sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Escravidão hedônica X Escravidão celeste

 

A história humana está marcada por uma sucessão de eventos políticos e sociais que, na sua grande maioria, culminam com supremacia de grupos humanos sobre outros grupos humanos. Quando um grupo se torna dominante, a força exercida acontece de muitas formas, sendo uma delas a sujeição de grupos humanos a um regime escravagista. Nesse caso, tornar-se escravo determina que serão apagadas tradições, todas as volições, todas as liberdades, sendo que até mesmo escolhas pessoais não contarão. Tal situação é a mais arbitrária e contrária ao propósito da criação humana. A libertação de escravos, quando ocorre, é um processo muito difícil, o qual conta com a má vontade dos opressores e dos que lucram com a escravidão. Se um escravo foi submetido a uma longa e severa opressão, não saberá lidar prontamente com a liberdade. Dá-se, em muitos casos, a degradação moral em níveis mais aviltantes. Somente um processo de educação visando a reconstrução moral poderá ajudar.

Há, no entanto, outro tipo de escravidão tão severa e cruel como a acima descrita; aquela que escraviza as ideias, a vontade, a liberdade, sem, contudo, usar força coercitiva. Esse tipo de escravidão é atualmente a mais usual, sendo que as nações poderosas, no atual cenário geopolítico, submetem nações mais vulneráveis sem nenhum uso de armas ou opressão política; simplesmente empregam a força da sua cultura e do seu comércio. Tal sistema força o surgimento de novas e modernas necessidades, por indução mental, que levam populações a se utilizarem das tradições e costumes dos opressores, dispensando as tradições locais através da imposição efetuada pelo chamado marketing.

Um caso típico da situação acima, no Brasil,  é o Black Friday e o Halloween, que já forçaram entrada no imaginário local, e ambas as efemérides estão agora como que figurando tradicionais aos brasileiros. Os USA escravizam as mentes com sua potência intelectual e sua força econômica. Contra esse tipo de escravidão quase não há remédio. Mas, uma nação se diferencia, principalmente, por sua língua e sua moeda. Se assim, o mundo é escravizado pela língua inglesa e pelo Dólar americano. É um sistema de escravidão mental, uma opressão que o mundo julga sendo necessária e benigna. No caso brasileiro, nossa juventude não está sendo educada para pensar, sentir e se comportar como nativos; comem hamburgueres, pizzas, batatas fritas, bebem Coca Cola, ao invés de feijão com arroz e suco de maracujá ou guaraná, vestem-se como americanos, consomem cultura alienígena, matriculam-se voluntariamente em cursos para língua inglesa, não dando-se conta que estão submetidos a uma escravidão mental. Essa escravidão é quase incurável.

A cosmovisão bíblica exige que reconheçamos Deus como único Senhor (Marcos 12:29-31). Em outras palavras, se consentirmos na escravidão, sirvamos ao Senhor. Todavia, a escravidão ao Senhor não retira o alvedrio, ou seja, o juízo, pois não se trata de um cerceamento de volição, mas exige que sirvamos ao Senhor de todo o nosso coração, ou seja, não devemos nos submeter sem assentimento intelectual, de toda a nossa alma, ou com exercício pleno de nossa vontade, de todo nosso entendimento, terá que existir a informação e a sabedoria.

A situação acima é diametralmente oposta à escravidão mental dos sistemas políticos do mundo. Todavia, o serviço a Deus também exige disciplina e interesse pelo próximo, no sentido de enriquecê-lo. Há ordem, sendo declarado que “Vocês não agirão [...] cada um fazendo o que bem entende; mas “tenham o cuidado de obedecer a todos os mandamentos” (Deuteronômio 12:8,28). Toda influência que o Reino de Deus exerce é através do vínculo do amor. Os servos imitam o Senhor em submissão voluntária, sendo a mente unida à do Senhor, ocorrendo assim o processo mais elevado de educação, ou seja, o desenvolvimento físico, mental e espiritual. O progresso que deverá resultar é a educação de jovens e adultos transformando-os em cooperadores de Deus. Neste sentido, não estamos num regime de escravidão coercitiva, mas, num sistema de abnegação onde cada atributo ou dom será utilizado para erguer os semelhantes.

Por outro lado, há um esforço constante no processo civilizatório humano, no sentido de evidenciar ser o serviço ao Senhor uma alucinação, dando crédito ao saber dos homens, à cosmovisão da ciência humana, a qual explica que a natureza é obra do acaso ou procedente de causas naturais. Todavia, os estudos científicos não passam de interpretações, logo suposições, sendo muito estranho que os homens confiem avidamente em suposições ao invés de aceitarem o relato dado por Deus, ao qual o apóstolo Paulo adiciona que “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (II Timóteo 3:16).

As mentes humanas estão submetidas (incluindo a dos cristãos) a um sistema escravizador não perceptível que impõe comportamentos e aprisiona vontades, educando a população para agir contrariamente ao exigido nos princípios da lei de Deus (Amor a Deus e amor ao próximo). O chamado marketing submete os intelectos, influencia incontrolavelmente pessoas ao consumo em relação aos costumes e utensílios, atos desfavoráveis às ordens divinas. O marketing cria um ambiente educacional que escraviza, sem que a população tenha consciência. Além disso, vai conformando a infraestrutura da cidadania, de maneira que todos os cidadãos sejam forçados a usar tal infraestrutura, concebendo ser indispensável para uma vida com qualidade. Nada é mais prosaico do que passear no shopping, onde há suposta segurança, além de ser conveniente, mas é uma armadilha mental favorável ao desenfreado consumo. Se a abnegação e a preocupação com o crescimento do próximo são o alvo da educação no reino de Deus, o consumo carregado no hedonismo, é o auge do comando escravagista no reino do inimigo de Deus.

Todas as ordenações jurídicas que facilitem o crescimento comercial carregam o princípio do hedonismo em sua face mais injusta e cruel. Injusta porque nem todos podem consumir, e cruel porque o consumo vicia; é parte da estratégia do inimigo das nossas almas para aprisionar nossa liberdade. Se a busca pela felicidade reside no ter, quando tivermos tudo, como faremos para ser felizes? O consumismo nos afoga em objetos, nos aprisiona num sentimento que propõe não poder viver sem os objetos, nos afasta completamente do amor a Deus e ao semelhante, portanto, nos afasta de Deus.

 Em Mateus 24:24, Jesus adverte que falsos mestres com mentes prodigiosas enganariam e, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Obviamente, o texto não está falando apenas de teologia. A luta entre o bem e o mal dá-se num nível de altíssima cognição. As estratégias são muitíssimas e sofisticadas e as mentes humanas são como presas inocentes. Há milhares de obras escritas por autores respeitados, indicando o caminho da felicidade no poder, no aplauso e no consumo. Para os cristãos, a Bíblia recomenda que a imparcialidade moral somente pode acontecer no ambiente da Lei de Deus. Há caminhos que ao homem parecem direitos, mas ao cabo dá em caminhos de morte (Provérbio 14:12). Para resistir o ambiente do marketing os homens terão que estar influenciados pela áurea corrente da amorosa obediência. Devem curvar-se em submissão à vontade de Deus para saírem do reino hedônico deste mudo e se tornarem filhos de Deus.

 A pandemia nos está mostrando o oculto sistema escravagista do marketing operando de forma muito forte. Uma das demonstrações está sendo exibida no comportamento dos consumidores de viagens aéreas. Uma vez que há um déficit de voos as companhias aéreas começaram a oferecer viagens para lugar nenhum. Na verdade, são voos panorâmicos com duração de uma hora ou um pouco mais, que decolam e aterrissam no mesmo aeroporto. As reportagens sobre o assunto têm mostrado a face hedônica dos clientes quando afirmam que se tornaram felizes por poderem ter os tickets de embarque, sentir o cheiro do avião, comer a comida servida a bordo, desembarcarem tendo os amigos esperando. Pura sensação de que por consumirem um sobrevoo adquiriram felicidade. Um equívoco não inteligente, mentes aprisionadas pelo consumismo, escravas do marketing. Esse tipo de personalidade muito provavelmente não responderia a um chamado para ajudar com recursos o enriquecimento de alguém degradado pela “essencial” filosofia do hedonismo.

A lei de Deus é o antídoto a essa situação. Ela é a regra moral que funciona como o antibiótico às ideias humanas de bem estar.

Felicidade tem sido assunto de pesquisa em alguns trabalhos científicos (Sonja Lyubomirsky – Universidade da California, USA; Stephen Post – Case Western Reserve University, USA; Neal Krause – Universidade do Michigan, USA; por exemplo) que concluíram que felicidade é encontrada no suporte a outras pessoas, ajuda social efetiva, que trazem sentimento de exultação ou contentamento, o que torna o ser humano mais forte e com mais energia. Assim, felicidade está ligada ao fortalecimento de nossas conexões sociais, nossas relações com nossa família e nossos amigos, ou seja, pessoas felizes têm melhores relações, tendem a ser boas companhias, têm um amplo círculo de amigos, amam se relacionar e dar amor e suporte social. Relações sociais, mais do que dinheiro, ou fama, são o que mantém pessoas felizes através de suas vidas.

O sábio Salomão chegou à conclusão que adquirir não satisfaz: “Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Eclesiastes 2:4-8,11).

O sábado é, entre outros significados, uma estratégia poderosa para felicidade, uma vez que é dedicado a efetuação de coisas que têm um valor, mas não um preço. É o dia supremamente contrário ao marketing. Não podemos comprar e nem vender. Não podemos trabalhar e nem pagar outros para trabalharem por nós. É um dia quando celebramos relacionamentos. Pais abençoam suas famílias. Tomamos tempo para ter uma refeição com a família e, às vezes, convidamos amigos. Na igreja renovamos nosso senso de comunidade. Pessoas compartilham suas alegrias com outras. Os enlutados encontram conforto para suas dores. Estudamos a Bíblia juntos e cantamos os mesmos hinos, lembrando-nos da história da qual fazemos parte. Oramos juntos, agradecendo a Deus por nossas bençãos. O sábado é uma instituição transformativa, convertemos o trabalho em celebração do espírito humano; um dia de gratidão, quando descansamos da lida semanal e encontramos refúgio num oásis de repouso. Finalmente, o Rabino Jonathan Sacks afirma, em seu livro Morality que: “o sábado é a estratégia divina que coloca limite no marketing e sua escravidão mental. Valores como lealdade que não são sacrificados para buscar o lucro; aspectos de felicidade que derivam não do que compramos ou ganhamos ou possuímos, mas, do que contribuímos para a vida de outrem; gratidão pelo que temos em vez de anseio pelo que não temos. Os valores do marketing não são os únicos que contam. Há outros necessários para felicidade pessoal e a beatitude coletiva que constitui uma boa sociedade. Casamento não é uma transação. A paternidade não é uma forma de propriedade. Universidades não são maquinas de venda intelectual. A saúde é distinta dos cuidados com a riqueza. A política não deve ser uma forma de poder à venda”.

domingo, 18 de outubro de 2020

Uma descrição do forte relacionamento entre Deus e o seu povo

 

Deus não permite que um de Seus devotados obreiros seja abandonado, a lutar sozinho contra forças superiores, e que seja vencido. Preserva, como jóia preciosa, todo aquele cuja vida está escondida com Cristo nEle. De cada um destes diz: Eu “te farei como um anel de selar; porque te escolhi.” Ageu 2:23. (Ciência do Bom Viver, 488).

O parágrafo acima faz uma descrição do forte relacionamento entre Deus e o seu povo. O momento mais enfático expressa que Deus “preserva, como joia preciosa todo aquele cuja vida está escondida com Cristo nEle”. A vida escondida em Cristo é aquela que busca com honestidade copiar o comportamento de nosso Mestre.

Em muitos momentos, o grupo vocal AmaDeus (GAD), que realizou por quase três décadas um trabalho de beneficência altruísta na cidade de Manaus e área metropolitana, pode sentir o cuidado que os Céus dispensam aos que estão dedicados ao enriquecimento de vidas.

Um desses momentos ocorreu em 2017. Na agenda do GAD estava marcada uma apresentação no da igreja Adventista do Parque Dez, um bairro de classe média. A referida apresentação seria num domingo à noite. O GAD tinha horário de ensaio aos sábados à noite. Nesses momentos de treino vocal, também eram treinados do ponto de vista espiritual. Todos estavam cientes de que a música era empregada como um catalisador das atenções para as ações meritórias e missionárias que sempre eram realizadas. Pessoas eram atendidas e seus problemas, quase sempre de saúde ou financeiros, eram vistos e sentidos. Como consequência, buscava-se, com oração e ação, resolvê-los. A energia empregada pelos membros do GAD resultava em bençãos a muitos irmãos necessitados.

Naquele final de semana, o GAD empenhou-se com prazer nos ensaios visando a apresentação e, depois do ensaio da véspera, alguns dos participantes resolveram ir até uma lanchonete para compartilhamento social e lanche. Juntamente com o grupo de amigos estava também o regente do GAD. Nesta noite, a lanchonete estava muito concorrida, obrigando que os carros ficassem estacionados não imediatamente próximos à lanchonete. Assim, o carro do regente ficou ao lado de um terreno ainda desocupado e, por essa razão, o local não era bem iluminado. Quando o regente voltou para retomar o carro, notou que o mesmo havia sido violado e o vidro traseiro direito estava quebrado, tendo sido roubada a pasta com todas as partituras originais correspondentes à próxima apresentação.

Aquele assalto provocara muita insegurança. Poderia prejudicar a apresentação por causa da ausência das partituras. Poder-se-ia fazer cópias das partituras, mas, como era um domingo, seria muito difícil. Assim, os membros do GAD oraram a Deus para que ajudasse sobre aquele problema. Especialmente o regente ficou preocupado, mas, tinha em memória a maioria das músicas. Todavia, os Céus estavam olhando, uma vez que “os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios !5:3).

O domingo passou com as suas inquietações, e logo o GAD se dirigiu ao templo da Igreja Adventista do Parque Dez. Às 17 horas todos já estavam apostos para o aquecimento vocal e últimos arranjos para a apresentação que teria início às 18:30 horas. O repertório para aquela ocasião estava sendo repassado quando um dos coristas avisou ao regente que alguém havia encontrado a pasta com todas as partituras. Assim, alguém estava esperando para entregar a pasta e, ao encontrar o regente conferiu-lhe o nome. Muito estranhamente a pessoa chamou o regente pelo título, arguindo se era o Doutor fulano. Sim, sou eu respondeu o regente. Então, a pessoa o levou até uma pequena lanchonete ao lado do templo e informou que a pasta havia sido deixada lá. O regente perguntou quem havia encontrado a pasta, mas a pessoa não tinha como explicar, pois, segunda sua narrativa, a pasta havia sido deixada lá antes de a lanchonete abrir naquele domingo. Logo, não havia visto que a deixara. O regente conferiu o conteúdo da pasta e, para sua surpresa, todas as partituras estavam lá. Como a pessoa que entregara a pasta não tivera contato com quem a deixou, o regente ficou surpreso porque o mensageiro que entregou a pasta sabia o seu nome. Perguntou como soubera o nome? A pessoa disse que lera a identificação num papel que encontrara na pasta. O regente agradeceu e voltou para o templo muito surpreso, emocionado, pois em sua mente sabia que um milagre havia acontecido. O local onde ocorrera o assalto ao veículo era um pouco distante da sede do templo, como a pasta havia sido deixada ali ao lado?

O regente tornou a remover o conteúdo da pasta intentando encontrar o papel com a identificação, segundo a informação da pessoa que a entregou, mas, não achou nenhum papel com qualquer tipo de identificação. Então, como a pessoa sabia seu nome e seu título?

O fato é no mínimo inusitado. Ladrões, quando compreendem que o produto do roubo é desinteressante, não deixam o que não poderá ser utilizado em lanchonetes, jogam fora para que não sejam ligados ao roubo. Não poderia ter sido um comportamento normal o ladrão ter levado a pasta justamente para perto do templo onde o GAD iria realizar uma apresentação. Logo, Deus tinha interesse no trabalho daquele grupo, por essa razão, operou sobre o ladrão e o fez agir de forma muito incomum.

Naquela noite, o templo esteve repleto de membros e visitas. No final da apresentação, o regente narrou aquele milagre para os ouvintes, sendo um motivo para mais louvores ao Deus do céu, quem jamais deixa sozinhos os seus filhos.

Nossa ideia sobre a presença de Deus em nossa atividade é muito tosca e limitada. Pensamos que nosso dia a dia é de nossa responsabilidade e que fatos como o acima narrado passam sem que o vigia santo perceba. Porém, não é assim que o interesse do céu incide. Dia e noite, anjos velam sobre os filhos de Deus. Se fossem abertos nossos olhos veríamos como a luta entre o bem e o mal acontece. Naquela noite, Deus mostrou seu interesse pessoal sobre o trabalho realizado pelo GAD e sempre estará presente no dia a dia daqueles que guardam a sua lei.

domingo, 4 de outubro de 2020

Virtudes cardinais

 

Na sua segunda carta (2 Pe.1:5-7) o apóstolo Pedro apresenta perante os crentes a escada do progresso: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade”.

O item mais fundamental em nosso relacionamento interpessoal é a fé, pois sem confiança não há amizade. Isto é absolutamente verdadeiro em nosso relacionamento com Deus. Fé é uma confiança de coração e mente em Deus e seus propósitos que nos leva a agir em acordo com sua soberana vontade. Tal fé não está baseada em obediência cega, não inteligente, mas na crença ancorada na confiança suprema, na habilidade e integridade de Deus. Essa qualidade de fé é o pré-requisito para qualquer aproximação a Deus.

A fé não pode ser passiva, mas é manifestada em obras. Assim, todo cristão começa sua trajetória crendo em Jesus Cristo, o seu salvador, sendo Ele o modelo que o levará a sair da degradação moral na qual o mundo mergulhou a humanidade (Fil.3:9).

Na razão direta da observação do modelo são reveladas as virtudes de Cristo Jesus, mas também vão sendo desvelados os deméritos e defeitos do proceder humano e, como consequência, naquele que imita o modelo vai crescendo a vontade de possuir as virtudes do padrão. Começa, então, um exame pessoal buscando a excelência moral. Dá-se início ao enriquecimento íntimo do crente (1Cor.1:5) administrado por ação do Santo Espírito (1Cor.12:8). Tal enriquecimento vai além do conhecimento intelectual, o qual é o fundamento da fé; passa-se a entender os fatos básicos relativos à existência de Deus e ao plano da redenção (SDA Bible Commentary, v.6, p.729).

Logo, a cópia do modelo tornará evidente que se deve levar uma vida de sobriedade, ou seja, temperança, sem a qual não será possível manter o controle sobre as paixões carnais; o controle da razão prevalecendo sobre os impulsos, significando a regência da lei de Deus. Um diligente esforço auxiliado pelo Santo Espírito no sentido da temperança, produzirá paciência, significando resistência constante, na expectativa confiante de algum fim desejado, a despeito das dificuldades, desencorajamentos, desapontamentos circunstanciais e até mesmo eventuais sofrimentos. A entrada no reino de glória vindouro envolve longos períodos de espera, logo, paciência deve ser adquirida como virtude cardinal (Heb. 10:36).

A essa altura do desenvolvimento cristão a piedade ou reverência para com Deus irá prevenir o cristão de tornar-se como os fariseus, fundamentalistas que buscavam a salvação por obras. A piedade manterá a humildade ou submissão a Deus, sem a qual se dará mais atenção às tradições e não às ordens divinas. Como resultado da obediência virá o amor fraternal, virtude que completa ou preenche os requisitos da lei de Deus. Para a igreja cristã rodeada de paganismo e idolatria, rodeada pelo sistema mundano do individualismo, o genuíno amor fraternal é a sua grande necessidade. A falta de simpatia deve ser ultrapassada por um espírito de lealdade, generosidade e amor fraternal, ambiente onde as contribuições liberais tornam possível a tranquila consciência do dever cumprido. “Tendo recebido a fé do evangelho, o trabalho do crente é acrescentar virtude ao seu caráter, e assim purificar o coração e preparar a mente para a recepção do conhecimento de Deus. Esse conhecimento é a base de toda educação e serviço verdadeiros” (Atos dos Apóstolos, 279).

As virtudes listadas pelo apóstolo Pedro são a consecução abrangente da lei. A questão que se está mirando é o juízo final que está em andamento. Aqueles que desejam a justificação pela fé deverão entender e buscar as virtudes acima, porque a soma delas representa a guarda da lei. A pergunta que salta é: estariam as igrejas cristãs realizando um processo educacional que permite aos crentes alcançar o topo da escada de Pedro? As crianças e os jovens, no ambiente das igrejas cristãs estariam recebendo educação suficiente para garantir a evolução requerida pelo Céu?

domingo, 20 de setembro de 2020

Adorai aquele que fez

 


A primeira mensagem angélica (Apocalipse 14:6-7) é um aviso imperativo que deve ser ouvido, atendido e transmitido. O texto diz: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.

Esta mensagem é taxativamente mandatária. Ninguém deve olvidá-la ou deixar de dar-lhe atenção. Há perigo agudo em assim fazer. A mensagem começa com um anjo voando pelo meio do céu. Anjos são símbolos de mensagens ou mensageiros; aqui refere-se à igreja nos últimos dias ou aos homens santos engajados na tarefa de proclamar o evangelho eterno no tempo quando o julgamento é chegado. Voando pelo meio do céu indica insofismável ação mundial na pregação do evangelho eterno, o qual deverá ser ouvido por todos os homens. Há unicamente um evangelho, o da graça de Deus. É o único evangelho a salvar os homens; eterno porque deve durar enquanto houver homens para salvar.

Temer a Deus implica em servi-lo, obedecê-lo, reverenciá-lo, honrá-lo, o tipo de adoração que marca de forma apropriada o relacionamento singular com o Deus Criador (Não terás outros deuses diante de mim Ex.20:1-3). Estrito monoteísmo caracteriza a adoração daqueles que honram ao verdadeiro Deus, o Criador dos céus e da Terra. Além disso, considerando o fato de que Deus é espírito (João 4:24) homens são proibidos de adorá-lo através de representações materiais.

O perigo anunciado e que torna apropriado o aviso é que chegou a hora do juízo. Mas, o aviso de que é chegado implica em que o dia da salvação ainda não terminou, ou seja, ainda há tempo para arrependimentos, para tornar-se a Deus e escapar da ira vindoura.

Logo, há uma ratificação da primeira parte do aviso: E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. É inevitável ver que o aviso nos manda adorar aquele que fez. E o que ele fez? O céu, a terra, o mar e as fontes das águas. Está-nos informando que a adoração será melhor performada se prestarmos atenção nas suas obras, especialmente nas suas grandes obras. Nelas, vamos encontrar o significado, a razão para adorá-lo, ou servi-lo, ou obedecê-lo.

Vamos, então, começar observando o céu. O criador do universo é o único verdadeiro objeto da adoração. A criação é uma característica distinta do verdadeiro Deus em contraste com os falsos deuses (Jer. 10:11-12). Isto é oportuno em virtude da rápida expansão da teoria da evolução. Além disso, o chamado para adorar o Deus criador dos céus implica na observância do sábado do sétimo dia, num sinal do trabalho criativo de Deus.

Podemos encontrar no céu sinais do caráter de Deus e, ao observá-lo, podemos estudar sobre Deus e sua maneira de ser. Considerando que Jesus voltará “quando o caráter de Cristo (Messias) se reproduzir em seu povo, então virá reclamá-los como seus”(Eventos Finais,p.39), então, encontrar referências sobre o caráter de Deus é prudente. Assim, vejamos apenas alguns exemplos celestes: O Sol, nossa estrela central ao sistema solar, ininterruptamente aquece a superfície da Terra enchendo de energia viva as plantas que fabricam os alimentos que mantém a vida animal. A função dessa estrela é doar energia, mantendo o equilíbrio do sistema planetário.

O sistema solar não é mais entendido como a justaposição de vários planetas orbitando em trajetórias particulares, capturados pela gravidade solar. Mas, é agora entendido como um sistema vivo e inteligente, agudamente ajustado para manter a vida na Terra. Nossa Terra é a biosfera adequada para o desenvolvimento de uma forma de vida inteligente. O sistema solar apresenta um processo de fertilização, por cometas e outros objetos, à medida que se cruzam e interagem com o núcleo interno: Vênus, Terra, Marte. Vênus protege de emissões solares perigosas, enquanto Marte protege de corpos danosos tais como pedras de gelo e meteoros. O sistema apoia o desenvolvimento de organismos vivos e também apoia o desenvolvimento de seres inteligentes. Além disso, o sistema protege o núcleo interno de grandes objetos perigosos. Os materiais fertilizantes são provavelmente armazenados no "freezer" da nuvem de Oort (uma camada gigantesca de gelo entre Marte e Jupter), e cuidadosamente montados e despachados, sob encomenda. O gelo enviado da nuvem de Oort é examinado por Jupter que monta guarda para proteger o núcleo interno do sistema. Assim, Jupter cuida da vida na Terra utilizando a sua enorme gravidade para que nenhum cometa gigante ameace a vida na Terra. Mas o papel de Júpiter não é apenas o de Guardião. Ele também é um educador rigoroso. Júpiter envia asteróides não perigosos no caminho do núcleo interno, materiais importantes para enriquecer a biosfera. Uma grande quantidade de material está cruzando a interface entre a Terra e o Cosmos. A visão acima, do Sistema Solar, é algo como uma nova Revolução Copernicana. De repente, estamos transcendendo a visão estreita e míope de muitos ecologistas, que são apenas capazes de pensar sobre a terra como um organismo vivo (Gaia), mas não podem ver além de seus limites. Pensar no Sistema Solar como um organismo vivo amplia nosso horizonte sem a necessidade de explicações complexas. Esta nova cosmologia está proposta por A. Autino – Moncrivello (2008) em Inner Circle of Technologies of the Frontier / Space Future, in the frame of the preparatory works for the Space Renaissance Foundation.

Os exemplos acima mostram o âmago do caráter amoroso de Deus e seu sistema cooperativo. Logo, olhar o céu deverá nos trazer úteis informações sobre o procedimento de Deus.

Agora, olhemos um pouco a Terra. Na Litosfera, camada exterior sólida da superfície da Terra, que inclui a crosta e a parte superior do manto terrestre, encontramos muitíssimas evidências demonstradoras o caráter de Deus. Em certa ocasião, fui convidado para integrar uma missão diplomática brasileira para negociar acordos no âmbito da ciência e tecnologia com o Peru. O voo de retorno fez o percurso Lima-São Paulo e, nessa rota passamos por sobre a cordilheira dos Andes. Foram três horas e meia de voo entre 09:00 e 13:00 horas, num dia muito claro e quase sem nuvens. Pude então observar a cordilheira com seus picos nevados e sua extensa população humana. Não fazia ideia de como existem inúmeras populações humanas morando nos altos vales andinos. Sabemos que nosso bom Deus elevou os Andes como resultado do encontro de duas placas tectônicas: a placa de Nazca e a própria placa Sul-americana. Tal encontro permitiu a formação de muitos vulcões que produzem magma que fertiliza os Andes. Os nutrientes assim trazidos às montanhas são lixiviados de muitas maneiras para o vale amazônico, sendo que naquele dia o voo me permitiu ver como que rios secos de sedimentos rolando as encostas em direção ao vale. Tais sedimentos fertilizam os rios amazônicos que, por sua vez, carregam as substâncias até as florestas enriquecendo o solo, provocando uma explosão de frutos e matéria orgânica. Este é apenas um aspecto do caráter de Deus visível nos Andes. Mas, se olharmos os vários ciclos naturais tais como o ciclo do Carbono, os vários ciclos minerais, veremos um enorme complexo de cooperação que espelha o caráter do criador.

Em Salmos 8:1 encontramos o salmista admirado em perceber “[...] quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!”. Em Salmos 57:5 novamente é percebida a presença do caráter de Deus: “Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua glória sobre toda a terra”.

Há uma ênfase sobre o mar no texto da primeira mensagem angélica. O que podemos descobrir ali sobre o caráter de Deus? O que o mar nos ensina sobre a pessoa do verdadeiro Deus?

Os oceanos compartilham águas utilizando o que conhecemos como correntes marítimas. Estas, percorrem os continentes levando sedimentos e resfriando ou aquecendo as águas, fato refletido no clima de cada continente. As correntes marítimas provocam o enriquecimento das águas oceânicas porque viajam milhares de quilômetros. Elas transportam consigo umidade e calor interferindo também na vida marinha e, consequentemente, tendo influência direta no equilíbrio dos oceanos e mares. Têm sua origem na circulação dos ventos na superfície e pelo movimento de rotação da Terra.

Outro exemplo marcante do caráter de Deus na criação dos mares pode ser visto no leviatã. Esta é uma palavra hebraica que indica criatura marinha como tendo grandes proporções. Logo, a baleia é um leviatã. Estes mamíferos aquáticos são impressionantes. Entre seus muitos papéis, as baleias reciclam nutrientes e aumentam a produtividade primária, ou seja, adubam as águas nas áreas onde se alimentam. Quando alimentando-se em profundidade e liberando plumas fecais perto da superfície, estes mamíferos ajudam o crescimento do chamado fitoplâncton, algas responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo. Essas nuvens maciças de excremento fornecem um grande impulso de ferro e nitrogênio às águas, e como as toneladas de dejetos de baleia são principalmente líquidos, toneladas de nutrientes são expelidas e propensas a permanecer em suspensão, sendo fartamente aproveitado pelo fitoplâncton. Se essas algas produzem oxigênio, podemos concluir que às baleias o criador incumbiu de manter parte do equilíbrio climático.

Nestes dois exemplos acima encontramos a digital de um Deus que impôs a sua imagem e o seu caráter cooperativo e doador na natureza marinha.

As fontes das águas são um item da natureza criada que representa intuitivamente o caráter do criador. Podemos traduzir, se quisermos, como as águas contidas nos lençóis freáticos. reservatórios de água presentes nas partes subterrâneas da Terra, os quais variam de 500 a 1000 metros de profundidade, são rios ou até baías subterrâneas. Dessa maneira, uma parte da água da chuva escoa na superfície, enquanto outra parte se infiltra nos solos formado, assim, os lençóis freáticos. Esse manancial de águas doces forma os riachos (igarapés), os riachos formam rios secundários e estes formam os rios caudalosos que desaguam nos oceanos. Os rios em suas múltiplas escalas, são as veias que carregam nutrientes para superfície da terra; por onde passam, deixam atrás de si um rastro de fertilidade e verdor, ato que auxilia na manutenção da vida vegetal e animal. O aquecimento da superfície aquática, quer dos rios quer dos mares forma o vapor de água que sobe para formar as nuvens e, consequentemente, a chuva. Toda água evaporada condensa e se precipita. No caso da costa Amazônica, o vapor que forma as nuvens é impelido pelos ventos fazendo a irrigação de todo oeste amazônico, sendo que a cordilheira dos Andes forma uma parede que obriga as nuvens a desviarem seu curso para o sudeste brasileiro, abençoando a região com umidade. Este corredor de nuvens carregadas com vapor tem sido denominado de rios voadores. Parte das nuvens pode alcançar distâncias inesperadas, indo até a Austrália.

Toda água que desce das nuvens torna a subir para volver à Terra, num ciclo ininterrupto de recebimento e doação. Em ciclos semelhantes, naturais, é demonstrado o caráter do criador. Doar e receber.

Antes da entrada do pecado, Adão e Eva no Éden, estavam circundados por uma bela e resplandecente luz — a luz de Deus. Essa luz iluminava tudo de que eles se aproximavam. Nada havia que lhes obscurecesse a percepção do caráter ou das obras de Deus. Quando, porém, cederam ao tentador, a luz se retirou deles. Perdendo as vestes da santidade, perderam a luz que havia iluminado a natureza. Não mais a podiam ler direito. Não podiam discernir o caráter de Deus em Suas obras. Assim hoje, o homem não pode por si mesmo ler devidamente o ensino da natureza. A menos que seja guiado por sabedoria divina, exalta-a e a suas leis acima do Deus que a criou. É por isso que as ideias meramente humanas quanto à ciência tantas vezes contradizem o ensino da Palavra de Deus. Mas, para os que recebem a luz da vida de Cristo, a natureza novamente se ilumina. Na luz que se irradia da cruz, podemos interpretar devidamente o ensino da natureza (Ciência do Bom Viver,p.205). Pelas razões acima, o anjo do capítulo 14 de Apocalipse chama atenção para a natureza quando adverte que é chagado o juízo, e que a maneira correta para enfrentar o juízo é estudar o caráter do criador para copiá-lo. Tal atitude favorecerá a justificação, sem a qual seremos condenados.

Terminamos reiterando a mensagem angélica de Apocalipse 14. Nenhum deus da imaginação humana tem impresso na natureza o seu caráter. Todos eles são de natureza egocêntrica, logo, os entes da natureza não os representam. Assim, não há outro Deus a quem devamos adorar, a não ser aquele que fez o céu, a terra, o mar, e as fontes das águas.

 

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Ainda nos falta uma coisa

 


Nossa mais venerada e magnificente esperança é, um dia, não muito no futuro, receber o dom da vida eterna. Aliás, essa é a procura mais persistente em todas as almas humanas. O homem não foi criado para morrer, assim, a ideia de vida longa é a mais grata e querida esperança de quem nasceu.

As religiões prometem vida eterna, quer seja por reencarnações infindáveis, quer por mérito pessoal, ou através de um salvador. Mas, de qualquer forma, essa noção vem com a humanidade desde sempre.

A justa causa dessa esperança, no trivial da concepção humana, é poder vencer tudo que faz cessar a atividade de uma pessoa, dando-lhe possibilidade de respirar, falar, andar, pensar, realizar, sem o vislumbre de ter que cessar tudo mais a frente. Todavia, na Bíblia, a vida não é a possibilidade do movimento perpétuo, e sim a virtude de poder interagir com os semelhantes enriquecendo a experiencia de outrem. Logo, vida eterna é a possibilidade ininterrupta de interagir infindavelmente, sempre buscando melhorar a existência de outros seres. O fundamento desta visão de vida está no próprio sistema divino da cooperação. Qualquer ente que trave o referido sistema terá que desimpedir a rede de cooperação, ou seja, sair de circulação, a morte. Segundo a Bíblia, toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição (Hebreus 2:2), além disso, o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Lembrando que pecado é cobiça, fato que contraria o sistema de cooperação.

Em Mateus 19:16 encontramos um relato muito elucidativo dessa esperança de vida eterna. “E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?”. Trata-se de um príncipe que ocupava posições na hierarquia judaica e tinha grandes haveres. O príncipe havia assistido a demonstração de amor manifestada por Jesus às crianças e, o coração do príncipe enchera-se de desejo de ser discípulo do grande Mestre.

O príncipe tinha a si mesmo em grande conta por supor ser justo e, nessa condição, não pensava que lhe faltasse nada, considerando-se apto para receber as bençãos. Na verdade, ainda sentia que havia uma necessidade difusa em sua alma. Jesus lhe informou que havia a necessidade da guardar os mandamentos, pré requisito para a vida eterna, ao que o príncipe respondeu que guardava a lei desde a mocidade. Todavia, Jesus sondou-lhe o caráter ansiando dar-lhe a paz que buscava e disse-lhe: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”.

Seguir a Cristo significa bem mais do que estar em uma religião, ainda que seja a verdadeira. É necessário mudança no sentido de abandonar o que é mundano. Mas, quais coisas são mundanas? Em Marcos 10:21 está relatado que “Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa”. Cristo apresentou ao príncipe os únicos termos que poderiam colocá-lo em condições de aperfeiçoar o caráter; aceitá-las e obedecer era a única esperança de salvação. Sua elevada posição e suas muitas posses o estavam influenciando para o mal. Se continuasse a acariciar esses dons, suplantariam a Deus, diminuindo-lhe a força moral, uma vez que posição e riquezas são sonhos mundanos. Se as coisas desse mundo são nutridas na alma, tornar-se-ão cruéis feitores. Infelizmente o príncipe, embora apto a discernir o que Jesus dissera, ficou triste. Preferiu abrir mão da santidade que lhe fora oferecida pelo próprio Deus. Tivera o privilégio de tornar-se um filho de Deus, mas, não quis tomar a sua cruz e seguir na vereda da abnegação. Renunciou à vida eterna.

Em Mateus 25:1-13 há uma explicação ainda mais didática sobre o que nos falta. Dez virgens esperavam um noivo com lâmpadas acesas. A demora as fez dormir e, quando o aviso da vinda do noivo penetrou o silêncio da noite, cinco delas se deram conta de que estavam sem azeite para acender suas lâmpadas. Sabemos que o azeite é o Espírito Santo. Mas, como contextualizar o que acontecera?

Em Apocalipse 2:4-5, o anjo da igreja que está em Éfeso avisa: “tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”. Aqui vemos que há uma advertência lembrando que Éfeso, a primeira igreja, deveria retrover onde havia caído e arrepender-se. Então, onde foi que Éfeso caiu?

Éfeso, quanto ao seu comportamento, está descrita em Atos 2: 42-47: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

Ora, se o comportamento ou o caráter dos crentes em Éfeso era a comunhão, no partir do pão e nas orações, ou seja, havia preocupação com as obras de misericórdia, e se o anjo do capítulo 2 de Apocalipse recomenda que Éfeso deveria retrover seu comportamento para arrepender-se, de modo que não fosse retirado o castiçal (lâmpada), então, o que faltou às cinco virgens foram as obras de misericórdia; o resultado da ação do Espírito Santo. Na primeira carta de João (I João 1:6-7) lemos: “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros [...]”. Como pode-se facilmente entender, a falta de azeite e, consequente extinção da luz é ausência de atos de misericórdia produzidos pelo conhecimento ou graça de Jesus, ministrada pelo Santo Espírito.

A Entrega do próprio eu é a essência dos ensinos bíblicos. É por vezes apresentada em linguagem autoritária porque não há outro modo de salvar os homens senão cortando fora as coisas que, mantidas, envilecerão todo o ser.

Voltemos à vida eterna. Jesus conta outra parábola no capítulo 25 de Mateus (Mateus 25:14-30) relatando o comportamento de três servos que receberam talentos. Dois multiplicaram os talentos, um, porém, enterrou o único que havia recebido. Há dois conceitos importantes: multiplicar e enterrar.

O multiplicar está explicado no livro Parábolas de Jesus (p.190), onde Ellen White afirma que por todo sacrifício sincero no serviço do Mestre, nossas faculdades aumentarão. O desenvolvimento de todas as nossas faculdades é a primeira obrigação que devemos a Deus e a nossos semelhantes. Nunca devemos abaixar a norma de justiça com o fim de acomodar à prática do mal, tendências herdadas ou cultivadas. Requer o Senhor de todo cristão crescimento em eficiência e capacidade em todo ramo. Quanto mais procurar comunicar luz, mais luz receberá. Olhando para Cristo adquirimos visão mais brilhante e distinta de Deus, e pela contemplação somos transformados. A benignidade e o amor para com nossos semelhantes tornam-se um instinto natural. Desenvolvemos caráter que é uma cópia do divino. Crescendo à Sua semelhança, ampliamos nossa capacidade de conhecer a Deus. Mais e mais entramos em comunhão com o mundo celeste, e temos poder incessantemente crescente de receber as riquezas do conhecimento e sabedoria da eternidade.

Pelo acima exposto podemos definir o enterrar como sendo justamente o oposto do acima; a conformidade com o mundo. Se a comunhão com os semelhantes é luz, o servo que enterrou o talento não procurou desenvolvê-lo retirando o talento da rede de cooperação divina, proibindo outros de serem abençoados. A situação do mau servo é a mesma das cinco virgens sem óleo, não acumularam tesouros no céu depositando obras de misericórdia.

Em Tiago 2:8 encontramos o que segue: “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis”. O verso 13 do mesmo capítulo afirma: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo”.

As igrejas cristãs apresentam aos fiéis um evangelho místico, onde os crentes ajuízam que os ritos são todo suficientes para assegurar vitória no juízo. No entanto o apóstolo Tiago adverte: “Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”.

domingo, 9 de agosto de 2020

Pais são juízes e sacerdotes


Os pais, a parte masculina de um matrimônio, são, em condições normais de temperatura e pressão, juízes e sacerdotes com funções muito específicas no ambiente do lar. Um juiz tem a função de aplicar a justiça, equilibrar assimetrias, consertar iniquidades. Também é papel do juiz esclarecer sobre a lei e os direitos e deveres, ser o guardião e o baluarte da doutrina moral, papel crucial para a manutenção de uma sociedade sadia. Já ao sacerdote cabe a função de ensinar, educar, elevar o senso de cidadania, preservar a prática de bons procedimentos que desenvolvam senso moral superior, mostrar a noção exata do relacionamento com a espiritualidade (prática do bem, amor a Deus e ao próximo).

Faz exatamente oito anos que meu pai nos deixou. Porém, a sua presença é sentida porque ele plasmou a sua alma na minha alma. Na condição de juiz, foi um grande incentivador da justiça. A lembrança mais remota que tenho do meu pai era a sua preocupação em ser justo com os filhos. Sempre trazia um presente ao regressar de uma viagem. Com esse gesto parecia compensar a sua ausência, mas, fazia-nos acreditar que éramos parte do seu mundo. Era sempre um ato de justiça para conosco, por sermos a sua alegria ele nos alegrava. Jamais vi meu pai discordar das medidas corretivas aplicadas pela minha mãe. Também, nunca o vi dar uma contra ordem a qualquer decisão doméstica assumida por minha mãe, quer fosse em relação à administração da casa, quer fosse em relação à educação dos filhos. Na verdade, jamais presenciei uma discussão dos meus pais, nenhuma querela ou discordância. É claro que houve momentos de desacordo, mas, jamais na presença dos filhos. Havia um juiz em nossa casa que esclarecia a doutrina moral, com maior evidência, através do exemplo.

Na função de juiz, fixava em nós princípios morais indispensáveis, especialmente o da cooperação. Por exemplo, sempre na sexta feira, meu pai engraxava os sapatos de todos. Ele gostava de sapados limpos e polidos e, a mim especialmente, chamava para acompanhar aquele ritual de cooperação. Por seu exemplo, aprendi a cuidar dos calçados. Também me incentivava a lavar o carro na sexta feira, para que no sábado, todos pudessem ser transportados sem dificuldades higiênicas. Era um serviço justo, porém, uma aula semanal sobre o cuidado com o patrimônio familiar. Por outro lado, sempre tínhamos roupas elegantes e limpas para vestir, um ato justiça para com os filhos. Meu pai era muito exigente consigo em relação às roupas, e assim o era com o guarda roupa dos filhos.

Na função de Pastor, levava-me para assistir seu trabalho social aos membros da sua paróquia. Quando distribuía roupas e alimentos arrecadados de muitas fontes, os distribuía, sempre aos domingos, reunindo a todos, desde os mais necessitados até os que não eram carentes, estes o ajudavam na distribuição; eu assistia tudo na condição de aprendiz da justiça.

Em casa, minha mãe sempre nos ensinou respeitar o nosso pai com gestos muito educativos. Jamais era servido o almoço, para qualquer pessoa morando em nossa casa, antes da chegada do nosso pai, uma clara demonstração de respeito e justiça com o chefe e o provedor. Também, à mesa, a primeira porção era do meu pai, lições de reverência e mais valia ensinadas sem palavras, onde a hierarquia era demonstrada.

Um fato que marcou minha experiência na infância foi a construção de nossa casa. Meu pai fez um esforço gigantesco para construí-la. Via a sua resiliência no enfrentamento das condições econômicas de um Pastor, o quanto confiava na providência de Deus, e como prosseguia sem saber se concluiria. O resultado foi que tínhamos um teto confortável e digno, o qual permitia uma sensação de segurança familiar e na liderança do patriarca. Meu pai entendia ser justo que nossa família tivesse abrigo sem as oscilações de um teto alugado. Aquela fora uma lição importante para mim, logo que pude comprei uma casa também.

Na condição de sacerdote, meu pai foi insuperável. Ele era um erudito que sempre demonstrou por palavras e atos que a educação é o caminho para a liberdade. Meu pai era formado em Contabilidade, Filosofia e História e Teologia. Além disso, falava inglês e gostava de literatura. Em nossa casa havia uma estante com todos os clássicos da literatura. Isso despertou em mim gosto pelos livros. Embora possuidor de grande conhecimento nas humanidades, era a Teologia que o fascinava. Gostava de escrever sermões e amava estar no ambiente eclesiástico.

Em nossa casa era invariável o culto doméstico diário. Lembro-me da família sentada à volta da mesa das refeições e meu pai lendo a lição da Escola Sabatina e minha mãe os textos bíblicos. Depois, nos sábados, via a forte figura do meu pai fazendo os sermões. Ficava fascinado com o culto e a Escola Sabatina, de modo que ao chegar em casa, depois do almoço, pegava as bonecas da minha irmã e as fazia sentar, como se estivessem na igreja, para que me ouvissem repetir o que havia visto. Nenhuma metodologia é tão aderente e tão eficaz para educar como o exemplo.

O amor do meu pai pelas coisas sagradas, seus posicionamentos, sua disposição em ajudar, seu carinho com as pessoas, seu modo de falar das coisas eternas, são fortes exemplos que jamais desaparecerão e nunca deixarão de ser balizas importantes.

Pessoalmente, fui intensamente impressionado pelos meus pais em relação às coisas espirituais. Sempre as considerei relevantes e imperativas. Por ter essa concepção, sempre que posso incentivo pessoas a enxergarem o valor moral das Sagradas Escrituras. Penso que tenho ajudado muitos a verem mais do que o mundo físico, cujo valor é vertiginosamente menor do que os valores espirituais. Todavia, foi na casa dos meus pais onde aprendi a notar o justo valor das Escrituras. Neste sentido meu pai foi excelente sacerdote.

Muitos jovens de famílias da igreja moraram em nossa casa. Lembro de quase todos. Meus pais educavam e albergavam esses jovens, ajudando-os naquela fase das suas vidas. Eram tratados como filhos. Como consequência, esses jovens ataram laços indissolúveis de amizade e gratidão. Muitos ainda preservam a amizade com os filhos. Pessoalmente, tenho carinho por todos. Agora que a vida já mostrou a mim muito, posso aquilatar o enriquecimento social elevado que meus pais outorgaram aos que puderam privar de um tempo com eles, ou seja, na condição de sacerdote, meu pai foi além da sua própria paternidade, ensinou outros jovens mais o valor das boas práticas.

Hoje as lembranças continuam indeléveis. Depois que amealhei algum saber, meu pai, num dos inesquecíveis momentos de intimidade disse-me: gostaria de ter a sua cabeça, meu filho. Essa frase foi expressa por causa da sabedoria que torna aos seus possuidores humildes. Porém, eu sou nada mais do que o reflexo do meu pai, e neste sentido, somente posso agradecer a Deus por ter sido agraciado com a benção de ter tido o meu pai.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Inúteis embates: convivência com a certeza


Por estarmos vivendo no planeta rebelde, o sistema moral aqui fixado nos escraviza. Não conhecemos a cooperação, somente a competição. Em tal circunstância, todas as nossas concepções morais estão afetadas pela competição.

No seio familiar, há sempre a sensação de que irmãos não são estimados de forma semelhante, o que provoca conflito entre irmãos. Na relação matrimonial sempre há competição, quer seja por supremacia de comando, de prestígio, até competição por favorecimento econômico quando um dos cônjuges busca vantagens.

O sistema educacional mundial está delineado para a competição. Os pais educam os filhos para rivalizarem. O conceito de sucesso está ligado à capacidade de concorrer por posições e por benefícios econômicos; nesta escalada, muitos ficam para trás, com surgimento de desigualdades sociais, às vezes profundas e perigosas. Escolas promovem o ranqueamento dos alunos, havendo sempre vantagem para os que são mais competitivos, e sem muita preocupação com percepções individuais que oportunizem àqueles com ritmos menos concorrentes. Esse aprendizado desemboca em aviltamentos posteriores, quando no mercado de trabalho pessoas traem ou atropelam para conseguir liderança. Sempre enxergamos a competição como algo benéfico, mas, na maioria dos casos, essa estrutura moral causa conflitos. A consequência é a incerteza, a desconfiança, a insegurança, a dor, a morte.

Apesar de que na Bíblia o sistema moral seja o da cooperação, as religiões desenvolveram seus credos baseados na competição. Enxergam as bençãos como negócios, alimentando o imaginário dos fiéis com ideias de que é necessário concorrer para ganhar a salvação. O sistema econômico nos templos ensina que quem mais pode mais chance tem, logo, mais atuação monetária, mais aplicação aos ritos e mais presença aos cultos provocam o olhar positivo da divindade, a qual é compreendida como muito aborrecível e sempre esperando que os mais fiéis atuem para satisfazer seus padrões de exigências, sob pena de a divindade desencadear desgraças.

A infeliz concepção acima está demonstrada num artigo publicado em uma revista religiosa, onde autor (Pastor) diz que “crer em Deus é um risco calculado para tempos de certeza...”. Claramente, este líder anuncia que o sistema é o da competição, já que o crer é um risco.

Todavia, Paulo falando de fé diz que é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem”. Logo, no sistema moral da cooperação, incertezas são substituídas por enriquecimento de vidas, resultando em equilíbrio social, diminuição da desconfiança e da concorrência, ausência de infelicidade (esta provocada pela insegurança), mais vida e em abundância.

No sistema da cooperação, a divindade não é aborrecível, “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (I João 4:19). A divindade não está esperando que corramos em busca de atender as suas exigências. Muito pelo contrário, já estamos recebendo o amor da divindade e, consequentemente, ela nos ajudará enriquecendo (oferecendo sua sabedoria ou graça) a nossa vida até que alcancemos os padrões muito altos do sistema moral divino. Se percebemos essa metodologia, traremos à divindade nossa gratidão traduzida em assiduidade aos ritos, alegria nas ofertas, amor aos nossos irmãos, na direção de esclarecê-los das vantagens da cooperação. Neste sentido, assim como a divindade nos enriqueceu a vida, também enriqueceremos outras vidas.

A incerteza e ansiedade provocadas pelo sistema moral da competição devem ser cambiadas pela harmonia e estabilidade do sistema da cooperação. Não devemos aceitar que a vivência humana tenha como decorrência a ansiedade, e esta como parte inevitável da vida, sendo necessário desenvolver resiliência e bem-estar em meio a incerteza.

O sistema moral cooperativo é muitíssimo estável, o próprio Jesus afirmou, “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33), significando que não haverá necessidade de desenvolver resiliência para aceitar incertezas.

Por estarmos com limites visuais compactos provocados pelo degenerado sistema moral da competição, enxergamos que é pelo trauma que crescemos. Os teólogos usam até as histórias traumáticas de José e de Jó, por exemplo, para confirmar a teoria de que os embates (competições) nos fortalecem. Porém, essa não é a verdade bíblica. O profeta Isaías informa que o alívio dos sofrimentos e opressões alheios, o repartir o pão com o faminto (cooperar), o encobrir a nudez do desamparado sempre resultará em cura, em estabilidade emocional e bençãos divinas que garantem permanência e solidez quando afirma que “[...] e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda” (Isaías 58:6-8).  

Os embates somente serão uteis se o sistema moral assumido for aquele oriundo da árvore da ciência do bem e do mal. O sistema da árvore da vida é o da paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).