbath School Worker, 1º de março de 1893). 

Lúcifer, no Céu, antes de sua rebelião foi um elevado e exaltado anjo, o primeiro em honra depois do amado Filho de Deus. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. A testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, o porte nobre e majestoso. Uma luz especial resplandecia de seu semblante e brilhava ao seu redor, mais viva do que ao redor dos outros anjos; todavia, Cristo, o amado Filho de Deus, tinha preeminência sobre todo o exército angelical. Ele era um com o Pai, antes que os anjos fossem criados (História da Redenção, pág. 13). 

Lúcifer era o querubim cobridor, o mais exaltado dentre os seres criados. Sua posição era a mais próxima do trono de Deus, e ele se achava intimamente vinculado e identificado com a administração do governo de Deus, havendo sido ricamente dotado com a glória de Sua majestade e poder (Signs of the Times, 28 de abril de 1890). 

Lúcifer, "filho da alva", era o primeiro dos querubins cobridores, santo e puro. Permanecia na presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam sobre ele ( Patriarcas e Profetas, pág. 35).

 [Lúcifer] fora o mais elevado de todos os seres criados, e o primeiro em revelar ao Universo os desígnios divinos (O Desejado de Todas as Nações, pág. 758). 

Houve um tempo em que Satanás se encontrava em harmonia com Deus, quando era sua alegria executar os divinos mandamentos. Seu coração encontrava-se cheio de amor e regozijo em servir ao Criador, até que começou a imaginar que sua sabedoria não derivava de Deus, sendo antes inerente a ele próprio, e que ele era tão digno quanto Deus de receber honra e poder (Signs of the Times, 18 de setembro de 1893). 

O que lemos acima mostra que os atributos dados a Lúcifer são os mesmos dados a Adão. À Lúcifer também fora dada a semelhança com Deus em caráter e uma atribuição honrosa: a criatura na qual se viam demonstrados os atributos de Deus e à qual o universo mirava quando queria estudar sobre Deus. Era um anjo exaltado mais que os outros e, no seu nome estava inscrita a sua missão: demonstrar ao universo a luz, isto é, a Lei de Jeová. Lúcifer era o modelo no qual as criaturas todas copiavam a Deus.

Com a queda de Lúcifer, o modelo estabelecido desaparece, por essa razão os anjos sentem falta. Neste contexto, Deus pede a Jesus que apresse a criação do homem, e este seria criado com os mesmos atributos de Lúcifer; seria o novo modelo para o universo. Por essa razão, o céu acompanhou com profundo interesse a criação do homem e toda a corte angélica veio ao casamento, uma vez que os filhos de Adão e Eva seriam também modelos. Vejamos, era intenção de Deus multiplicar modelos. Por que Deus queria assim?

Voltemos ao cenário da batalha no céu. Lúcifer semeou dúvidas sobre o caráter de Deus por todo universo criado. O poder de persuasão deste anjo era enorme por ser ele o modelo criado para demonstração do caráter e da Lei de Jeová. Assim, suas idéias e argumentos viajaram pelo universo e contaminaram, por assim dizer, toda criação de Deus.

A Terra teve seu surgimento antecipado para que o governo celeste tivesse um espaço novo e sem contaminação onde pudesse ser demonstrada a excelência da Lei e do caráter divino. Em atmosfera limpa e asséptica fora colocado o homem, criado com as mesmas características de um modelo ao universo. Tivesse o homem permanecido em seu estado original, o problema criado por Lúcifer teria sido demonstrado e resolvido. No entanto, não aconteceu assim, o homem assentiu às ideias de Satanás e o plano de Deus foi frustrado, pelo menos inicialmente. O que aconteceu então para resolver a situação?

Deus enviou a Jesus como o segundo Adão, o segundo modelo, vindo na forma de homem e permanecendo assim para sempre, para que fosse demonstração para os homens e para o universo. É necessário que façamos um correto raciocínio agora sobre os fatos atuais. À igreja de Deus, cuja cabeça é Cristo, foi dada a missão de demonstrar o caráter de Deus e servir como modelo ao mundo. “Vindo habitar conosco, Jesus devia revelar Deus tanto aos homens como aos anjos. ... Mas não somente a Seus filhos nascidos na Terra era feita essa revelação. Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do Universo. O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema para que "os anjos desejam bem atentar" (I Ped. 1:12), e será seu estudo através dos séculos sem fim”. (O Desejado de Todas as Nações, pág. 19). A obra do cristão nesta vida é representar Cristo perante o mundo, revelando, na vida e no caráter, o bendito Jesus. Se Deus nos tem dado luz, é para que a revelemos aos outros” (Testemunhos Seletos v.2 p.340).

Caros leitores, a dimensão humana no contexto da igreja é muito maior e muito mais importante do que imaginamos. A incompreensão da missão eclesial leva aos homens a utilizar a igreja para seus próprios propósitos, muitas vezes confundindo-a com agremiações sociais para consecuções humanas, servindo a interesses políticos temporais e mundanos. Todavia, seu papel é servir de modelo ao universo na demonstração do caráter de Deus e da sua Lei, assim como fora o papel de Lúcifer quando em estado de pureza. Este será o papel dos salvos por toda eternidade.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nascer da água e do Espírito

Um dos assuntos mais confusos no âmbito do cristianismo é como deve ser o batismo e, se a validade do batismo é tão ampla que transcende as denominações. Esta questão foi cabalmente discutida nos escritos paulinos do Novo Testamento bíblico, conforme vemos na seguinte afirmação: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, Aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7:4). 

Paulo, um mestre excelente, compreendeu a transição entre o judaísmo e o cristianismo e nos orienta soberanamente no assunto do batismo. Abrindo um pequeno parêntese, percebamos a sapiência paulina no verso acima; em uma frase Paulo resume a enorme ciência da salvação. Somente aqueles que dominam um determinado conhecimento podem ter tal poder de síntese! Voltando, agora, ao assunto do batismo, vemos que para entender as razões do ritual, teremos que ir às origens, quando da queda do gênero humano. 

Ao sair das mãos do criador o homem trazia consigo a imagem dEle, ou seja, estava completamente em conformidade com a Lei do reino de Deus. Paulo explica o que ocorreu por causa da queda: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm.8:2). Enquanto viveu em seu estado original, Adão existia na lei da vida; em pecado, imperou a lei da morte. Abriu-se um abismo entre o homem e a fonte da vida, ficando este separado da vida, sob outra lei. Nesta condição, os filhos de Adão, todos, foram submetidos à lei da morte tornando-se, portanto, mortais. Conforme afirma Paulo no texto acima, a mesma lei que garante a vida passou a ser a lei que determina a morte. Então, por que a morte passou a dominar? 
Em todo sistema legal a não observância dos marcos judiciais gera um débito para com o sistema. E, no caso da Lei de Deus, esse débito moral faz com que a criatura carregue um estado de anomia que lhe é intrínseco, fato explicado na bíblia como não havendo nenhum justo, nem um sequer (Rm. 3:10). Tal situação coloca em cada ser humano em um tipo de débito somente pago com própria morte. 

A resolução deste problema foi mostrada por Jesus na conversa que ele manteve com Nicodemos: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. (Jo. 3:3-6). Jesus explica o que é necessário para liquidar o débito. 

Todo homem nasce sob Adão e, por consequência, é mortal. Para sair da morte para a vida, necessita nascer de outro pai que esteja submetido à lei da vida. Para tal, os céus enviaram a Jesus, chamado nas escrituras de o outro Adão (I Cor.15:45), para que através do batismo pudéssemos morrer para a carne e nascer para o Espírito. 
  
Como, de fato, ocorre esta transformação? Vamos aos escritos paulinos para obter a resposta: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida (Rm 6:4)”. “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Col. 2:12)”. Através do batismo morremos com Cristo e renascemos de um novo pai, não mais do primeiro Adão e sim do segundo Adão. Passando a imitá-lo e, em razão da justiça do novo pai, somos justificados e não mais condenados; a lei que nos condenava à morte passa a ser a lei da vida em Cristo. 

É importante entender bem o que ocorreu. Jesus pagou o preço exigido pela lei e nos libertou da escravidão da morte. No entanto, a lei não está anulada e continua sendo observada nas condições de uma nova vida. Assim, o crente deixa de estar em desarmonia com Deus e passa a ter um relacionamento correto com Ele (não nenhuma outra maneira de nos relacionarmos com Deus se não através da lei). 

Na conversa com Nicodemos, Jesus afirmou que era necessário nascer da água e do Espírito. O nascer do Espírito significa mudança mental e predisposição para obedecer a lei. Tal comportamento vai sendo consolidado dia a dia, através da graça que é concedida ao renato. O Espírito Santo conduz o crente às fontes de convencimento que são a Bíblia e o Espírito de Profecia. A leitura e estudo destas fontes da graça levam ao conhecimento de Cristo e ao esclarecimento de raciocínios que antes eram incompreensíveis. Os ensinos que haviam sido mistérios são esclarecidos.  Guiados pelo Espírito raia luz no entendimento anteriormente obscurecido. Por esse processo, nasce um novo homem de acordo com as expectativas dos céus. 

Toda a preparação que se necessita para o encontro com Jesus no seu regresso se dá através do que se viu acima e, para que tenhamos um auxílio coadjuvante, nosso bom Deus nos aproxima da sua igreja onde, buscamos o nascimento pela água e onde há também orientação sobre o que estudar e como estudar. Igrejas que advogam a não observância da lei de Deus não podem promover o novo nascimento, considerando que o novo homem vai estabelecer o relacionamento correto com Deus, tal qual o experimentado por Adão antes da queda. Por essa razão, não tem validade os batismos que são realizados tendo como fundamento filosófico a anulação da lei. Enquanto não houver o nascimento da água e do Espírito a criatura jaz no mundo dos mortos. Aquele que nasce no reino de Deus frutificará, ou seja, passará a  viver na esperança de estar cada vez mais e mais assemelhado a Cristo. Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Prov.4:18). 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Submissão aos fundamentos do universo




A Lei de Deus é o fundamento onde se ajusta toda estrutura do universo. Ela foi determinada ao nosso mundo no primeiro dia da criação, quando Deus disse haja luz. É muito instigante perceber que Deus, após ter feito a luz, examina-a e diz que a luz é boa. Por acaso faria Deus alguma coisa ruim? Então, o que significou examinar a luz? Não nos esqueçamos que a criação da Terra deu-se após a queda de Lúcifer; havia a tentativa de uma outra luz. A propósito, luz na Bíblia é a Lei (Provérbios 6:23; II Samuel 22:29; Salmos 119:105), assim, a luz do primeiro dia era o ordenamento jurídico celeste o qual Deus considerou adequado. 

A Lei sempre antecedeu qualquer interposição divina no âmbito terrestre. Fora dada no Sinai antes da fundação do Estado teocrático de Israel. Depois do retorno do cativeiro babilônico a Lei foi lida por Esdras, o sacerdote (Neemias 8) buscando ensinar ao povo e, novamente, a nação foi reorganizada. Os anjos proclamaram a lei quando anunciaram o nascimento de Jesus aos pastores cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”. Quando Jesus pronunciou o famoso sermão da montanha explicou aos ouvintes o conteúdo da Lei e os fundamentos do seu reino. E novamente em 1844, quando, segundo a profecia, deu-se a proclamação das mensagens angélicas, a primeira delas fazia aguda referência à Lei “temei a Deus a dai-lhe glória...” (Apocalipse 14:6,7) e, como consequência, surgem os Adventistas que divulgam a Lei como sua ordenação jurídico-eclesial.
Há dois sistemas cristãos em andamento para os quais um evidente ponto de controvérsia é o dia de guarda estabelecido pela Lei: O sábado do sétimo dia. É fato definido que este preceito da Lei tenha sido dado a conhecer no nosso planeta e ensinado ao homem antes que o pecado houvesse penetrado. Isto nos chama atenção e formula uma pergunta importante: Qual o significado do sábado no contexto da Lei para que o mesmo fosse dado ao homem antes de mais nada? Por qual razão o homem foi submetido à guarda do sábado após ter sido criado?

Todos os atos da criação e sua sequência necessariamente obedeceram a Lei de Deus. Vejamos, se os fundamentos da Lei são o amor a Deus e o amor ao próximo, então, no primeiro dia, a criação da luz, ou seja, a implantação da Lei foi o cumprimento dos três primeiros mandamentos ou o primeiro fundamento. Os outros eventos da criação formam um protocolo para o cumprimento do segundo fundamento, uma vez que a infraestrutura implantada/criada fora para manutenção da vida humana e animal. Ellen White em seu livro “O desejado de Todas as Nações”, no capítulo primeiro evidencia o que ela chama de ciclo da beneficência: tudo provém de Deus que dá a Jesus e este distribui aos anjos os quais, por sua vez, distribuem aos homens e estes aos semelhantes, voltando para Deus. Se olharmos atentamente à criação veremos que o referido ciclo foi respeitado na sequência dos acontecimentos, restando ao homem, através da guarda do sábado, devolver a Deus tudo o que havia recebido. Notemos algo em nosso dia a dia; trabalhamos seis dias para nosso próprio sustento e, quando deixamos nossa tarefa secular no sétimo dia, estamos realizando o primeiro princípio da Lei, o amor a Deus. Todavia, o sábado requer que façamos obras de beneficência e misericórdia. Atendendo a necessidade dos desprovidos alcançamos o segundo princípio da Lei. A guarda do sábado fecha o ciclo da beneficência pois recebemos de Deus o que possuímos (os anjos nos auxiliam nos protegendo e guiando), transferimos parte do que ganhamos aos necessitados (praticamos a justiça) e, neste sentido, devolvemos a Deus (quando fizestes a um destes pequeninos a mim o fizestes). O sábado é o presente de Deus ao homem para que este cumpra completamente a Lei. Se isto é assim, então pode-se ter o juízo do porque o inimigo golpeia o sábado; retirando o sábado ele destrói a Lei.

Foi por causa da não observância do sábado que Israel foi levado cativo à Babilônia. De outro lado, no final dos tempos, o sábado será o motivo para a perseguição dos remanescentes. Este mesmo sábado está sendo reiterado nas mensagens angélicas de Apocalipse 14: Temei a Deus e dai-lhe glória. Temer a Deus significa manter a Lei e notar a sua abrangência. Afirmo que o estudo da Lei deveria ser nossa maior preocupação considerando que a lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. (Salmos 19:7).

A importância do sábado pode ser compreendida através da revelação de que, mesmo após a restauração da Terra, o sábado continuará sendo observado (Isaías 66:23). “Eu vi que o sábado nunca será anulado; antes, por toda a eternidade, os santos remidos e todo o exército celestial o observarão em honra ao grande Criador” (Primeiros Escritos, 216). Deus colocou sobre o sábado a sua santidade, ou seja, a sua Lei, assim, cabe a nós santifica-lo também. É o dia memorial que reconhece a Deus como o Criador, sendo que em toda a criação vemos os Seus traços, a sua Lei em operação e, nesta condição o sábado nos leva à submissão aos fundamentos do universo.

sábado, 29 de março de 2014

Cheios de Poder




Logo após a ascensão de Jesus, os discípulos reuniram-se em Jerusalém conforme nos informa o texto de Lucas 24: 49-53 “ E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.  E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou.  E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém”. 

Em Atos 2: 1-4 lemos: “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.   

O texto de Atos informa que, em obedecendo a ordem de Jesus, os discípulos “concordemente” permaneceram no mesmo lugar e desceu alí o Espírito Santo e todos foram cheios dele. Primeiramente, é evidente que exista uma condição sob a qual o Espirito Santo entrará em ação: quando houver concórdia. Ellen White escreve em seu livro Atos dos Apóstolos (p.88) sobre esta condição dizendo: “O coração daqueles que se converteram mediante o trabalho dos apóstolos, abrandou-se e uniu-se pelo amor cristão. A despeito de preconceitos anteriores, todos estavam em harmonia uns com os outros. Satanás sabia que, enquanto esta união continuasse a existir, ele seria impotente para deter o progresso da verdade evangélica; e procurou tirar vantagem de anteriores hábitos de pensar, na esperança de que por este meio pudesse introduzir na igreja elementos de desunião”. 

O que percebemos é que união precede a ação no reino de Deus e, sem esta união não há como prosseguir e concluir o aperfeiçoamento. Assim, vem a pergunta: o que devemos fazer para conseguir união?

Os governos das nações, através dos tempos, têm usado uma estratégia para manter unido o seu território e sua coerência política; uma só língua é adotada e um só princípio de doutrina filosófico-político é ensinado. Assim, os cidadãos tornam-se um corpo quando apreendem a mesma doutrina política e falam a mesma linguagem. 

É curiosos que quando os homens se uniram para desafiar os céus durante os primeiros anos pós-diluvianos, resolveram realizar a construção de uma torre. Tal construção significava a mais insolente demonstração de independência humana do poder dos céus. Naquela ocasião, Deus interveio de forma singular, mas intensa, coagindo para que a incompreensão fosse o elemento desagregador; confundindo as línguas e, deste modo, interrompendo a construção. Se prestarmos bem atenção, foi utilizada a mesma estratégia que Ellen White assinalou no texto que lemos acima sobre o impedimento da ação do Santo Espírito através da desunião.

Quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no Pentecostes, o texto bíblico informa que eles foram cheios do Espírito. Para o futuro, há a promessa de que o Espírito descerá sobre a igreja remanescente e consequentemente sobre o mundo, no final dos tempos (Joel 2:28). Mas, de que maneira devemos aguardar esse acontecimento?

O mundo cristão não compreende bem a ação do Espírito Santo confundindo-o, geralmente, com manifestações místicas. Usam a emoção e o entusiasmo religioso como medida da autenticidade espiritual. Porém, a própria escritura contraria esse fascínio irracional pela emoção. No livro Atos dos Apóstolos, página 28, Ellen White diz o seguinte: “Manifestar êxtases espirituais sob circunstâncias extraordinárias não é prova conclusiva de que uma pessoa é cristã. Santidade não é arrebatamento: é inteira entrega da vontade a Deus; é viver por toda a palavra que sai da boca de Deus; é fazer a vontade de nosso Pai celestial; é confiar em Deus na provação, tanto nas trevas como na luz; é andar pela fé e não pela vista; é apoiar-se em Deus com indiscutível confiança, descansando em seu amor”.
Como podemos ver, encher-se com o poder do Espírito Santo não corresponde a ter poder para fazer milagres e outras demonstrações de misticismo. O que é então?

Esta pergunta não pode ser respondida utilizando-se o conhecimento humano, considerando que o Santo Espírito não é parte integrante do universo próprio antropológico; Ele é Deus. Assim, devemos buscar explicações na fonte indicada por Jesus: a lei e os profetas. Então vamos consulta-los.
Apocalipse 19:10 “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia”.  

O texto informa que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. Ora, testemunho quer significar declaração, então, quem declara sobre Jesus é o espírito de profecia. Neste caso, os profetas são os que declaram sobre Jesus.   Em II Pedro 1:21 a Bíblia explica “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.  Ora, se os profetas são inspirados pelo Espírito Santo e são eles os que dão o testemunho, então, o poder do Espírito está nos textos escritos pelos profetas. Em Atos 1:8 lemos “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Vamos entender outra coisa: Momentos antes da sua morte Jesus consolou os discípulos informando-os que enviaria o outro consolador (João 14:16-18). Jesus explicou quem era o outro consolador, o parákletos , aquele que ficará ao lado para exortar, ensinar e fazer lembrar tudo o que Jesus ensinara. O outro consolador significa outro da mesma classe. Jesus mesmo era um Consolador (ver 1 João 2: 1) e, neste sentido, o Espírito Santo, semelhante a Jesus, é o outro consolador ou o outro poder, uma vez que ele é também Deus.

Para os Adventistas do 7º Dia, a escritora Ellen White recebeu o dom de profecia e seus escritos são entendidos como proféticos para a igreja remanescente. Entre os livros escritos por ela encontra-se um cujo título é “O Outro Poder”. Uma vez que o outro poder foi definido como sendo o Espírito Santo, então esperar-se-ia encontrar nas páginas da referida obra explicações sobre a ação do Espirito Santo relativa à igreja remanescente. No entanto, examinando-se o conteúdo do livro depara-se com a seguinte realidade: a explicação das razões para que se dê ênfase à obra das publicações.
Observemos que a profetisa chama a obra de publicar livros, revistas, folhetos, folders, etc., como sendo o outro poder. 

Conforme vimos acima, há a promessa de que nos últimos dias o Santo Espírito seria derramado novamente (Isaías 44:3; Ezequiel 39:29; Joel 2:28,29). Compreenderemos o que significa essa ação se formos consultar informações sobre o primeiro derramamento ocorrido no pentecostes. No livro Testemunhos para Igreja, volume 9, p.267 lemos: “Quando, no dia de pentecostes, o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos, compreenderam eles as verdades proclamadas por Cristo em parábolas. Os ensinos que lhe haviam sido mistérios foram esclarecidos. A compreensão que lhes adveio com o derramamento do Espírito fê-los envergonharem-se de suas teorias fantasiosas. Suas suposições e interpretações eram loucura quando comparadas com o conhecimento das coisas celestiais que então receberam. Foram guiados pelo Espírito; e raiou luz no seu entendimento anteriormente obscurecido”.

O trabalho realizado pelas editoras de livros no âmbito da igreja, espalhando literatura que esclarece o que outrora era mistério é o poder do Santo Espírito. A esta literatura chama-se o espírito de profecia. A finalidade dos livros é fazer compreender as verdades proclamadas por Cristo e, neste sentido, quando alguém se debruça sobre esta literatura com o propósito de aprender, está recebendo o poder do Espírito.

Resta ainda uma pergunta: como será então o derramamento final do Espírito Santo?
Se a literatura é o poder do Espírito para a igreja, pois esclarece o que ainda não se desvelou, então haverá um esforço ainda mais intenso, patrocinado pelo céu, para que tal literatura chegue a todos os homens. Certamente haverá, por parte da humanidade, um forte desejo de buscar por esclarecimentos (Daniel 12:4). Vejamos o que Ellen White escreve sobre o assunto: “A noite da prova está quase no fim. Satanás está exercendo seu impressionante poder, pois sabe que seu tempo é pouco. Os castigos de Deus se acham sobre o mundo, a fim de chamar a todos quantos conhecem a verdade a ocultar-se na fenda da rocha, e contemplar a glória de Deus. A verdade não pode ser oculta agora. Devem ser feitas declarações positivas. A verdade deve ser expressa com clareza, em folhetos e pequenos livros, e esses espalhados como folhas do outono”. 

Para a igreja remanescente, o poder do Espírito está disponível na literatura que está nas estantes dos lares, mas, o misticismo que envolveu o culto a Deus está produzindo a expectativa de que, quando for derramado o Espírito, os crentes terão poder para realizar grandes milagres. No entanto, o que o céu espera é o extraordinário trabalho de esclarecimento das verdades ensinadas por Cristo através da literatura. A definição do trabalho do Espírito está no evangelho de João: ensinará" e "recordará tudo" (João 14: 26). Atestará de Cristo (João 15:26).  "Convencerá ao mundo do pecado, da justiça e do juízo " (João 16: 8).  "Guiará a toda a verdade" e fará "saber as coisas" vindouras (João 16: 13).  Glorificará a Cristo e receberá dele para repartir aos discípulos (João16: 14).

Reiteramos que o poder do Espírito está na literatura denominacional (às vezes empoeirada nas estantes dos lares) que se fora lida, traria o esclarecimento para formar no povo remanescente a base teórica para a obediência inteligente e à assimilação do caráter de Cristo. E então virá o fim. A leitura e a distribuição de literatura deverá ser considerado um grande privilégio para aqueles que estão recebendo o derramamento do Espírito!

Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia...
E manda o povo pensar...
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar. (Castro Alves: O livro e a América))