quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nascer da água e do Espírito

Um dos assuntos mais confusos no âmbito do cristianismo é como deve ser o batismo e, se a validade do batismo é tão ampla que transcende as denominações. Esta questão foi cabalmente discutida nos escritos paulinos do Novo Testamento bíblico, conforme vemos na seguinte afirmação: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, Aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7:4). 

Paulo, um mestre excelente, compreendeu a transição entre o judaísmo e o cristianismo e nos orienta soberanamente no assunto do batismo. Abrindo um pequeno parêntese, percebamos a sapiência paulina no verso acima; em uma frase Paulo resume a enorme ciência da salvação. Somente aqueles que dominam um determinado conhecimento podem ter tal poder de síntese! Voltando, agora, ao assunto do batismo, vemos que para entender as razões do ritual, teremos que ir às origens, quando da queda do gênero humano. 

Ao sair das mãos do criador o homem trazia consigo a imagem dEle, ou seja, estava completamente em conformidade com a Lei do reino de Deus. Paulo explica o que ocorreu por causa da queda: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm.8:2). Enquanto viveu em seu estado original, Adão existia na lei da vida; em pecado, imperou a lei da morte. Abriu-se um abismo entre o homem e a fonte da vida, ficando este separado da vida, sob outra lei. Nesta condição, os filhos de Adão, todos, foram submetidos à lei da morte tornando-se, portanto, mortais. Conforme afirma Paulo no texto acima, a mesma lei que garante a vida passou a ser a lei que determina a morte. Então, por que a morte passou a dominar? 
Em todo sistema legal a não observância dos marcos judiciais gera um débito para com o sistema. E, no caso da Lei de Deus, esse débito moral faz com que a criatura carregue um estado de anomia que lhe é intrínseco, fato explicado na bíblia como não havendo nenhum justo, nem um sequer (Rm. 3:10). Tal situação coloca em cada ser humano em um tipo de débito somente pago com própria morte. 

A resolução deste problema foi mostrada por Jesus na conversa que ele manteve com Nicodemos: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. (Jo. 3:3-6). Jesus explica o que é necessário para liquidar o débito. 

Todo homem nasce sob Adão e, por consequência, é mortal. Para sair da morte para a vida, necessita nascer de outro pai que esteja submetido à lei da vida. Para tal, os céus enviaram a Jesus, chamado nas escrituras de o outro Adão (I Cor.15:45), para que através do batismo pudéssemos morrer para a carne e nascer para o Espírito. 
  
Como, de fato, ocorre esta transformação? Vamos aos escritos paulinos para obter a resposta: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida (Rm 6:4)”. “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Col. 2:12)”. Através do batismo morremos com Cristo e renascemos de um novo pai, não mais do primeiro Adão e sim do segundo Adão. Passando a imitá-lo e, em razão da justiça do novo pai, somos justificados e não mais condenados; a lei que nos condenava à morte passa a ser a lei da vida em Cristo. 

É importante entender bem o que ocorreu. Jesus pagou o preço exigido pela lei e nos libertou da escravidão da morte. No entanto, a lei não está anulada e continua sendo observada nas condições de uma nova vida. Assim, o crente deixa de estar em desarmonia com Deus e passa a ter um relacionamento correto com Ele (não nenhuma outra maneira de nos relacionarmos com Deus se não através da lei). 

Na conversa com Nicodemos, Jesus afirmou que era necessário nascer da água e do Espírito. O nascer do Espírito significa mudança mental e predisposição para obedecer a lei. Tal comportamento vai sendo consolidado dia a dia, através da graça que é concedida ao renato. O Espírito Santo conduz o crente às fontes de convencimento que são a Bíblia e o Espírito de Profecia. A leitura e estudo destas fontes da graça levam ao conhecimento de Cristo e ao esclarecimento de raciocínios que antes eram incompreensíveis. Os ensinos que haviam sido mistérios são esclarecidos.  Guiados pelo Espírito raia luz no entendimento anteriormente obscurecido. Por esse processo, nasce um novo homem de acordo com as expectativas dos céus. 

Toda a preparação que se necessita para o encontro com Jesus no seu regresso se dá através do que se viu acima e, para que tenhamos um auxílio coadjuvante, nosso bom Deus nos aproxima da sua igreja onde, buscamos o nascimento pela água e onde há também orientação sobre o que estudar e como estudar. Igrejas que advogam a não observância da lei de Deus não podem promover o novo nascimento, considerando que o novo homem vai estabelecer o relacionamento correto com Deus, tal qual o experimentado por Adão antes da queda. Por essa razão, não tem validade os batismos que são realizados tendo como fundamento filosófico a anulação da lei. Enquanto não houver o nascimento da água e do Espírito a criatura jaz no mundo dos mortos. Aquele que nasce no reino de Deus frutificará, ou seja, passará a  viver na esperança de estar cada vez mais e mais assemelhado a CristoMas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Prov.4:18). 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Submissão aos fundamentos do universo




A Lei de Deus é o fundamento onde se ajusta toda estrutura do universo. Ela foi determinada ao nosso mundo no primeiro dia da criação, quando Deus disse haja luz. É muito instigante perceber que Deus, após ter feito a luz, examina-a e diz que a luz é boa. Por acaso faria Deus alguma coisa ruim? Então, o que significou examinar a luz? Não nos esqueçamos que a criação da Terra deu-se após a queda de Lúcifer; havia a tentativa de uma outra luz. A propósito, luz na Bíblia é a Lei (Provérbios 6:23; II Samuel 22:29; Salmos 119:105), assim, a luz do primeiro dia era o ordenamento jurídico celeste o qual Deus considerou adequado. 

A Lei sempre antecedeu qualquer interposição divina no âmbito terrestre. Fora dada no Sinai antes da fundação do Estado teocrático de Israel. Depois do retorno do cativeiro babilônico a Lei foi lida por Esdras, o sacerdote (Neemias 8) buscando ensinar ao povo e, novamente, a nação foi reorganizada. Os anjos proclamaram a lei quando anunciaram o nascimento de Jesus aos pastores cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”. Quando Jesus pronunciou o famoso sermão da montanha explicou aos ouvintes o conteúdo da Lei e os fundamentos do seu reino. E novamente em 1844, quando, segundo a profecia, deu-se a proclamação das mensagens angélicas, a primeira delas fazia aguda referência à Lei “temei a Deus a dai-lhe glória...” (Apocalipse 14:6,7) e, como consequência, surgem os Adventistas que divulgam a Lei como sua ordenação jurídico-eclesial.
Há dois sistemas cristãos em andamento para os quais um evidente ponto de controvérsia é o dia de guarda estabelecido pela Lei: O sábado do sétimo dia. É fato definido que este preceito da Lei tenha sido dado a conhecer no nosso planeta e ensinado ao homem antes que o pecado houvesse penetrado. Isto nos chama atenção e formula uma pergunta importante: Qual o significado do sábado no contexto da Lei para que o mesmo fosse dado ao homem antes de mais nada? Por qual razão o homem foi submetido à guarda do sábado após ter sido criado?

Todos os atos da criação e sua sequência necessariamente obedeceram a Lei de Deus. Vejamos, se os fundamentos da Lei são o amor a Deus e o amor ao próximo, então, no primeiro dia, a criação da luz, ou seja, a implantação da Lei foi o cumprimento dos três primeiros mandamentos ou o primeiro fundamento. Os outros eventos da criação formam um protocolo para o cumprimento do segundo fundamento, uma vez que a infraestrutura implantada/criada fora para manutenção da vida humana e animal. Ellen White em seu livro “O desejado de Todas as Nações”, no capítulo primeiro evidencia o que ela chama de ciclo da beneficência: tudo provém de Deus que dá a Jesus e este distribui aos anjos os quais, por sua vez, distribuem aos homens e estes aos semelhantes, voltando para Deus. Se olharmos atentamente à criação veremos que o referido ciclo foi respeitado na sequência dos acontecimentos, restando ao homem, através da guarda do sábado, devolver a Deus tudo o que havia recebido. Notemos algo em nosso dia a dia; trabalhamos seis dias para nosso próprio sustento e, quando deixamos nossa tarefa secular no sétimo dia, estamos realizando o primeiro princípio da Lei, o amor a Deus. Todavia, o sábado requer que façamos obras de beneficência e misericórdia. Atendendo a necessidade dos desprovidos alcançamos o segundo princípio da Lei. A guarda do sábado fecha o ciclo da beneficência pois recebemos de Deus o que possuímos (os anjos nos auxiliam nos protegendo e guiando), transferimos parte do que ganhamos aos necessitados (praticamos a justiça) e, neste sentido, devolvemos a Deus (quando fizestes a um destes pequeninos a mim o fizestes). O sábado é o presente de Deus ao homem para que este cumpra completamente a Lei. Se isto é assim, então pode-se ter o juízo do porque o inimigo golpeia o sábado; retirando o sábado ele destrói a Lei.

Foi por causa da não observância do sábado que Israel foi levado cativo à Babilônia. De outro lado, no final dos tempos, o sábado será o motivo para a perseguição dos remanescentes. Este mesmo sábado está sendo reiterado nas mensagens angélicas de Apocalipse 14: Temei a Deus e dai-lhe glória. Temer a Deus significa manter a Lei e notar a sua abrangência. Afirmo que o estudo da Lei deveria ser nossa maior preocupação considerando que a lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. (Salmos 19:7).

A importância do sábado pode ser compreendida através da revelação de que, mesmo após a restauração da Terra, o sábado continuará sendo observado (Isaías 66:23). “Eu vi que o sábado nunca será anulado; antes, por toda a eternidade, os santos remidos e todo o exército celestial o observarão em honra ao grande Criador” (Primeiros Escritos, 216). Deus colocou sobre o sábado a sua santidade, ou seja, a sua Lei, assim, cabe a nós santifica-lo também. É o dia memorial que reconhece a Deus como o Criador, sendo que em toda a criação vemos os Seus traços, a sua Lei em operação e, nesta condição o sábado nos leva à submissão aos fundamentos do universo.

sábado, 29 de março de 2014

Cheios de Poder




Logo após a ascensão de Jesus, os discípulos reuniram-se em Jerusalém conforme nos informa o texto de Lucas 24: 49-53 “ E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.  E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou.  E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém”. 

Em Atos 2: 1-4 lemos: “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.   

O texto de Atos informa que, em obedecendo a ordem de Jesus, os discípulos “concordemente” permaneceram no mesmo lugar e desceu alí o Espírito Santo e todos foram cheios dele. Primeiramente, é evidente que exista uma condição sob a qual o Espirito Santo entrará em ação: quando houver concórdia. Ellen White escreve em seu livro Atos dos Apóstolos (p.88) sobre esta condição dizendo: “O coração daqueles que se converteram mediante o trabalho dos apóstolos, abrandou-se e uniu-se pelo amor cristão. A despeito de preconceitos anteriores, todos estavam em harmonia uns com os outros. Satanás sabia que, enquanto esta união continuasse a existir, ele seria impotente para deter o progresso da verdade evangélica; e procurou tirar vantagem de anteriores hábitos de pensar, na esperança de que por este meio pudesse introduzir na igreja elementos de desunião”. 

O que percebemos é que união precede a ação no reino de Deus e, sem esta união não há como prosseguir e concluir o aperfeiçoamento. Assim, vem a pergunta: o que devemos fazer para conseguir união?

Os governos das nações, através dos tempos, têm usado uma estratégia para manter unido o seu território e sua coerência política; uma só língua é adotada e um só princípio de doutrina filosófico-político é ensinado. Assim, os cidadãos tornam-se um corpo quando apreendem a mesma doutrina política e falam a mesma linguagem. 

É curiosos que quando os homens se uniram para desafiar os céus durante os primeiros anos pós-diluvianos, resolveram realizar a construção de uma torre. Tal construção significava a mais insolente demonstração de independência humana do poder dos céus. Naquela ocasião, Deus interveio de forma singular, mas intensa, coagindo para que a incompreensão fosse o elemento desagregador; confundindo as línguas e, deste modo, interrompendo a construção. Se prestarmos bem atenção, foi utilizada a mesma estratégia que Ellen White assinalou no texto que lemos acima sobre o impedimento da ação do Santo Espírito através da desunião.

Quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no Pentecostes, o texto bíblico informa que eles foram cheios do Espírito. Para o futuro, há a promessa de que o Espírito descerá sobre a igreja remanescente e consequentemente sobre o mundo, no final dos tempos (Joel 2:28). Mas, de que maneira devemos aguardar esse acontecimento?

O mundo cristão não compreende bem a ação do Espírito Santo confundindo-o, geralmente, com manifestações místicas. Usam a emoção e o entusiasmo religioso como medida da autenticidade espiritual. Porém, a própria escritura contraria esse fascínio irracional pela emoção. No livro Atos dos Apóstolos, página 28, Ellen White diz o seguinte: “Manifestar êxtases espirituais sob circunstâncias extraordinárias não é prova conclusiva de que uma pessoa é cristã. Santidade não é arrebatamento: é inteira entrega da vontade a Deus; é viver por toda a palavra que sai da boca de Deus; é fazer a vontade de nosso Pai celestial; é confiar em Deus na provação, tanto nas trevas como na luz; é andar pela fé e não pela vista; é apoiar-se em Deus com indiscutível confiança, descansando em seu amor”.
Como podemos ver, encher-se com o poder do Espírito Santo não corresponde a ter poder para fazer milagres e outras demonstrações de misticismo. O que é então?

Esta pergunta não pode ser respondida utilizando-se o conhecimento humano, considerando que o Santo Espírito não é parte integrante do universo próprio antropológico; Ele é Deus. Assim, devemos buscar explicações na fonte indicada por Jesus: a lei e os profetas. Então vamos consulta-los.
Apocalipse 19:10 “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia”.  

O texto informa que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. Ora, testemunho quer significar declaração, então, quem declara sobre Jesus é o espírito de profecia. Neste caso, os profetas são os que declaram sobre Jesus.   Em II Pedro 1:21 a Bíblia explica “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.  Ora, se os profetas são inspirados pelo Espírito Santo e são eles os que dão o testemunho, então, o poder do Espírito está nos textos escritos pelos profetas. Em Atos 1:8 lemos “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Vamos entender outra coisa: Momentos antes da sua morte Jesus consolou os discípulos informando-os que enviaria o outro consolador (João 14:16-18). Jesus explicou quem era o outro consolador, o parákletos , aquele que ficará ao lado para exortar, ensinar e fazer lembrar tudo o que Jesus ensinara. O outro consolador significa outro da mesma classe. Jesus mesmo era um Consolador (ver 1 João 2: 1) e, neste sentido, o Espírito Santo, semelhante a Jesus, é o outro consolador ou o outro poder, uma vez que ele é também Deus.

Para os Adventistas do 7º Dia, a escritora Ellen White recebeu o dom de profecia e seus escritos são entendidos como proféticos para a igreja remanescente. Entre os livros escritos por ela encontra-se um cujo título é “O Outro Poder”. Uma vez que o outro poder foi definido como sendo o Espírito Santo, então esperar-se-ia encontrar nas páginas da referida obra explicações sobre a ação do Espirito Santo relativa à igreja remanescente. No entanto, examinando-se o conteúdo do livro depara-se com a seguinte realidade: a explicação das razões para que se dê ênfase à obra das publicações.
Observemos que a profetisa chama a obra de publicar livros, revistas, folhetos, folders, etc., como sendo o outro poder. 

Conforme vimos acima, há a promessa de que nos últimos dias o Santo Espírito seria derramado novamente (Isaías 44:3; Ezequiel 39:29; Joel 2:28,29). Compreenderemos o que significa essa ação se formos consultar informações sobre o primeiro derramamento ocorrido no pentecostes. No livro Testemunhos para Igreja, volume 9, p.267 lemos: “Quando, no dia de pentecostes, o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos, compreenderam eles as verdades proclamadas por Cristo em parábolas. Os ensinos que lhe haviam sido mistérios foram esclarecidos. A compreensão que lhes adveio com o derramamento do Espírito fê-los envergonharem-se de suas teorias fantasiosas. Suas suposições e interpretações eram loucura quando comparadas com o conhecimento das coisas celestiais que então receberam. Foram guiados pelo Espírito; e raiou luz no seu entendimento anteriormente obscurecido”.

O trabalho realizado pelas editoras de livros no âmbito da igreja, espalhando literatura que esclarece o que outrora era mistério é o poder do Santo Espírito. A esta literatura chama-se o espírito de profecia. A finalidade dos livros é fazer compreender as verdades proclamadas por Cristo e, neste sentido, quando alguém se debruça sobre esta literatura com o propósito de aprender, está recebendo o poder do Espírito.

Resta ainda uma pergunta: como será então o derramamento final do Espírito Santo?
Se a literatura é o poder do Espírito para a igreja, pois esclarece o que ainda não se desvelou, então haverá um esforço ainda mais intenso, patrocinado pelo céu, para que tal literatura chegue a todos os homens. Certamente haverá, por parte da humanidade, um forte desejo de buscar por esclarecimentos (Daniel 12:4). Vejamos o que Ellen White escreve sobre o assunto: “A noite da prova está quase no fim. Satanás está exercendo seu impressionante poder, pois sabe que seu tempo é pouco. Os castigos de Deus se acham sobre o mundo, a fim de chamar a todos quantos conhecem a verdade a ocultar-se na fenda da rocha, e contemplar a glória de Deus. A verdade não pode ser oculta agora. Devem ser feitas declarações positivas. A verdade deve ser expressa com clareza, em folhetos e pequenos livros, e esses espalhados como folhas do outono”. 

Para a igreja remanescente, o poder do Espírito está disponível na literatura que está nas estantes dos lares, mas, o misticismo que envolveu o culto a Deus está produzindo a expectativa de que, quando for derramado o Espírito, os crentes terão poder para realizar grandes milagres. No entanto, o que o céu espera é o extraordinário trabalho de esclarecimento das verdades ensinadas por Cristo através da literatura. A definição do trabalho do Espírito está no evangelho de João: ensinará" e "recordará tudo" (João 14: 26). Atestará de Cristo (João 15:26).  "Convencerá ao mundo do pecado, da justiça e do juízo " (João 16: 8).  "Guiará a toda a verdade" e fará "saber as coisas" vindouras (João 16: 13).  Glorificará a Cristo e receberá dele para repartir aos discípulos (João16: 14).

Reiteramos que o poder do Espírito está na literatura denominacional (às vezes empoeirada nas estantes dos lares) que se fora lida, traria o esclarecimento para formar no povo remanescente a base teórica para a obediência inteligente e à assimilação do caráter de Cristo. E então virá o fim. A leitura e a distribuição de literatura deverá ser considerado um grande privilégio para aqueles que estão recebendo o derramamento do Espírito!

Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia...
E manda o povo pensar...
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar. (Castro Alves: O livro e a América))

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Desafios à Ciência na América do Sul

O Fórum Mundial de Ciência ocorrido no Rio de Janeiro em novembro/2013 discutiu a necessidade de mudanças nas relações internacionais, uma vez que o sistema de ciência e Tecnologia mundial requer, cada vez mais, respostas eficazes aos problemas complexos que afligem as sociedades. O avanço da corrida econômica e a competição desenvolvimentista provocam um jogo de braço de ferro que, em muitos casos, arrastam as nações em desenvolvimento a prejuízos e perdas que, para serem reparados demandam um enorme gasto de energia e recursos econômicos, mas, há no mundo em desenvolvimento massa crítica criativa.

No tocante à cooperação sul-sul, há imensos desafios. Salientam-se a desigualdade no acesso ao conhecimento, no acesso à infraestrutura de pesquisa; situação complexa que está a exigir um modelo novo de desenvolvimento.

No caso específico da América do Sul, seria necessário pensar na criação de sistemas nacionais de ciência e tecnologia, ponderando que os países estão em etapas distintas de amadurecimento científico, mas, ao mesmo tempo, seria necessário integrar os esforços de cada país no sentido de consolidar um plano continental de desenvolvimento e criar um sistema sul americano de ciência tecnologia e inovação, que fosse capaz de diminuir as assimetrias relativas ao capital humano e de infraestrutura científica, criando um projeto para utilização e transformação das riquezas naturais, bem como a sua  comercialização, atendendo sempre a sustentabilidade. A integração de todos os sistemas de conhecimentos proporcionaria ambiente para enfrentar problemas complexos (tais como a segurança alimentar, saúde coletiva, desastres naturais e mudanças climáticas), mas que exigem soluções inteligentes.

A América do Sul está demandando um grande esforço continental que adote visão interdisciplinar e transdisciplinar. Deve-se aumentar muitíssimo a qualidade das universidades regionais transformando-as em universidades de nível mundial, condição sem a qual não será possível pensar em crescimento vigoroso. As regiões periféricas na América do Sul ressentem-se de lideranças que possam sustentar problemas cada vez mais complexos e oferecer soluções compatíveis com a realidade regional e demandas mundiais. Assim, a disponibilidade do conhecimento é elemento chave no processo de mudança.

A criação de uma atmosfera de economia baseada no conhecimento necessita de um espaço de intensa cooperação. Neste sentido, as disparidades nacionais são uma barreira que deve ser suavizada para que as universidades sul-americanas, as instituições estatais de pesquisas e o setor produtivo possam se encontrar e produzir clima adequado à formação de capital humano e lideranças capazes de entender as demandas críticas regionais.

A imensa riqueza natural disponível no território sul-americano desafia os sistemas de ciência, tecnologia e inovação dos respectivos países a competir com o chamado primeiro mundo. Contudo, esse clima de desafios pode desencadear concorrência intracontinental, levando à erosão da cooperação. Assim, o surgimento de uma diplomacia científica para estabelecer cooperação continental pacífica seria providencial. Neste sentido, o Brasil deveria exercer liderança segura considerando seu forte potencial científico e sua tradicional posição conciliadora. O tema da sustentabilidade planetária implica em sustentabilidade ambiental, econômica e social nos níveis continental e intrafronteiras, que são desafios próprios de crescimento complexo, este requerendo esforço gigantesco de pesquisa. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Padrão de camaleão?

Padrão de camaleão?
Há no Antigo Testamento uma forte evidência de que  o Rei dos Céus não é favorável ao rebaixamento dos padrões para prosélitos que estariam dispostos a adotar as características morais dos hebreus. Embora, na oração de dedicação do templo de Salomão fique explícito que o templo seria para todos, àqueles que quisessem adorar no templo seriam exigidos os mesmos padrões determinados a um hebreu de origem.

Tal exigência está manifesta na Torá em vários trechos, mas, em Números 15: 29-31 há explicações sobre como tratar moralmente a falha dos hebreus e dos estrangeiros, sendo dada como arquétipo uma só lei para ambos os grupos.

É instigante que a questão moral, para Deus, não está atrelada à questão cultural, antropológica, mas, os erros, de acordo com o texto, são abordados através de uma só lei, não sendo consideradas diferenças culturais,  maneiras de interpretar o mundo ou maneirismos filosóficos. O texto não deixa dúvidas: “ Para o natural dos filhos de Israel, e para o estrangeiro que no meio deles peregrina, uma mesma lei vos será, para aquele que pecar por ignorância. Mas a pessoa que fizer alguma coisa temerariamente,  quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao SENHOR; tal pessoa será extirpada do meio do seu povo.  Pois desprezou a palavra do SENHOR, e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada  aquela pessoa, a sua iniquidade será sobre ela”.

A noção de que haja um único padrão parece não ser considerada ou compreendida pela maioria dos que se identificam como os remanescentes hodiernos. Estamos vivendo dias nos quais o perfil de camaleão parece ser o mais adequado para estar na comunidade dos filhos de Deus; esta situação recebe a jeitosa definição de adequação cultural, adequação esta que é tracejada pelo próprio clero, envolvidos na tarefa de atrair camadas da sociedade que estão profundamente arraigadas ao secularismo atual que, se fossem colocados frente a frente com o evangelho tal como pregaram os antigos, não poderiam ser alcançados e se perderiam. Por esse motivo, há uma tentativa de tornar o evangelho mais agradável, menos ofensivo, pois o padrão moral defendido pelos que antecederam  já  está “démodé”.

Os que estão na congregação dos santos desde o século XX, têm convivido com um enorme problema por causa da checagem que são obrigados a realizar entre o padrão que lhes foi entregue pelo clero do século passado e aquele que está sendo ensinado no novo século. Há como que uma sensação de controvérsia entre os mais antigos e os mais novos, sendo que aqueles são submetidos ao desprezo pela imposição da pecha de retrógrados. Esta situação leva a uma instabilidade da sociedade da igreja que contraria os princípios dos dez mandamentos.

Considerando que no antigo testamento todos eram tratados com o mesmo padrão moral, como ficam as ideias tão aceitas e defendidas pelo clero jovem de que à parte da população das grandes cidades afetadas pelo ambiente pós-moderno deve-se anunciar um evangelho menos duro, mais simpático, sem muitas exigências, sendo necessário esconder, inclusive, o nome da igreja para não assustá-los? Há uma dicotomia agora em pleno andamento dentro dos arraiais do sétimo dia, a qual divide os membros em dois grupos: os pós-modernos e os retrógrados. Há também uma sensação de que algo vai dar errado. E se der errado, como se poderá corrigir tal dicotomia, considerando que no final haverá um só rebanho e um só pastor?