sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A contemporaneidade do Antigo Testamento

A igreja cristã vem sofrendo, ao longo das eras, muitas interferências que fazem perder de vista assuntos fundamentais, provocando deriva e inércia na consecução dos objetivos traçados por Deus. Uma dessas situações foi o quase desprezo dos cristãos pelo Antigo Testamento (AT). Dizem alguns teólogos cristãos que o AT está adstrito à dispensação judaica. A era cristã está ligada ao Novo Testamento (NT) que, inclusive, tem pouco a ver com o AT (noção equivocada, pois o NT é uma aplicação do AT). Por essa razão, as interpretações das ordens divinas sofrem contextualizações que consideram primordialmente a ética e a consciência social coletiva das épocas.

A desconsideração ao AT facilitou ao inimigo de Deus interferir na igreja cristã tornando-a não mais que uma agremiação de amigos que dizem amar a Jesus, ao invés de um grupo de humanos que decidiram amar a Deus e observar os seus comandos motivados pelo esclarecimento da vontade divina que tem sua base no AT.

O que a era cristã trouxe de novo e que não estava previsto no AT?

A igreja de Deus nos tempos do AT esperava o Messias. A igreja cristã tem o Messias e sua narrativa histórica, além de esperar o seu retorno. A espera do retorno torna necessário que o cristianismo volte sua atenção para os tempos anteriores a primeira vinda do Messias. Um olhar perscrutador sobre o tipo de culto religioso judaico é fundamental para que a cristandade entenda como cultuar a Deus antes do seu retorno.

O sistema sacrifical foi o culto instituído por Deus quando o pecado entrou no mundo (Gên. 4:3-4), e serviu durante séculos subsequentes como uma lembrança de que o salário do pecado é a morte e que a vida eterna pode ser alcançada unicamente como um dom divino (Rom. 6:3). Por muitos séculos o cabeça de cada família era o sacerdote, mas, no monte Sinai, uma provisão sistemática foi feita para os vários tipos de sacrifícios, e todos passaram a ser oferecidos pelo sacerdote formal.  É importante lembrar que os sacrifícios e ofertas eram produtos animais ou oriundos da agricultura (obras de Deus), como uma expressão de adoração, de gratidão e de dedicação, além de ser expiação pelos pecados.

Toda noção de culto e de expiação era cabalmente explicada no ritual do antigo tabernáculo erguido por Deus no deserto através de Moisés. O processo da expiação no sistema sacrifical se dava em três etapas: a) oferta pelo pecado; b) holocausto; c) oferta pacífica.

A oferta pelo pecado tinha como propósito a expiação dos pecados cometidos contra Deus. Geralmente, tais pecados passam despercebidos e, por essa razão, era oferecido o referido sacrifício pelo sacerdote em ocasiões específicas, tais como: Lua nova (Num. 28:15), festa dos pães sem levedura (Num. 28:17), pentecostes (Num. 23:19; 28:26-30), ano novo (Num.29:5), festa das cabanas (Num.29:12-34). Também podiam ser oferecidos por outros motivos.

O importante é compreender o processo desse tipo de sacrifício (Lev.  4:32-35):

1)     1. O pecador traz o cordeiro. É importante notar que ao trazer o cordeiro ou assumir as custas do sacrifício, o pecador significava portar sincero desejo de busca fervorosa por auxílio.

2)     2. Porá a mão sobre a cabeça da oferta e a imolará. Ao impor a mão sobre o animal, este passava a ser dedicado ao Senhor tornando-o representante pessoal ou substituto do ofertante; o cordeiro era Jesus que seria o substituto da humanidade. O texto bíblico de Levítico diz que a oferta deveria ser imolada no local onde é oferecido o holocausto. Assim, no altar do holocausto no pátio do tabernáculo. Importante lembrar que o holocausto simbolizava a entrega completa, a dedicação e a adoração, portanto, a negação de qualquer ligação com o mundo e com as suas ideias. O próprio pecador imolava o cordeiro, ou seja, a si próprio, significando que sinceramente entregava a sua vida para cumprir a justiça da lei.

3)     3. O sacerdote, com o dedo, tomará do sangue e porá nos chifres do altar do holocausto. Havia quatro chifres, um em cada ângulo do altar, os quais significavam o poder de Deus em realizar expiação considerando as exigências da lei, uma vez que não há perdão sem derramamento de sangue.

4)     4. O restante do sangue derramará na base do altar. O sangue derramado na terra significava a morte do pecador e expiação pela terra, uma vez que as ofensas morais mancham a terra, a qual é propriedade de Deus.

5)     5. Tirará toda gordura como se tira a gordura do cordeiro do sacrifício pacífico. A gordura deveria ser queimada porque significa o acumulado por causa da cobiça. Era cheiro suave em virtude da simbologia que identificava a entrega das questões pessoais e do egoísmo. No diálogo com o moço rico, Jesus pede que ele queime as gorduras, mas ele não o fez.

6)    6. Queimará a gordura sobre o altar em cima das ofertas queimadas do Senhor. Essa ordem é profundamente significativa. Conforme acima, a gordura queimada implicava a entrega do eu. Este ato, no âmbito do sacrifício pelo pecado, sendo conduzido sobre as ofertas queimadas, também significava submissão total, adoração (estar de acordo com o comando de Deus), e gratidão, esta última reconhece a misericórdia de Deus.

7)     7. Fará expiação. É imprescindível entender que expiar é colocar tudo em ordem com quem foi ofendido. Então, o sacrifício pelo pecado, que era oferecido ou gerenciado pelo sacerdote (representando a Deus, portanto era Deus agindo), objetivava consertar, por iniciativa divina, o que estava errado nas relações humano-divinas, sendo importante notar que é a pessoa ofendida quem positiva o perdão.

O importante agora é a contemporaneidade do VT. Jesus fez o sacrifício pelo pecado quando da sua crucifixão. Sobre ele a humanidade impôs as mãos transferindo as culpas. O sangue foi colocado sobre o altar (Deus aceitou o sangue de Jesus na condição de nosso substituto) e derramado na terra. Agora resta-nos queimar a gordura. À igreja cristã não mais era necessário sacrificar animais, pois Jesus fez o sacrifício fazendo cessar o de animais. Porém, o queimar das gorduras tem que ser executado. Cessar com práticas egoístas, tendo ciência do dever em relação aos desamparados e aflitos, a manutenção dos serviços religiosos por contribuição sistematizada, o cumprimento dos deveres familiares, são alguns dos vieses demandados aos cristãos; a queima da gordura ou o serviço cristão. Uma vez que Deus se dispôs a conceder o perdão através da cruz, devemos nós tomar cada um a sua cruz, viver nova vida concordante com o sistema divino e desprezar a mundo e sua concupiscência.

Entretanto, o sistema sacrifical do AT previa outro tipo de sacrifício, o chamado holocausto. Este deveria ser oferecido duas vezes ao dia: pela manhã e pela tarde. Ali, um cordeiro de um ano era queimado sobre o altar acompanhado de ofertas de manjares. O holocausto simbolizava: a) consagração a Deus; b) constante necessidade do sangue expiatório de Jesus.

A consagração implica em abandono de todos os pressupostos mundanos. A vida egoísta não mais poderá preponderar. O sistema de Deus deverá ser o motor da vida. O holocausto tinha uma característica explícita: o cordeiro era inteiramente queimado, significando que o pecador se deixava consumir pelo fogo refinador do Espírito Santo, morrendo e desaparecendo para o mundo. Nenhuma das necessidades egoístas deveria sobejar. Sendo que nossa natureza egoísta, mesmo que combatida, não desaparece, em virtude de correr em nossas veias o sangue humano contaminado pelo sistema moral do inimigo, logo, há necessidade constante do sangue expiatório de Jesus, porque é a energia capaz de gerar comportamento compatível com as exigências celestes. Essa noção não é apenas retórica, mas, se materializa na razão direta da cópia do comportamento de Jesus. O uso da simbologia do sangue dá-se pelo fato de ser o sangue o tecido que gera toda energia que nos movimenta. Se o sangue, ou seja, o comportamento for o de Jesus, então o sangue expiatório, aquele que coloca as coisas em ordem com o reino de Deus, ou o comportamento que é compatível com as expectativas divinas fará expiação em nossas vidas.

Jesus, ao ser crucificado, também ofereceu holocausto. É importante ter em mente que o holocausto era oferecido no santuário duas vezes ao dia, significando que haveria cobertura de misericórdia sempre, uma vez que a humanidade é agudamente e constantemente corrupta. Entretanto, o holocausto oferecido diariamente no tabernáculo e que cobria a nação, era de forma pro tempore, pois cada israelita deveria oferecer seu holocausto pessoal, ao menos, uma vez no ano e, deste modo, buscar sua própria expiação.

Voltando ao holocausto apresentado por Jesus na cruz, esse sacrifício suspendeu o oferecimento contínuo no tabernáculo, porque foi um sacrifício vicário. De uma vez por todas, a humanidade inteira estava coberta pela misericórdia. Todavia, esse foi um gesto unilateral de Deus, necessitando da aceitação de cada indivíduo criado. Logo, o holocausto contínuo do tabernáculo cessou, mas, o holocausto pessoal, esse necessita ser concretizado. O apóstolo Paulo fez uma advertência sobre a referida necessidade no ambiente cristão: “ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:1-2).

O holocausto pessoal para os cristãos é, claramente a não conformidade com este mundo, porém a renovação do pensamento ou das ideias que, de modo geral, são conformadas pelas noções de individualismo que a cultura coletiva impõe.

Terminamos essas breves considerações com a seguinte citação do livro Caminho a Cristo da autora Ellen White (p.18): “É-nos impossível, por nós mesmos, escapar ao abismo do pecado em que estamos mergulhados. Nosso coração é ímpio, e não o podemos transformar. “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém!” Jó 14:4. “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7. A educação, a cultura, o exercício da vontade, o esforço humano, todos têm sua devida esfera de ação, mas neste caso são impotentes. Poderão levar a um procedimento exteriormente correto, mas não podem mudar o coração; são incapazes de purificar as fontes da vida. É preciso um poder que opere interiormente, uma nova vida que proceda do alto, antes que os homens possam substituir o pecado pela santidade. Esse poder é Cristo. Sua graça, unicamente, é que pode avivar as amortecidas faculdades da alma, e atraí-la a Deus, à santidade”.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

O Sábado é o êxtase da fé

 Nos conhecidos Diálogos de Platão, literatura quase obrigatória para quem usa a argumentação como infantaria, o autor estabelece imediatamente antes de cada assunto, ou seja, a priori, os parâmetros e as definições dos alvos a serem discutidos, para evitar interpretações inconvenientes e dubiedades semânticas. No diálogo entre Deus e Jó (Jó 38) também são colocados os parâmetros e as definições daquilo que importa para as explicações. Ao dizer Deus “Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” está identificando a falta de saber que torna o diálogo quase impossível. Mas, tal qual um educador, pede que Jó “cinja os seus lombos, como homem”; coloque-se na posição de aprendiz para que Ele possa perguntar e, na tentativa de responder-lhe Jó possa construir o seu próprio conhecimento.

Em seguida Deus pergunta: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?

As perguntas acima querem mostrar ou desvelar a importância capital para os seres humanos saberem sobre os mistérios envolvidos na semana da criação. As medidas ou o cordel com que foram realizadas as medidas, ou quem assentou a pedra de esquina indicam perguntar em quais princípios a Terra foi construída, ou quais os motivos determinantes ou ações motrizes que fundamentaram a criação da maneira como foi efetuada, tudo cercado por uma atmosfera de júbilo mantendo todos os filhos de Deus (aqueles que parecem com Ele) em regozijo. É intuitivo entender que o que dá júbilo aos filhos de Deus é a Lei eterna em funcionamento, logo, a criação da Terra espelhava o pleno domínio da Lei.

A semana da criação pode ser dividida em duas etapas. Na primeira, compreendida pelos quatro primeiros dias, Deus constrói os domínios, ou os locais apropriados para apoiarem as outras criações vindouras. Sempre que terminava um dia Deus examinava e definia que era bom. A teologia hebraica afirma que a frase “viu que era bom” significava bom para o que haveria de vir. Assim, os domínios eram perfeitos para sustentarem os animais, os quais vieram à existência na segunda etapa da semana da criação (5º e 6º dias). Quando o povoamento dos domínios estava completo, Deus cria em seguida o homem, evidenciando que tudo o que fora criado anteriormente ao homem, o fora para apoiar a própria existência humana. Na semana da criação está explicitado todo caráter de Deus. Assim como um dia mostra sabedoria a outro dia, nenhuma criatura vive para si mesma. Silenciosos, mas incessantes, os objetos criados fazem seu trabalho designado de cooperação, uma benção de utilidades, do mesmo modo como Jesus encarnado operou seu trabalho terrestre fazendo o bem a todos e em todo tempo (Mateus 6:30).

Após o surgimento do homem, no sexto dia, Deus o submete, no sétimo dia, ao descanso. Não porque estivesse cansado, mas, porque nada lhe faltara e por esse motivo poderia descansar sem preocupações por quaisquer motivos, uma vez que tudo estava pronto para o seu apoio. Entretanto, o descanso sabático tem sua base não na criatura, mas, no criador, no autor da natureza, quem garante que tudo irá operar em favor do homem, pois é quem fez e mantém tudo.

O primeiro sábado foi vivido na companhia do criador, aprendendo os fundamentos da Terra. A semana inteira da criação é um grande painel demonstrativo dos princípios do Reino de Deus. Cada ato criador antecede apoio ao que virá. Essa é a noção que foi perguntada a Jó. Na semana da criação encontramos o pensamento de Deus e base do deu governo de forma física, qual fio de ouro, onde cada domínio e cada criatura, em cada associação da vida, ensinam lições da grande verdade divina. O percebível sistema de cooperação que está em toda a criação é o grande fundamento Terra. No primeiro sábado Adão foi levado pelo criador a perceber o referido fundamento. O descanso sabático naquele primeiro sétimo dia objetivou levar Adão a reconhecer que poderia descansar no Deus todo poderoso, quem criara tudo para o bem e o deleite do homem e, portanto, sustentaria tudo ad infinitum.

Por essa razão, passados tantos séculos daquele primeiro sábado, os homens necessitam entender os fundamentos da Terra para alcançarem o descanso. Cada término de semana deveríamos sair das cidades ou nos retirarmos a lugares mais à natureza, para vermos a face de Deus na criação, e assim aprender sobre o Seu caráter, enchendo nosso pensamento sobre o sistema de cooperação para que pudéssemos entretecer os dias da semana com o sistema de Deus.

Quando os hebreus são retirados do Egito, ao atravessarem o mar Vermelho encontraram-se do outro lado no sábado; deveriam descansar depois de todo estresse pré travessia, confiando inteiramente no Deus todo poderoso. Foram levados ao Sinai onde lhes foi dada a Lei. Ali, Deus lhes alerta que estavam saindo da escravidão do Egito, retirados por Sua forte mão (Êxodo 20:2). Sair da escravidão foi um ato de misericórdia que somente aconteceu porque Deus atuou. Agora estavam sob a jurisdição do domínio de Deus. Outros costumes, outra cultura, outros resultados, outros interesses. Ato contínuo foi a descida do maná. Este fato tem a ver com a primeira noção dada a Adão; Deus é o criador de tudo o que apoia a humanidade, portanto, deveriam celebrar o descansando Nele. No deserto, sem comida e sem água, sem comércio, sem mercados, a sobrevivência dependia da fé no criador. Durante quarenta anos nada lhes faltou, a não ser quando lhes desfalecia a fé.

Do mesmo modo, os cristãos ao serem batizados atravessam o mar Vermelho e devem entrar no descanso; outros costumes, outra cultura, outros resultados, outros interesses. Chamamos a atenção ao quarto mandamento (Êxodo 20:8-11): “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou”.

Deus dá ao homem seis dias para que realize toda a sua obra. Depois ordena que também descanse, porque Ele descansou, porque descansando santificam o Sábado. O que está exposto neste comando é que há um trabalho humano que deverá ser totalmente concluído antes do descanso. A pergunta que deve ser feita é: qual trabalho deverá ser concluído?

É na semana da criação que vemos a resposta. Se todas as obras cooperam, então a obra humana também deve ter o caráter cooperativo. Em cada novo dia que nos entrega a semana, ou seja, nos seis sétimos que nos são dados, as obras realizadas devem cooperar. Se todos os domínios e seu povoamento foram realizados para apoiar o homem, então nossa obra deverá seguir o modelo original; iremos construir domínios e povoá-los com objetos para apoiar outros humanos. Essa obra traremos diante Deus no Sábado. Santificaremos o Sábado porque participamos, nas obras da semana, da natureza divina, nos tornamos semelhantes a Deus.

Enquanto o sistema mundano nos instila a trabalhar para nós mesmos, tornando-nos escravos idólatras porque dependemos do nosso braço para superar outros humanos e acumular energia causadora de entropia, o sistema de Deus promete liberdade porque não estaremos escravos dos nossos desejos, nem sujeitos ao que outros nos dizem, mas libertos da concupiscência e titulares da nossa própria razão, vivendo um nível mais elevado de sociedade, no qual o acréscimo social do semelhante é a meta.

O Sábado é o êxtase da fé porque ratificamos que Deus é o criador e entendemos que nada nos faltará. Por essa razão, não nos é necessário trabalhar. Não dependemos do nosso braço para sobreviver, pois entendemos que assim como no deserto o maná não estragava no sábado, Deus nos assegurará a sobrevivência. A semana da criação foi a demonstração da forma como Deus estruturou tudo, para que pudéssemos chegar, trabalhar e descansar. Devemos operar nos seis dias para descansar no sétimo, no sentido de obra terminada.

A noção acima está na sequência de ideias do capítulo 58 do livro de Isaías. O trabalho em favor dos necessitados, ou seja, a prática da justiça antecede o descanso sabático. Se tão somente atendermos aos nossos semelhantes teremos saúde e estaremos voltados à direção das bençãos de Deus. A celebração do sábado, de acordo com Isaías 58 somente se dará se durante os seis dias realizarmos toda a nossa obra. Reiteramos que cada dia dos seis que temos deverá construir as bases para os outros dias visando o soerguimento dos semelhantes. Era assim que Jesus operava a semana e no Sábado ia à Sinagoga, onde descansava no Pai. A última benção do capítulo 58 de Isaías é uma promessa de sucesso terreal.

No contexto atual, o sábado significa mais do que nunca a celebração da nossa liberdade. Vivemos a mais densa era do assédio do inimigo de Deus que, demonstrando habilidade quase insuperável enreda quase todos no sistema egoísta dos prazeres da carne. Em todos os lugares há armadilhas para que o egoísmo seja desenvolvido. As cidades são consideradas desenvolvidas na medida em que possuem infraestrutura para o consumo. Nosso conceito de boa vida está definido na possibilidade de sentir sensações, quer adquirindo bens, quer usufruindo diversões. Em outras palavras, viver bem significa aproveitar do consumo e dos prazeres. Todavia, a Bíblia define a vida conforme Paulo diz: “portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1). A carreira que nos está proposta é a mesma do capítulo 58 de Isaías. Mas, nosso processo civilizatório comanda egoísmo, embora nos prometa liberdade enquanto nos submete à corrupção e nos sujeita ao sistema do inimigo, conforme 2 Pedro 2:19. Os cristãos no ambiente das igrejas deveriam ser educados para o serviço, para que possam apresentar-se a Deus em liberdade.

 

              

 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Preparando quem dominará o mundo

 As iniquidades foram o alvo da atuação de Jesus para destruir a obra do inimigo (1 João 3:8). “Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia” (Salmos 103:3-4). Na poesia hebraica, os quiasmas ou elementos dispostos de forma cruzada, são utilizados para explicar ideias, tal como é o caso da citação acima. Ali está a afirmação de que ele perdoa as iniquidades, ligando-as com as enfermidades e, de forma cruzada, confirma que as iniquidades são a perdição, sendo que a sua retirada promove a benignidade e a misericórdia.

Iniquidades são intolerâncias que fazem parte do aprendizado ou do processo educacional mundano, cuja finalidade é a competição que prepara os homens para serem vencedores no mundo, sendo tal competição o motor da coletividade. Tais intolerâncias podem estar de forma velada. A maneira como falamos e como nos vestimos pode demonstrar quão intolerantes somos.

No Brasil verificamos que há intolerância, por exemplo, por parte dos sulistas em relação aos que vivem mais ao norte. Sempre que famílias migram de regiões meridionais para latitudes mais baixas, os pais instilam nas crianças preconceitos que se exteriorizam logo no sotaque; as crianças sulistas não perdem o jeito de falar meridional e cristalizam a ideia de que aquele sotaque é mais elaborado, logo, perdê-lo significa involução. No entanto, a evolução na linguagem não está relacionada com o sotaque, mas, com a profundidade do encadeamento das ideias, de modo a tornar mais explícitos conceitos que demonstram uma visão de mundo mais ampla. Obviamente, os filhos imitam os pais, sendo que na linguagem é inevitável, porém, crianças absorvem naturalmente a cultura que os cerca, e na questão do sotaque, se não há absorção daquilo que é comunitário, significa a existência de filtros preconceituosos.

Se para Deus iniquidades são disfuncionalidades em relação ao sistema divino, então, os pais deveriam observar com muita prudência como educam seus filhos, de modo a evitar que sejam iníquos sem que o saibam. Muitas intolerâncias são consideradas inocentes e vão se transferindo de geração em geração. Nos anos 70 do século passado, muitos sulistas brasileiros buscaram alcançar seus objetivos educacionais migrando para a região Norte. Em Belém do Pará, a universidade Federal atraiu muitos estudantes que após sua formação universitária voltaram às suas regiões ou permaneceram no Norte e construíram carreiras, em muitos casos, com brilhantismo. Porém, naqueles idos, os sulistas faziam questão de não absorver quase nada da cultura local. O açaí, a bebida tipicamente paraense, era rechaçada pelos sulistas porque, diziam alguns, tinha gosto de mato. No entanto, alguns sulistas da classe média, que voltaram para suas regiões, e até mesmo estrangeiros que estiveram em Belém, levaram o costume da bebida paraense e forçaram a comercialização do açaí fora do Pará. O açaí ganhou o mundo e hoje, japoneses e americanos, bem como os brasileiros do sul, tomam e estimulam o uso do açaí, fato que tornou o preconceito sulista inicial nulo. Tal episódio exemplifica que iniquidades são puros preconceitos. Desigualdades são oriundas da vontade ser diferente, mas podem ser plenamente superadas.

A proposta do cristianismo é que afastemos as iniquidades influenciando pessoas a um nível de convivência mais elevado. Sempre que são permitidas as iniquidades também são perdidas oportunidades. Misturas culturais podem acrescentar visões de mundo mais inteligentes. Preconceitos somente levantam barreiras que produzem separação e litígio.

A principal premissa do reino de Deus é o relacionamento fluido entre os seres humanos. Em Lamentações 4:6 vemos como Deus enxergou o preconceito ou iniquidade em Israel: “Porque maior é a iniquidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mãos lhe tocassem. Também, em Ezequiel 16:49 aparece o profeta ratificando a consequência da iniquidade quando diz: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado”. A primeira advertência é contra a soberba que enraíza a iniquidade. Quanto mais iniquidades, mais problemas e mais juízos. A segunda advertência vem pelo excesso de comida; não há problemas em colheitas fartas, mas, em armazená-las para si, pois o texto termina informando o desprezo pelos necessitados como o motivo da destruição.

As iniquidades são de vários matizes, os quais deverão ser evitados pelos cristãos. Aliás, ao invés de serem assimilados pela sociedade desigual deveriam liderar uma tomada de posição por uma sociedade melhor, porque Deus deseja que os cristãos formatem a sociedade sem iniquidades, e punirá os cristãos se falharem, tal qual está na história sagrada. Há intolerância racial, intolerância regional, intolerância religiosa, intolerância laboral por causa do sexo, intolerância cultural, intolerância social, intolerância de aparência, entre outras. Todas são formas de iniquidades. O dever de cada cristão é operar em sua esfera de influência para diminuí-las.

A principal tarefa do cristianismo é tornar mais similares todos os seres humanos que o pecado desfigurou e que foram criados à semelhança de Deus. O fator de risco que produz a disfuncionalidade social é a desigualdade educacional. Não é suficiente matricular crianças em escolas, mas garantir-lhes educação equivalente qualquer que seja a escola. Além disso, assegurar não somente qualidade acadêmica, mas, que os princípios do cristianismo não sejam suplantados pelo ensino humanista que submete nosso sistema educacional. O sistema humanista prega isonomia social, mas, em nome da igualdade descarta os valores cristãos que necessariamente levam ao equilíbrio social, pois o humanismo reforça o sistema predador da competição. Escolas cristãs são instâncias de formação que preparam quem dominará o mundo; se estiverem preocupadas somente com a qualidade acadêmica falharão na sua missão de conduzir o mundo ao equilíbrio social, o qual somente é alcançado na ausência das iniquidades.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

A prática da iniquidade na terra da retidão

 

Um dos conceitos mais devastadores no ambiente celeste é o da iniquidade. Esse substantivo significa: Que é contrário à justiça e à equidade; o antônimo de equidade é injustiça, parcialidade, tendenciosidade, desigualdade, arbitrariedade, partidarismo, facciosismo, facciosidade. Então, como o céu lida com os iníquos?

A resposta aparece em muitos textos bíblicos, mas, aqui vamos ver apenas alguns:

O homem mau, o homem iníquo tem a boca pervertida (Provérbios 6:12). A justiça dos virtuosos os livrará, mas na sua perversidade serão apanhados os iníquos (Provérbios 11:6). Ai dos que puxam a iniquidade com cordas de vaidade, e o pecado com tirantes de carro! (Isaías 5:18). Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, e não atenta para a majestade do SENHOR (Isaías 26:10). Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça (Isaias 59: 2).

No último texto bíblico acima há a retumbante advertência sobre a pior das situações, a separação de Deus; a causa da mortalidade. Essa terrível condição não parece tão avassaladora àqueles que nascem sob o jugo (domínio) das leis morais impostas pelo pecado. Ser desigual, diferente, parcial etc., é o normal no mundo. Todos lutam e usam os talentos – dados por Deus – para se sobressaírem dos demais e serem notados e admirados. O sistema educacional mundial, necessariamente, espera que nos tornemos vencedores (desiguais) e alcancemos o hall da fama, de modo que sejamos diferentes dos demais. Por esse motivo lutamos para conseguir fama e fortuna. Qualquer objeto que possamos adquirir para nos tornar únicos transforma-se em nossa vitória.

O conceito do reino dos céus é o oposto. Jesus o definiu dizendo: “Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve” (Lucas 22:26). O que está em análise aqui é a diminuição das desigualdades. Todas as vezes que trabalhamos para erguer desiguais estamos contemplando a Cristo, estamos atuando no ministério da redenção, estamos revelando a bondade de Deus, mas, especialmente, estamos trilhando o caminho do arrependimento.

Desafortunadamente, os crentes, de modo geral, não entendem o princípio fundamental do cristianismo, o serviço. Muitos usam o ambiente eclesial para aperfeiçoar o sofisma do serviço ególatra travestido de ministério cristão. Usam os dons distribuídos pelo Santo Espírito, como se foram de sua propriedade pessoal, tornando-se diferentes e sobressaindo-se atraindo aplausos. No afã de servirem ao ego, mas, como atores disfarçam que servem ao próximo, trazem para dentro das igrejas a divisão e a luta pela desigualdade. Fazem sempre confusão e partidarismos, portanto, promovem a iniquidade.

Um dos setores eclesiais que mais facilmente adere à iniquidade é o da música. Tudo começa com o inocente desejo de tocar um instrumento ou de cantar louvores. Na medida em que vão desenvolvendo suas habilidades, vão acumulando elogios que, ao invés de serem dirigidos a quem os dotou de talentos, são adicionados ao eu. Se há vários músicos talentosos numa congregação, o inimigo planta o desejo do aplauso. Juntam-se os talentos para o suposto trabalho missionário, mas, o inimigo astuto, impõe os princípios do sistema oposto ao de Deus e o coração iníquo se robustece.

Em conjuntos vocais essa prática de juntar os melhores (algo que aparenta ser muito bom e especial) logo determina uma separação entre os que podem e os que ouvem. Os que podem impõem seu gosto musical e seus modos, levando cativos os mais fracos para imitá-los. Bom seria que os mais aptos se unissem para ajudar a desenvolver os dons nos menos aptos e, como consequência de uma visão de serviços, a eventual união dos talentos. Porém, há necessariamente uma segregação e os mais aptos se separam e servem a si mesmos. Tornam-se admiráveis e, como resultado, iníquos.

Se é assim na música, é assim com outros dons. O fariseu orava dizendo que agradecia a Deus por não ser igual aos demais (Lucas 18:11). Todavia, quando os homens são convertidos e olham para Jesus, o modelo, o sol da justiça passa a brilhar nos seus corações. Justiça é muito diferente de iniquidade. Observar o amor de Deus demonstrado no procedimento diário de Jesus fará com que o espírito egoísta nos entristeça e passemos a desempenhar o papel de servos. Todo serviço na igreja deve ser motivado pelo amor para diminuição das desigualdades. Não esqueçamos que são as desigualdades que nos separam de Deus.

Terminamos com a seguinte reflexão: “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, e não atenta para a majestade do SENHOR” (Isaías 26:10). Ímpio cristão? Infelizmente os há. Mas, graças a Deus por Jesus Cristo, o justo.

 

 

 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Testando a felicidade

 

Desde que o pecado adentrou nosso planeta, Deus tem realizado alianças para que o declínio moral não se torne absoluto. Por causa do veredicto da sentença de morte, e sendo a misericórdia de Deus o seu mais distinguido atributo, foi dado ao homem um período de vida para que este  pudesse rever a situação moral provocada pela queda e, vendo a bondade de Deus, pudesse responder afirmativamente aos reclamos divinos.

As alianças traduzem a maneira como Deus quer salvar a humanidade. Não se trata de um negócio no qual são feitas exigências que, se cumpridas, oferecem uma recompensa, mas, um acordo onde a fé – acreditar nas promessas e aceitar a instrução divina – estabelece uma relação na qual o homem pode, ainda que separado moralmente de Deus, desfrutar de bençãos e dons que lhe capacitarão a uma vida não centrada em si mesmo.

Vivendo paralelo ao sistema dado a Adão no início, ou seja, tendo comunhão (algo em comum) com Deus, o homem poderia ter uma vida justa, já que o pecado o colocou como escravo de um sistema moral injusto. Assim, poderia o homem experimentar felicidade ou alcançar um estado de equilíbrio que o pecado não pode dar por causa do egoísmo. Tal situação obriga aos seres humanos uma vida de eterna disputa por posições relevantes e por destaques sociais e materiais, fato que desequilibra qualquer relacionamento.

O pecado é um sistema moral no qual não há alegria, pois todos estão sempre querendo algo a mais. Logo, torna-se impossível ter um viver com júbilo. Para os pecadores, alegria é traduzida por aquisição de bens. Assim, todos estão empenhados em uma luta sem tréguas por adquirir. Esta luta não contempla contentamento e alegria.

No ambiente bíblico, a alegria está em proporcionar ambiente justo a todos. Por esse motivo cessam as disputas, sendo que a única preocupação é manter o equilíbrio moral, situação na qual todos têm direito a tudo. Quando tal situação é estabelecida, a Bíblia a define de vida. Jesus define claramente, em João 10:10 os dois sistemas:  O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Discorrendo sobre o sistema moral do pecado, Jesus demonstra como funciona: uns roubando a outros; de outro lado, o sistema moral celeste não pretende tirar nada de ninguém, ao contrário, estabelece contentamento e alegria, fazendo cessar o que nos tira a paz e consequentemente a vida. O coração que é regado com o conhecimento de Deus será como um jardim regado, tendo saúde, porque escolheu sair da luta pela supremacia, terá o amor de Deus no coração e promoverá amor aos outros.

A aliança proposta por Deus à igreja cristã é que seja portadora de uma mensagem de amor, comunicando ao mundo o rico amor de Deus em ações de misericórdia. A aliança tem referência à uma nova vida longe da disputa, mas, ligada ao amor. Significa nova mente, novos propósitos, novas intenções, ou seja, vida transformada, ausência de egoísmo e de orgulho. É o santuário de Deus no corpo humano.

Para alcançar essa nova visão de mundo, serão necessários esforços pessoais. Ninguém que esteja disposto a entrar nessa nova realidade vai lutar sozinho. A promessa de Jesus é que estaria conosco todos os dias. Cada um deve clamar ao Salvador em busca de auxílio. Tal atitude define a fé. Se cada um buscar por ajuda do céu, a promessa é que será concedida. Logo, poderemos viver fora do conceito moral da disputa que nos é imposta pelo mundo.

A promessa de Deus assegura que embora estejamos num ambiente adverso, onde há condenação à morte, poderemos ter vida. Jesus disse: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:28-29). Então, a promoção da justiça e a produção do equilíbrio moral resultará em vida.

É curioso que a Bíblia menciona a vida eterna em, pelo menos, 41 vezes. Sendo que no Novo Testamento são 35 vezes. A ênfase no Novo Testamento é um apelo a que olhemos a Jesus e copiemos o seu modelo de vida. Há, na verdade, duas dimensões do que a Bíblia chama de vida eterna. A primeira é o uso da proposta moral do céu aqui, enquanto estamos nesta vida terreal. Se fazemos o bem aos nossos semelhantes, devolvendo-lhes o equilíbrio e nos relacionamos com Deus através do exercício da fé em Jesus como nosso modelo e salvador, então já estaremos vivendo a primeira etapa da vida eterna, ainda que tenhamos que morrer. Entretanto, os que morrem em Jesus apenas dormem (João 11:11). A segunda dimensão da vida eterna está no futuro, a promessa da ressurreição e da imortalidade. Essa dimensão está prometida para os morrem em Jesus, ou seja, viveram crendo nele e copiando seu comportamento. Cristo precisa se tornar uma só carne conosco, um só espírito ou raciocínio, o qual se adquire mediante a fé. A imitação da vida de Jesus nos trará o princípio da vida eterna, além disso, proporcionará a justificação sem a qual estaremos plenamente culpados diante da Lei. Se Jesus guardou a Lei, imitando-o também guardaremos a lei.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Graça, o firme amor salvador de Deus

 

A palavra graça, no ambiente da igreja cristã, ganhou uma conotação, no mínimo, esdruxula. Os crentes a usam como se fora uma poção mágica ou sinônimo de bençãos materiais. Essa interpretação é parte do planejamento satânico para enganar. Assim como no ambiente político as narrativas são montadas para fraudar, o inimigo constrói narrativas para confundir.

Chen é a palavra hebraica traduzida como graça. O seu significado é favor ou gentileza, especialmente quando tal concessão não é merecida. Neste sentido, a graça de Deus é uma gentileza, a qual nos concedeu algo que não poderíamos ter. Assim, graça significa ter encontrado misericórdia, quando o natural seria repulsa.

O conceito de Graça, na Bíblia, é o firme amor salvador de Deus que socorre pecadores. A graça foi primeiramente demonstrada no Éden quando, a despeito da desobediência, Deus provê segurança física e promete salvação pelo Messias. Também foi demonstrada, anos mais tarde, quando Noé foi salvo da destruição generalizada causada pelo dilúvio. Também foi demonstrada quando Abraão, mesmo sendo pecador e apresentando imperfeições, foi escolhido para ser o guardião e difusor do conhecimento de Deus. Mais à frente, Deus torna manifesta a sua graça quando preparou Moisés para liderar um povo, através de orientação divina explícita. Além disso, a graça foi manifesta ao mundo porque Deus pacientemente alimentou, encorajou, ensinou/educou a Israel, através de séculos, na condição de povo escolhido para serem orientadores mundiais de justiça e guardiões dos oráculos divinos. Também, através dos profetas, foi retratado o constante amor de Deus lidando com a rebeldia dos israelitas e da sua igreja na atualidade.

O apóstolo Paulo, o paladino da salvação pela graça no Novo Testamento, diz que pela graça somos salvos mediante a fé (Efésios 2:8). Assim, na perspectiva bíblica, graça é a mão de Deus alcançando a Terra, e a fé é a mão humana buscando tocar e segurar a mão de Deus. Logo, a dinâmica salvífica é a graça de Deus, a qual está disponível a todos e sua aceitação é traduzida pela prática da fé, ou seja, a prática de boas obras (Efésios 4:7; Tito 2:11).

É através da graça que Deus chama a humanidade ao seu serviço (Gálatas 1:15, 16) e é a operação da divina graça que influencia a resposta humana ao chamado de Deus (Atos 20:32).

Jesus Cristo é o mediador da graça, Ele foi enviado para que pudéssemos ver e apreender a realidade do céu e pudéssemos, imitando-o, ser participantes da realidade celeste.

Por causa da graça, veio até esse mundo rebelde o conhecimento sobre Deus. Em razão da graça, foram-nos dados os mandamentos. A forma como a lei foi dada no Sinai demonstra a preocupação de Deus em revelar a sua graça mantendo-a pura. Ele escreveu com o próprio dedo a lei em tábuas de pedra, significando que não permitiu nenhuma interpretação humana da sua vontade, e nenhuma introdução de tradição humana no texto da lei, além de que não permitiria nenhuma mutação no texto escrito com fogo e numa rocha, tendo a sua lei permanecido intacta até o presente.

A graça de Deus nos deu a noção do sábado sagrado. Tal conhecimento é plenipotente para determinar nossa escolha em ser ou não ser filhos de Deus. O sábado distingue seus guardadores da população humana voltada às idolatrias. Assim como o sábado distinguiu Israel quando saiu do Egito para entrar em Canaã, é o sinal que deve distinguir o povo de Deus que sai do sistema mundano e entra para o sistema de Deus e que será levado a uma nova Terra. O sábado santifica quem o observa (Êxodo 31:13), pois é um sinal da aliança perpétua entre Deus e seu povo através das gerações. Por esse motivo, não devemos observá-lo como uma questão da lei, mas, deve ser compreendido em suas relações com todos os negócios do dia a dia. Os seis dias que são dados para a obra humana devem ser vividos nos princípios do governo de Deus, seguindo o exemplo de Jesus para o aperfeiçoamento do caráter, sendo o resultado a efetuação de boas obras. Assim, quando estivermos, no sábado, na presença de Deus para servi-lo, estaremos nos santificando porque usamos nosso tempo diário para servir a outrem. O sinal santificador do sábado é dado a todos os que, por meio de Cristo, tornam-se parte do Israel de Deus.

O conhecimento do sábado somente chegou a nós através da graça. Ela nos torna adoradores do Deus Altíssimo. A graça é, finalmente, o conhecimento que veio de Deus, do qual não éramos merecedores, mas, uma vez dado, nos garante o retorno ao Éden.

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Covid 19 e as coisas espirituais

 

Publiquei em 04 de fevereiro de 2021 um artigo intitulado “Confiando na proteção de Deus e adotando sempre as medidas profiláticas”. Ali apontei que as vacinas que estavam sendo impostas estavam contaminadas moralmente. Na sua origem, o propósito comercial das vacinas, não poderia contar com as bençãos de Deus, porque a cobiça é a premissa do sistema contrário ao de Deus. Logo, percebi como as reações dos leitores demonstravam desconhecimento sobre as bases do reino de Deus. Muitos defenderam que as vacinas nada tinham a ver com assuntos espirituais. Muito bem, vacinar, para os que defendiam vacina a qualquer custo, era a única maneira ou a maneira científica de resolver a pandemia.

O tempo passou (o tempo também é o senhor da razão) e agora que muitos países vacinaram seus concidadãos, é hora de avaliar o que está acontecendo. Há comprovações de óbitos de pessoas que tomaram a vacina. Em muitos casos, a doença se manifestou por causa da vacina. De outro lado, há documentos que atestam acidentes fatais por causas potencializadas pela aplicação da vacina, tais como cardiopatias, embolias, entre outras. Há ainda o caso de que não houve resposta imunológica, mesmo após a segunda dose da vacina, além de casos de reinfecção, apesar da vacina.

Se doença e cura nada têm a ver com coisas espirituais, então a Bíblia está equivocada, porque ensina, por exemplo, em Êxodo 15:26 que se ouvirmos atentos a voz do SENHOR nosso Deus, e se fizermos o que é reto diante dos Seus olhos, nenhuma das enfermidades será posta sobre nós; porque o Senhor é quem nos sara. Em Deuteronômio 7:15 está assegurado que o Senhor desviará toda enfermidade e, surpreendentemente, em Salmos 105:37 está o documento de que não havia enfermos entre as tribos de Israel.

Os textos acima nos informam que há determinadas condições que precisam ser observadas por todos que queiram conservar a saúde. O fato é que Deus não se agrada da ignorância com respeito as Suas leis, sejam naturais, sejam espirituais.

Quero considerar um fato. Na edição eletrônica da Advent Review do último 4 de abril, Melchor Ferreyra fez menção a uma carta escrita por Ellen White, em 13 de agosto de 1894, a Stephen N. Haskell, apresentando profunda preocupação com as pessoas que estavam morrendo por causa do vírus influenza. Ela escreveu: “Em Nova Gales do Sul, fomos provados e testados com a epidemia de gripe. Quase todas as famílias foram atingidas nas cidades e no campo. Alguns estão agora muito, muito doentes. Suas vidas estão penduradas por um fio. Oramos pelos enfermos e fizemos o que pudemos financeiramente e agora esperamos o resultado. […] Em um só dia, na semana passada, houve onze funerais. […] Fui severamente atacada e não posso participar de reuniões há quatro semanas; mas não desisti de levantar cada dia. Escrevi minha cota de páginas quase todos os dias, apesar de tossir, espirrar e sangrar pelo nariz. Quase todo mundo ao redor sofreu, mas agradeço ao Senhor por estar melhorando e tenho boa coragem no Senhor. Faremos tudo o que pudermos em nome do Senhor. […] O povo de Deus está sendo provado e testado e que Deus me conceda ser capaz de ajudá-los durante esse tempo".

Como a Sra. Ellen White se comportou diante e durante da epidemia?

O Pastor Helio Carnassale , coordenador da área de Espírito de Profecia e diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da sede sul-americana da Igreja Adventista esclarece dizendo: “De sua atitude em relação à crise que estava enfrentando, destacam-se alguns aspectos. Ela (1) não se entregou à doença, apesar de estar bastante afetada e permanecer confinada, em quarentena; (2) manteve uma atitude positiva e de coragem em meio à dor; (3) não perdeu o foco na missão, pois continuou realizando seu trabalho como escritora, mesmo sem poder sair de casa; (4) não ficou indiferente ao sofrimento das pessoas, pelo contrário, demonstrou preocupação com o que estava acontecendo; (5) expressou gratidão ao Senhor por estar melhorando; (6) não só orou, mas ajudou financeiramente aos que necessitavam e deu apoio ao povo de Deus; (7) fez da crise um motivo para se apegar mais firmemente a Jesus”.

As assertivas acima parecem informar que um comportamento consentâneo com a Lei de Deus deverá ser nosso salvo conduto. Não importa se adoecemos ou não, estar em acordo com a expectativa moral celeste e confiando no EU SOU será a condição para escapar dos juízos aplicados por Deus.

Voltemos às vacinas. As notícias dão conta que a população das ilhas Seychelles, no oceano Índico, foi totalmente imunizada com vacinas. Com uma população de aproximadamente 100 mil almas, cuja economia vem maiormente do turismo, era natural que fossem logo imunizados para não sofrerem financeiramente. No entanto, esse início de maio trouxe uma nova onda de infecções por corona vírus que está dizimando aquela população já imunizada, obrigando ao lockdown. O que estaria acontecendo?

Se o vírus é natural e não criado em laboratório, então, está havendo como que uma disputa de xadrez entre os cientistas e o vírus. A segunda cepa do vírus no Brasil, por exemplo, assumiu uma nova estratégia de ataque fisiológico, agora prejudicando o fígado dos infectados, fato que quase não deixa brecha para contra-ataques farmacológicos.  Destruindo o fígado, a usina que determina o caminho a ser seguido no corpo humano pelas substâncias ingeridas, fica muito difícil traçar rotas farmacológicas e interações medicamentosas. É como se o vírus possuísse inteligência capaz de competir com os cientistas. Tal fato parece dizer que o vírus não está agindo naturalmente.

Não era de se esperar que os habitantes das ilhas Seychelles estivessem imunizados, uma vez que as vacinas têm eficácia comprovada? Ou será que há fatores espirituais negligenciados e que estão cobrando suas taxas? A verdade é que a saúde é o prêmio da obediência às leis divinas. Claramente, Deus não abençoou as várias vacinas que estão à venda, porque estavam contaminadas com a cobiça do comércio internacional. É obvio que Deus deixou na natureza remédios para ajudar na recuperação das doenças, mas, tais remédios são coadjuvantes porque Deus é aquele que unicamente pode curar. Assim, os enfermos devem ser ensinados a crer no grande médico. Com este panorama, vacinas terão o esperado sucesso quando não forem oferecidas tendo em vista aquisição de lucros. Se os crentes tomarem vacinas sem ter em mente que a contaminação moral fará inócua qualquer tentativa farmacológica, nada lhes adiantará. O melhor será esperar uma vacina que esteja moralmente limpa e, com oração, suplicar a Deus por cura.