quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Uma igreja vertiginosamente ajustada para refletir o céu



Somos chamados por Deus para descrever e demonstrar ao mundo as virtudes daquele que nos tirou das trevas para sua maravilhosa luz. Aquele que nos tirou deste enegrecido mundo, no qual a cobiça é o núcleo de todos os códigos humanos.

A igreja de Deus foi vertiginosamente ajustada para refletir o funcionamento dos céus. Nela vemos o sistema de cooperação sobre o qual o universo está ancorado. Os seus membros são instados a cooperar de muitas formas, incluindo os dízimos e as ofertas. A premissa deste sistema é que Deus é o grande provedor de tudo o que há nos céus e na terra, e nesta condição, ele permite que suas criaturas tenham o usufruto de tudo o que foi criado. Considerando que todas as coisas vêm de Deus, então, num sistema de cooperação, aqueles que recebem deverão também doar para que haja continuidade na cooperação. 

O conhecimento do que foi explanado acima levou Jacob a Dizer: “E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gênesis 28:22). Ele claramente entendeu que aquilo que nos é fornecido, sem que tenhamos participação na elaboração, deve ser compartilhado, por esse motivo, sua vida foi próspera.

Tudo o que temos vem de Deus, por essa razão, Deus ordenou que Moisés instruísse aos sacerdotes e todos os levitas com o seguinte comando: “Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos” (Números 18:26).

Ellen White, explicando como fora implantado o sistema de Deus na criação do mundo, diz: “Ora, o pecado manchou a perfeita obra de Deus, todavia permanecem os traços de Sua mão. Mesmo agora todas as coisas criadas declaram a glória de Sua excelência. Não há nada, a não ser o coração egoísta do homem, que viva para si. Nenhum pássaro que fende os ares, nenhum animal que se move sobre a terra, deixa de servir a qualquer outra vida. Folha alguma da floresta, nem humilde haste de erva é sem utilidade. Toda árvore, arbusto e folha exalam aquele elemento de vida sem o qual nenhum homem ou animal poderia existir; e animal e homem servem, por sua vez, à vida da folha, do arbusto e da árvore. As flores exalam sua fragrância e desdobram sua beleza em bênção ao mundo. O Sol derrama sua luz para alegrar a mil mundos. O próprio oceano, a origem de todas as nossas fontes, recebe as correntes de toda a terra, mas recebe para dar. Os vapores que lhe ascendem ao seio caem em chuveiros para regar a terra a fim de que ela produza e floresça”. (DTN, 9)

A autora assinala que “Mesmo agora todas as coisas criadas declaram a glória de Sua excelência”. A excelência de Deus a qual é também a sua glória ou caráter, é exatamente o compartilhamento, entre todas as suas criaturas, de tudo o que está na Sua posse. Jesus explicou como o pecado apagou tal excelência na humanidade contando a parábola do filho pródigo. Nos diálogos com os filhos, o pai fala do compartilhamento da sua riqueza, dizendo que os filhos possuem tudo o que é do pai. Porém, a cobiça pecaminosa aparece no querer do filho mais novo. Não havia nele a dimensão do compartilhamento.

O mesmo senso de cooperação é deparado nos anjos. A escritora Ellen White procura explicá-lo assim: “os anjos da glória acham seu prazer em dar — dar amor e infatigável cuidado a almas caídas e contaminadas. Seres celestiais buscam conquistar o coração dos homens; trazem a este mundo obscurecido a luz das cortes em cima; mediante um ministério amável e paciente operam no espírito humano, para levar os perdidos a uma união com Cristo, mais íntima do que eles próprios podem avaliar”. Assim, a tarefa dos anjos é ensinar e demonstrar o sistema de cooperação, de modo que a humanidade é convidada a aprender unindo-se a Cristo, ou seja, copiando o seu exemplo.

Conforme visto, a obra dos anjos é descontaminar as almas caídas trazendo luz ao mundo obscurecido. Significando que aos anjos cabe a missão de tornar possível o sistema de cooperação entre os humanos. Estes seres celestiais conquistam o coração das pessoas dirigindo-as para cuidarem de outras pessoas.

Porém, é em Cristo, o homem-Deus, que o sistema de cooperação está plenamente desenvolvido e demonstrado. Por essa razão, Ellen White descreve assim: “Volvendo-nos, porém, de todas as representações secundárias, contemplamos Deus em Cristo. Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. “Nada faço por Mim mesmo” (João 8:28), disse Cristo; “o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai”. João 6:57. “Eu não busco a Minha glória” (João 8:50), mas “a dAquele que Me enviou”. João 7:18. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar. Assim nas cortes celestes, em Seu ministério por todos os seres criados: através do amado Filho, flui para todos a vida do Pai; por meio do Filho ela volve em louvor e jubiloso serviço, uma onda de amor, à grande Fonte de tudo. E assim, através de Cristo, completa-se o circuito da beneficência, representando o caráter do grande Doador, a lei da vida.

A frase “através do amado Filho, flui para todos a vida do Pai” significa que o sistema de cooperação é o moto contínuo que mantém a vida. Significa ainda que, a cooperação cósmica construída por Deus o Pai, é a base física que mantém a vida; vida necessariamente pressupõe relacionamentos, interações, uma rede de criaturas unidas e transmitindo virtudes umas às outras; tal sistema é denominado vida, um conjunto de hábitos que caracterizam organismos cujo dinamismo determina o desenvolvimento. Uma complexa rede onde cada vórtice é um difusor de virtudes. Quanto mais virtudes são difundidas, mais vida é comunicada. Portanto, vida eterna significa constante difusão de virtudes, sendo a morte e a escuridão o oposto.

A quebra desse sistema cooperativo ocorreu em Lúcifer, antes da criação da Terra. Aliás, o próprio nome Lúcifer, o portador de luz, implica em que este ser era o promovedor da cooperação, uma vez que luz significa amor ao próximo (I João 1:7; I João 2:10-11). A pergunta que não quer calar é: como pôde surgir nele a cobiça?

Sobre este assunto, Ellen White diz: “No próprio Céu foi quebrantada essa lei. O pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu. Procurou dominar os seres celestes, afastá-los de seu Criador, e receber-lhes, ele próprio, as homenagens. Portanto, apresentou falsamente a Deus, atribuindo-Lhe o desejo de exaltação própria”.
É importante saber o que significa o adjetivo cobridor: Lúcifer era o querubim cobridor, o mais exaltado dentre os seres criados. Sua posição era a mais próxima do trono de Deus, e ele se achava intimamente vinculado e identificado com a administração do governo de Deus, havendo sido ricamente dotado com a glória de Sua majestade e poder. — The Signs of the Times, 28 de Abril de 1890.

A estratégia de Lucifer para criar um novo modelo foi tentar revestir o amorável Criador com suas próprias más características. Assim enganou aos anjos. Assim enganou aos homens. Levou-os a duvidar da palavra de Deus, e a desconfiar de Sua bondade. Como o Senhor seja um Deus de justiça e terrível majestade, Satanás os fez considerá-Lo como severo e inclemente. Assim arrastou os homens a se unirem com ele em rebelião contra Deus, e as trevas da miséria baixaram sobre o mundo.

Em outras palavras, Lúcifer ajuizou que o sistema de cooperação fora montado para exaltar a Deus. Na sua visão, Deus era injusto, mantendo todas as criaturas presas numa rede de serviços. Portanto, deveriam ser libertos pela proposição de um novo sistema. Ao invés de uma lei que os obrigava e aprisionava numa rede de cooperação, os seres criados deveriam ser livres, uma forma de adquirirem autodeterminação, evolução e conquistas morais e físicas. Todavia, fora de uma rede de cooperação a cobiça torna-se o motor das decisões. Mas, Lúcifer quis ser Deus, pensando que poderia sustentar o sistema criado, porém, motivado por um princípio oposto ao princípio celeste.

É necessário que vejamos João 1:3-4: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. Em outras palavras, somente Deus tem o poder para conservar a rede cósmica de cooperação em andamento, porque todas as coisas foram feitas por Ele. Essa rede é a vida, e os homens, se mantidos nessa rede, viveriam. Logo, a adesão ao sistema oposto ao celeste acarretou a morte.

A pretensa liberdade apregoada por Lúcifer trouxe a este mundo a cobiça. Cain cobiçou a posição do irmão matando-o. Jacob cobiçou a benção da primogenitura causando a separação. José teve na cobiça dos seus irmãos o motor para separação. A cobiça tem sido a causa da degradação moral e separação de povos, famílias, comunidades. A cobiça nos alcança, e por essa razão, temos separação no seio da igreja.

Separação implica em quebra na rede de cooperação, logo, morte.

A solução para esse problema foi a criação de um Estado onde os princípios celestes fossem o drive moral do crescimento social. Deus chama Abraão e, a partir dele forma a nação israelita. A sociedade hebraica foi pensada para operar um excelente sistema de cooperação. Vejamos alguns exemplos da vida cotidiana dos hebreus.

Faço lembrar aqui que Israel era uma nação onde o sistema político era centrado em Deus. Não havia nenhuma palavra, no mundo antigo, para definir este estado de organização política, assim, o historiador Flavius Josephus cunhou Teocracia. No entanto, esta palavra tem sido muito abusada e tomada para significar o que não é, nomeadamente, governo de clérigos, sacerdotes. Essa não era a realidade de Israel. Israel era uma nação Deus. Se qualquer palavra faz justiça à noção descortinada em Deuteronômio, esta não é teocracia, mas nomocracia, o reino das leis (Estado de direito), não reino de homens. Assim, as leis reinavam.

Em Deuteronômio 18:1-5, lemos o seguinte: “Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel; das ofertas queimadas do SENHOR e da sua herança comerão. Por isso não terão herança no meio de seus irmãos; o SENHOR é a sua herança, como lhes tem dito. Este, pois, será o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que oferecerem sacrifício, seja boi ou gado miúdo; que darão ao sacerdote a espádua e as queixadas e o bucho. Dar-lhe-ás as primícias do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e as primícias da tosquia das tuas ovelhas. Porque o SENHOR teu Deus o escolheu de todas as tuas tribos, para que assista e sirva no nome do SENHOR, ele e seus filhos, todos os dias”.

Agora, façamos um cotejo com o que está em Ezequiel 45:1-5: “Quando, pois, repartirdes a terra em herança, oferecereis uma oferta ao SENHOR, uma porção santa da terra; o seu comprimento será de vinte e cinco mil canas e a largura de dez mil. Esta será santa em toda a sua extensão ao redor. Desta porção o santuário ocupará quinhentas canas de comprimento, e quinhentas de largura, em quadrado, e terá em redor um espaço vazio de cinqüenta côvados. E desta porção medirás vinte e cinco mil côvados de comprimento, e a largura de dez mil; e ali estará o santuário, o lugar santíssimo. Esta será a porção santa da terra; ela será para os sacerdotes, ministros do santuário, que dele se aproximam para servir ao SENHOR; e lhes servirá de lugar para suas casas, e de lugar santo para o santuário. E os levitas, ministros da casa, terão em sua possessão, vinte e cinco mil canas de comprimento, para vinte câmaras.

Nos dois trechos bíblicos vemos que os sacerdotes levitas recebiam o sustento de toda nação, além disso,  as terras foram distribuídas às tribos, mas, uma parte da terra deveria ser separada, à qual o texto sagrado chama de terra santa. Essa porção seria o espaço para o tabernáculo e para as casas dos levitas. Aqui vemos o pleno funcionamento do sistema de Deus; das terras das demais tribos saiu a porção que era para o santuário e para os levitas. Os que receberam de Deus deram aos que não tiveram porção. Tal sistema é novamente encontrado na entrega das primícias, dízimos e ofertas. Tudo era levado aos levitas para sustento. Porém, da parte que recebiam davam os levitas os dízimos dos dízimos, fechando um ciclo de cooperação.

Por outro lado, os levitas receberam ainda 48 cidades, e destas, seis eram as cidades de refúgio. Este sistema representava o quinhão dos levitas no interior das tribos, ou seja, o sistema sacerdotal não comparecia somente em Jerusalém (Silo) , mas estava próximo ao povo, por um sistema de capilaridade nacional.

O sacerdócio recebia o sustento dos seus irmãos e devolvia a eles em dízimos e serviços.

No ceio do tabernáculo um bem aparente sistema de cooperação exibia-se diariamente. Os sacrifícios, uma ordem de Deus, eram mantidos através do trabalho dos sacerdotes, os quais recebiam os insumos de toda Israel. Ofertas queimadas vinham dos rebanhos mantidos pelas tribos, assim como os cereais, frutos do campo, e tudo o que se plantava. Essa rede de cooperação era uma demonstração prática e didática do funcionamento do universo. Ellen White refere-se a essa dinâmica dizendo que “O Sol derrama sua luz para alegrar a mil mundos”. Figurativo ao sistema social para os filhos de Deus.

O sistema da expiação também demonstrava o princípio de Deus. Para os sacrifícios eram trazidos, pelos ofertantes, o gado apropriado, mas também todos os demais itens que compunham os sacrifícios. Eram três os tipos de sacrifícios que completavam o método da expiação: Oferta pelo pecado, Holocausto ou ofertas queimadas e ofertas pacíficas. Todo o sistema sacrifical demonstrava o princípio celeste da cooperação. Havia a parte de Deus e a parte do homem. Porém, tudo ficava mais evidente nas ofertas pacíficas. Estas eram a última parte do processo expiatório ou metodologia da expiação; depois de Deus ter realizado a parte que lhe cabia (oferta pelo pecado), o homem tendo realizado a sua própria parte (holocausto), então realizava-se a parte de encerramento do sistema da expiação com o oferecimento das chamadas ofertas pacíficas. Era uma cerimônia alegre, pois tratava-se de uma comemoração como consequência da realização das partes anteriores. Deus e o homem uniam-se para celebrar porque tudo estava em ordem. Na ocasião, o ofertante trazia animais, cereais no formato de pães e bolos, vinho, e convidava aos sacerdotes aos familiares e amigos para cearem unidos. Dava-se a celebração da cooperação Deus-homem e da cooperação homem-homem.

A metodologia da cooperação também foi exibida durante o nascimento de Jesus. É proposital o fato de Jesus ter nascido pobre. O rei do universo, a quem pertencem todas as coisas, torna-se homem dependente dos outros homens por causa da pobreza. É difícil imaginar que Deus o Pai tenha sido tão espartano com o próprio filho, assim, quando observamos as circunstâncias do nascimento de Jesus, sua vida, percebemos que o céu impôs que o salvador fosse atendido, em suas necessidades, pelos homens. Primeiramente, os presentes oferecidos pelos Reis orientais (ouro, incenso e mirra), os quais custavam bastante dinheiro, foram os recursos que os pais utilizaram para custear sua ida ao Egito. Os presentes não foram oferecidos para cumprir rituais éticos-sociais, tal como se presenteia atualmente, mas, foram parte do sistema de cooperação que estamos examinando aqui.

De outra forma, se olharmos com cuidado, os anjos anunciam o nascimento de Jesus não aos líderes hebraicos, ou aos membros do Sinédrio, ou aos mais abastados moradores de Belém, porém, aos pastores. Se poderia justificar o fato argumentando que, naquela noite, o grupo de pastores nas proximidades de Belém estava conversando sobre a vinda do Messias, e há muitos estudos salientando esse aspecto, mas, em realidade, o ofício do pastor é aquele que pratica mais acertadamente o método de cooperação celeste. ASSIM, AOS QUE ESTAVAM MAIS ATIVOS NA REDE DE COOPERAÇÃO FORA ANUNCIADO O NASCIMENTO DAQUELE QUE ORGANIZOU O REFERIDO SISTEMA.

A propósito, quando José, então governador do Egito, recebeu a família migrante, chamou aos irmãos e recomendou: Se o Faraó perguntar a vossa ocupação, dir-lhe-eis que sois pastores de ovelhas. José temia que o sistema do Egito engolfasse os irmãos, lançando-os fora do sistema de cooperação de Deus.

Com todos os exemplos acima, fica fácil concluir que a religião do céu não está ancorada em sacramentos cumpridos sem raciocínio, e que se tornam moedas de troca para apaziguar a ira de Deus ou acumular méritos para o homem. Jesus não escondeu que a entrada no Reino de Deus correspondia a aquisição de um comportamento de serviço. Explicou isso na parábola do bom samaritano, na oferta da viúva pobre e pediu ao jovem rico que vendesse as suas posses materiais e desse aos pobres, assegurando um tesouro nos céus. O contrário aparece na conduta de Ananias e Safira, mortos para exemplo, e para demonstração do resultado da cobiça. Eles não entenderam que a cooperação era o esperado.

Atualmente, a igreja Adventista funciona nos mesmos moldes da metodologia cooperativa. Os templos são construídos em terrenos doados, raramente comprados, e a construção do edifício do templo é responsabilidade dos membros, não do clero. Tal qual o foi no passado, conforme vimos acima. A manutenção do templo é realizada por causa das doações que os irmãos trazem à casa do tesouro. Assim, o comprometimento com as ofertas quer significar que o doador entendeu ser materializada, dessa forma, a sua entrada no sistema de Deus, através da manutenção da rede de cooperação, da qual cada membro é um vórtice que irradia energia aos outros vórtices. Ofertas não são esmolas, mas, a responsabilidade de manter o sistema de cooperação vivo, ou seja, a participação da metodologia que conserva constante a vida.

É claro que não estamos falando apenas de recursos financeiros, mas de uma preocupação em tornar cada membro uma benção.

Nossas relações sociais devem ser desenvolvidas de modo a atingir o ideal de não haver necessitados, nem tampouco dissensões por causa do egoísmo. Em Proverbio 6: 16-19 lemos: “Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina:  Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Em todos os deméritos apontados há a quebra do sistema de cooperação e, pelo que a Palavra de Deus ressalta, aqueles em quem estas coisas forem achadas, estarão perdidos. Aqui está revelada de forma explícita a nomocracia.

Há entre os crentes olhos altivos? estes são sinônimo de pessoas arrogantes; há entre nós língua mentirosa, ou seja, línguas que difamam justos e proferem falso testemunho?

Há entre as crentes mãos que derramam sangue? Aqui não somente estão incluídos os homicidas, mas os que matam moralmente, os que matam por participarem da dinâmica da política corrupta ou dos processos desmoralizados de enriquecimento.

Há entre os crentes alguém que maquina pensamentos perversos? Aqui se encontram os que fazem manobras, às vezes sutís, para não parecer que estão contra outros, mas estão agindo vertiginosamente para liquidar, por exemplo, reputações. Agem como boas pessoas, das quais ninguém é capaz de suspeitar que maquinam o mal, mas tornam-se destruidores de sistemas que buscam construir homens justos.

Seria o caso de haver entre os crentes pés que se apressam em correr para o mal? Lembrando que o mal é sempre o oposto da cooperação. Ou ainda, testemunhas que mentem porque não são testemunhas oculares? Estas coisas Deus odeia, ou seja, Deus sente aversão. Todavia, ao demérito que semeia desunião entre os irmãos, a esse Deus abomina, significando que repele com horror, com asco.

Estamos vivendo as primeiras horas de 2020. Tal momento não é trivial. Na cultura hebraica, o tempo é circular e sua representação física é uma espiral ascendente; significa que tudo recomeça, mas não mais no mesmo nível. Sendo espiral ascendente, a repetição do tempo não poderá ocorrer nas mesmas condições que as anteriores, mas, em qualidades mais elevadas. Por essa razão, fazemos planos para o tempo que se repetirá. É bom estarmos conscientes de que a repetição do tempo não deverá ser uma realidade para todos; alguns não estarão completando esta nova repetição. Assim, se não escrevemos uma boa escrita no tempo que se encerrou, é melhor tentar consertar tudo agora. Em virtude da incerteza da repetição do tempo.

Bom seria que realizássemos uma análise do nosso comportamento, em relação ao sistema de cooperação celeste. Se constatarmos que estamos bem, devemos então convocar o sacerdote e nossos amigos e comemorar juntos, oferecendo a Deus ofertas pacíficas. Em caso contrário, veja-se o exemplo de Zaqueu: recuperou a salvação quando consertou os fatos que o tiraram da rede de cooperação celeste.

Nisto reside o poder da verdade. A influência espontânea e inconsciente de uma vida santa é o mais convincente sermão que se pode fazer em favor do cristianismo.