sexta-feira, 6 de setembro de 2013

MÚSICA PARA APRENDER A LEI




MÚSICA PARA APRENDER A LEI
A música na igreja cristã pós-reforma sofreu inovação conceitual, deixando de ser mero adorno ao culto, transformou-se em ferramenta de adoração e de educação. Neste contexto, tanto o texto musical como o poético deveriam explicar assuntos teológicos que deveriam ser compreendidos e guardados nas mentes de forma a servir de alicerce para o comportamento dos cristãos. Sendo que a música pode exercer influência marcante nos ouvintes e efetivamente influencia comportamentos, foi empregada amplamente no período pós-reforma, sendo que a polifonia sobrepujou à monofonia com o propósito de aumentar o alcance educativo da música. Mas, é muito importante a compreensão de que a polifonia é mais adequada à Lei (Torá) do que qualquer outro tipo de desempenho musical.

Por orientação através de Moisés, os israelitas foram ensinados acerca dos mandamentos colocando as palavras da Lei em músicas, conforme está assentado na Bíblia: “E as intimarás [as palavras] a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.” Deuteronômio 6:7. Se era essencial que Moisés incorporasse os mandamentos nos cânticos, de modo que, enquanto caminhassem pelo deserto, os filhos aprendessem a cantar a lei verso por verso, quão essencial é, no tempo atual, ensinar a nossos filhos a palavra de Deus, tirando proveito da música como ferramenta didática.

A escritora Ellen White explica as funções da música no ambiente cristão: “[...] é um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração duramente oprimido e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus — as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância — e as tentações perdem o seu poder, a vida assume novo sentido e propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas! Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração. Efetivamente, muitos hinos são orações.” (Educação, p.166-167). Falando ainda da vida de Cristo Jesus a escritora menciona que “[...] O alvorecer encontrava-O [Jesus] muitas vezes em algum lugar retirado, meditando, examinando as Escrituras, ou em oração. Com cânticos saudava a luz da manhã. Com hinos de gratidão alegrava Suas horas de atividade, e levava a alegria celestial ao cansado e ao abatido” ( Ciência do Bom Viver, p.52). A música cantada é empregada para gravar verdades no coração. Frequentemente, pelas palavras de um canto sagrado, são liberadas as fontes do arrependimento e da fé  (Evangelismo, p.500).

Nas cortes celestiais a música é parte da adoração e, por esse motivo, é nosso dever o devido treino da voz – um aspecto importante da educação – de modo a ser cabalmente utilizada no culto religioso. Muitos são os cantores entre cristãos, mas, poucos são os que aprimoram ou educam a voz para alcançar máxima eficácia no louvor genuíno. Deus concedeu à sua igreja dons sendo um deles a música, e Sua expectativa é de que este particular dom seja multiplicado de modo que possibilite o uso correto da fala e do canto. Há muita emoção e música na voz humana, e se o adorador fizer esforços determinados, adquirirá hábitos de falar e cantar que lhe serão um diferencial no ganhar pessoas para Cristo. 
No culto cristão deve haver solenidade e reverência, pois a presença do próprio Deus é necessária e sentida. Tal solenidade é parte da guarda da primeira parte da Lei, o amor a Deus. A melodia do canto, derramada do coração em tons claros e suaves representa um instrumento divino para a salvação de pessoas e, considerando que a multiplicação do talento do canto atinge o coração dos ouvintes, o cantor também representa a guarda da segunda parte da Lei, o amor ao próximo.

O ambiente cristão deve respirar a Lei e, neste contexto, não há lugar para apresentações musicais que desonrem a Lei. O canto congregacional é sempre mais adequado do que apresentações individuais. No entanto, há muita incompreensão do papel da música e especialmente do canto na dinâmica eclesiástica. Muitos dos que participam dos cultos como cantores utilizam o talento do canto como efeito de preeminência ou oportunidade para granjear recursos financeiros, o que os torna negligentes em relação à Lei. Por outro lado a solenidade exigida na adoração é preterida por apresentações musicais inadequadas onde há predominância do ego somente.

A música cristã atual deveria ser de melhor qualidade observando o conceito do louvor de acordo com o contexto bíblico. Há grande esforço por parte de alguns em buscar semelhanças musicais com os ritmos e melodias que estão sendo executadas nas mídias comerciais, achando que tal atitude está coerente com o estágio de desenvolvimento social experimentado pela igreja. Todavia, a introdução de instrumentos de percussão ou maneirismo de executar instrumentos musicais semelhantes aos utilizados nos meios seculares não enriquecem a adoração, pois não contribuem para melhorar a guarda dos mandamentos. No livro Mensagens Escolhidas volume 2 (p.36) a escritora Ellen White diz: “O Senhor revelou-me que haveria de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se poderá confiar neles quanto a decisões retas. E isso será chamado de operação do Espírito Santo. O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos.”

É importante dar a conhecer que a percussão não é a preferência divina, e sim as trombetas. Em Números 10:8-10 lemos: “ E os filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as trombetas; e a vós serão por estatuto perpétuo nas vossas gerações.  E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime, também tocareis as trombetas retinindo, e perante o SENHOR vosso Deus haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos. Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o SENHOR vosso Deus.” Sempre que Deus anuncia eventos não há utilização de tambores mas o sonido de trombetas, conforme vemos em Levíticos 23:24 “Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação.” Em Salmos 98:6 a Bíblia ratifica a preferência de Deus por trombetas: “Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do SENHOR, do Rei.” Em nenhum momento nos textos bíblicos há rufar de tambores para quaisquer das festas sagradas ou para anunciar eventos. Até mesmo no maior dos eventos futuros, a volta de Jesus, está anunciado o uso de trombetas, conforme lemos em I Tessalonicenses 4:16 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.” 

É coerente definir as trombetas como sendo os instrumentos de comando de Deus e não tambores, estes não deveriam ser cogitados para o louvor solene na casa de Deus. E por que não se deveriam usar tambores como instrumentos de louvor nos cultos? Simplesmente porque é o instrumento utilizado na adoração pagã. O uso de tambores quer significar sincretismo o qual é recusado por Deus (II Reis 21:6; 23:24; Isaías 8:19), se é assim, por que os músicos e até mesmo a liderança religiosa insiste no uso de instrumentos inadequados? Em Oséias 4:6 lemos “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” O que se espera é que os cristãos, em consequência da história, não sejam imaturos e repitam os mesmos erros dos antepassados.

domingo, 28 de julho de 2013

Assinalando os umbrais com sangue



ASSINALANDO OS UMBRAIS COM SANGUE
O plano da salvação tem sido intuído pela humanidade, às vezes, de forma equivocada. Concebido para operar nas condições de uma humanidade caída, o plano deve ser olhado do ponto de vista do tempo. Esta perspectiva parece clara quando olhamos os dois macros momentos do plano lado a lado com a maneira como a Bíblia foi organizada: Antigo e Novo testamentos. Apenas a título de esclarecimento, a palavra testamento significa o ato pelo qual a pessoa declara a sua vontade; assim, temos na Bíblia a antiga vontade de Deus, assim como a nova vontade de Deus. Por causa destes conceitos, deveríamos ler a Bíblia, ou seja, a vontade de Deus a partir destas perspectivas, buscando saber a vontade de Deus no decorrer do tempo.
Na perspectiva do Antigo Testamento, o culto tinha seu principal argumento no sacrifício de animais. Por essa razão, o santuário hebraico oferecia ininterruptamente sacrifícios que apontavam à vinda futura do Messias e Salvador. Na perspectiva do Novo testamento, o argumento do culto centra-se na Santa Ceia, onde o sacrifício de animais é substituído pelo símbolo do pão e do vinho. Chamamos atenção para os dois momentos do plano da redenção: o primeiro (Velho Testamento) antes de Cristo, e o segundo (Novo Testamento) depois de Cristo. A pergunta que surge agora é: Por que foi necessária a mudança de argumentos, ou seja, o que estaria Jesus ensinando quando substituiu a Páscoa pela Ceia?
Vamos recapitular a Páscoa, para entendermos o que aconteceu. A primeira Páscoa ocorreu na saída do povo Hebreu do Egito. Deus ordenara através de Moisés que na noite que antecedeu a saída, os hebreus matassem um cordeio sem defeitos, assassem a animal inteiro sem quebrar nenhum osso, adicionassem ervas amargas e pão sem levedura, e o comessem de pé prontos para a partida. Além disso, deveriam passar o sangue do animal morto nos umbrais das portas das casas para que o anjo destruidor não matasse os primogênitos hebreus (última das dez pragas no Egito). A palavra hebraica para páscoa é Pessach que significa passar sobre. Ellen White, no seu livro Patriarcas e Profetas, na página 274 explica o seguinte: “Antes da execução desta sentença, o Senhor por meio de Moisés deu instruções aos filhos de Israel relativas à partida do Egito, e especialmente para a sua preservação no juízo por vir. Cada família, sozinha ou ligada com outras, deveria matar um cordeiro ou cabrito "sem mácula", e com um molho de hissopo espargir seu sangue ‘em ambas as ombreiras, e na verga da porta’ da casa, para que o anjo destruidor, vindo à meia-noite, não entrasse naquela habitação”. Neste trecho da sua narração Ellen White esclarece que o ato de aspergir o sangue protegeu os hebreus do juízo que veio sobre o Egito, ou seja, da morte. Ela prossegue dizendo: “O Senhor declarou: Passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos. ... E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo Eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando Eu ferir a terra do Egito". Novamente surge uma pergunta: Por que o sangue era necessário para proteger os hebreus?
A resposta a esta questão está no Éden. Deus havia sentenciado que se o homem pecasse certamente morreria. Logo após a que do homem, Deus poupou a vida do casal original substituindo a morte deles pela morte de um cordeiro. Ali fora oferecido o primeiro sacrifício animal que apontava para o verdadeiro cordeiro de Deus, o Messias, que viria oportunamente no futuro. Assim, Adão e sua mulher foram poupados da morte imediata. O sangue do cordeiro imolado no Éden fez com que a destruição passasse por sobre o casal. A mesma situação ocorreu no Egito naquela noite quando Deus aplicou juízo sobre o arrogante país. O sangue aspergido nas portas representava a Cristo, a verdadeira páscoa. Vejamos o que diz novamente a escritora Ellen White na página 227 do livro Patriarcas e Profetas: “A páscoa devia ser tanto comemorativa como típica, apontando não somente para o livramento do Egito, mas, no futuro, para o maior livramento que Cristo cumpriria libertando Seu povo do cativeiro do pecado. O cordeiro sacrifical representa o ‘Cordeiro de Deus’, em quem se acha nossa única esperança de salvação. Diz o apóstolo: "Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós." I Cor. 5:7. Não bastava que o cordeiro pascal fosse morto, seu sangue devia ser aspergido nas ombreiras; assim os méritos do sangue de Cristo devem ser aplicados à alma. Devemos crer que Ele morreu não somente pelo mundo, mas que morreu por nós individualmente. Devemos tomar para o nosso proveito a virtude do sacrifício expiatório”.
Pelo que vimos acima, a Páscoa é um evento de altíssima seriedade e que não deveria ser negligenciada. Deveríamos destacar algum tempo buscando a compreensão desta cerimônia, considerando que a sua aplicação ou uso nos livra da morte. Outra vez, vejamos o que diz Ellen White: “As regras que Moisés deu concernentes à Páscoa são plenas de significado, e têm aplicação a pais e filhos nesta época em que vivemos [. ...] . O pai devia atuar como sacerdote da família e, se o pai fosse falecido, o filho mais velho devia realizar o solene ato de aspergir os umbrais da porta com o sangue. Esse é um símbolo da obra a ser feita em toda família. Devem os pais reunir os filhos no lar e apresentar Cristo diante deles como sua Páscoa. O pai deve dedicar cada membro da família a Deus e fazer a obra que é representada pela festa da Páscoa. É perigoso deixar esse solene encargo nas mãos de outros. Decidam os pais cristãos que serão leais a Deus, e disponham-se a reunir os filhos no lar consigo e assinalem [simbolicamente] os umbrais com sangue, representando Cristo como o único que pode proteger e salvar, a fim de que o anjo destruidor passe por alto o feliz círculo da família” (Fundamentos do Lar Cristão, p. 129).
Abrimos aqui um parêntese para explicar algo importante para a compreensão do que virá a seguir. Depois de haver ocorrido o pecado no universo, Jesus se tornou a pessoa da trindade responsável para resolver o problema do pecado e, por esse motivo, tornou-se o interlocutor para o homem. Assim, fora Jesus quem instruíra Moisés quanto ao ritual da Páscoa, sendo que Ele mesmo participou da solenidade enquanto esteve entre os homens. Se a Páscoa é assim de extrema importância e instituída por Jesus, por que ele a substituiu pela Ceia? Jesus teria proibido a Páscoa?
Vejamos o que nos diz a própria Bíblia sobre essa questão. Em I Cor. 11:23-26 lemos: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue; fazei isto todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha" . No livro Desejado de Todas as Nações (pag.652, 653) Ellen White diz que “Cristo se achava no ponto de transição entre dois sistemas e suas duas grandes festas. Ele, o imaculado Cordeiro de Deus, estava para se apresentar como oferta pelo pecado, e queria assim levar a termo o sistema de símbolos e cerimônias que por quatro mil anos apontara à Sua morte. Ao comer a páscoa com Seus discípulos, instituiu em seu lugar o serviço que havia de comemorar Seu grande sacrifício. Passaria para sempre a festa nacional dos judeus. O serviço que Cristo estabeleceu devia ser observado por seus seguidores em todas as terras e por todos os séculos. A páscoa fora instituída para comemorar a libertação de Israel da servidão egípcia. Deus ordenara que, de ano em ano, quando os filhos perguntassem a significação desta ordenança, a história desse acontecimento fosse repetida. Assim o maravilhoso livramento se conservaria vivo na memória de todos. A ordenança da ceia do Senhor foi dada para comemorar a grande libertação operada  em resultado da morte de Cristo. Até que Ele venha a segunda vez em poder e glória, há de ser celebrada esta ordenança. É o meio pelo qual Sua grande obra em nosso favor deve ser conservada viva em nossa memória”.
A Santa Ceia representa o mesmo que os sacrifícios de animais representaram no Antigo Testamento. Para a época antes de Cristo, o sangue de animais apontava para o Messias vindouro e pela fé, os antigos se apoderavam da salvação. Na Ceia os símbolos são, do mesmo modo, uma poderosa demonstração de fé. Assim como os antigos hebreus comeram a carne do cordeiro morto, ao comermos o pão (símbolo do corpo) comemos o cordeiro. Do mesmo modo, aos antigos passarem o sangue de um cordeiro nos umbrais das suas portas, significando que criam no sacrifício expiatório e substituto de Cristo no futuro, sendo libertos da morte, hoje, ao tomarmos o vinho (símbolo do sangue), estamos passando o sangue nos umbrais das nossas almas, ou nos umbrais das nossas casas que são nossos corpos e, deste modo somos também libertos da morte. Conforme vimos, a ceia passa a ser a páscoa, pois Jesus, o Messias prometido, veio e cumpriu a promessa feita a Adão sendo nosso substituto e, portanto, a nossa páscoa. Cristãos sem a Ceia correm sério perigo de vida, jamais deveríamos negligenciar a participação na Ceia porque não sabemos quando passará o anjo destruidor.
Mas, ainda resta algo de grande importância que não abordamos e que está relacionado com a Ceia. Vejamos mais uma afirmação de Ellen White no livro Desejado de Todas as Nações (pág. 659): “Participando com os discípulos do pão e do vinho, Cristo Se empenhou para com eles, como seu Redentor. Confiou-lhes o novo concerto, pelo qual todos os que o recebem se tornam filhos de Deus, e co-herdeiros de Cristo. Por esse concerto pertencia-lhes toda bênção que o Céu podia conceder para esta vida e a futura. Esse ato de concerto devia ser ratificado com o sangue de Cristo. E a ministração do sacramento havia de conservar diante dos discípulos o infinito sacrifício feito por cada um deles individualmente, como parte do grande todo da caída humanidade”. O texto enfatiza que a Santa Ceia é o ritual que confere ao cristão o status de filho de Deus, e co-herdeiros de Cristo. Então, não participar da Ceia significa desistir da salvação. Porém, Ellen White afirma também que através da Ceia, toda benção que o céu pode conceder será concedida. É uma promessa valiosa que precisa ser entendida. Em Isaias 58:14 lemos “[...] e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse”. Este verso é a resposta que precisamos para entender a promessa concedida através da Ceia. Porém, qual é a herança de Jacó? Jacó era filho de Isaac, o qual, por sua vez era filho de Abraão. Assim, a herança de Jacó veio de Abraão seu avô e podemos encontra-la em Genesis 12:2,3 onde lemos: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.
A benção dada a Abraão é que ele seria uma bênção e, por consequência, todas as  famílias seriam benditas. Jacó recebeu esta mesma benção quando lutou com Deus no vale de Jaboque. Tal benção está à nossa disposição através da Ceia. Ser uma benção significa viver completamente de acordo com Lei de Deus. Em João 13:35 lemos: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. O raciocínio dos textos acima nos mostra que através da Ceia somos habilitados a guardar os mandamentos e consequentemente seremos uma benção ao mundo. Para abençoar nosso semelhante é necessário que tenhamos para oferecer, assim, receberemos dos céus todas as virtudes necessárias para que sejamos uma benção.

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terça-feira, 28 de maio de 2013

Pesquisador do Inpa contesta reportagem sobre baixa produção científica na região amazônica


No dia 13 de maio, o Jornal GGN publicou reportagem da agência de notícias espanhola EFE,  Países amazônicos querem romper dependência científica, cujo texto sustentava que a maior parte dos estudos científicos sobre a região era feita por estrangeiros.

No artigo que segue, o pesquisador Claudio Ruy Fonseca, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), revela outro lado da história - o de que a maioria dos pesquisadores de fora que estudam a região não a conhece e usa imagens de satélites ou dados coletados e publicados por pesquisadores da Amazônia.


Veja o artigo abaixo:

Claudio Ruy Fonseca

A Amazônia atrai grande quantidade de estudiosos que se debruçam sobre os variados aspectos que envolvem essa complexa região. Cientistas de todas as partes escrevem sobre as características regionais e, no caso de estrangeiros, a maioria nunca veio à Amazônia.

Consequentemente, seus trabalhos estão baseados em dados secundários interpretados a partir de informações de imagens de satélite ou de dados coletados de publicações realizadas por pesquisadores que de fato conhecem a realidade regional, ou seja, a chamada verdade de solo.

Tal situação demonstra que, embora a quantidade de informação publicada por estrangeiros, quando comparada com a informação produzida por autores autóctones, possa parecer superior, a base dessas informações é necessariamente originária das pesquisas realizadas no solo amazônico.

De outro lado, o número de pesquisadores residentes e formalmente inseridos nas instituições amazônicas (pan-amazônia) não ultrapassa os 300 mil, um contingente ínfimo em relação ao restante do mundo. É como dizer que ainda que os pesquisadores publicassem 300 mil trabalhos por ano, não poderiam ultrapassar a quantidade de impressos sobre a Amazônia que tem origem no resto do planeta.


No caso do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), os resultados já publicados são a parte mais importante e substancial das interpretações científicas publicadas por autores estrangeiros. O acervo de informações produzidas no Inpa tem orientado politicas públicas críticas, tais como o Código Florestal. Além disso, a reunião mundial de Ciência e Tecnologia que ocorrerá este ano no Rio de Janeiro teve uma das reuniões preparatórias no Inpa - a esse instituto caberá uma mesa-redonda sobre a Amazônia na referida reunião, o que demonstra a densidade das informações cientificas geradas.

Fizemos um exercício que poderá dar  uma ideia sobre nossa capacidade de produzir informações sobre a Amazônia: Utilizando o Google acadêmico, ao se usar a palavra "Amazônia", a busca derivou em aproximadamente 322 mil resultados, refletindo o que já foi publicado pela academia em língua portuguesa. Quando se utilizou a palavra "Amazon", obteve-se aproximadamente 732 mil resultados, representando o dobro de trabalhos acadêmicos em língua estrangeira.

Tais números são autoexplicáveis, considerando que a massa crítica de pesquisadores que publicam em português não pode ser comparada com o restante do mundo. Também é preciso não negligenciar que muitos trabalhos em língua estrangeira, cujos autores são estrangeiros, usam referências de pesquisadores brasileiros. Além disso, por sua vez, muitos pesquisadores brasileiros estão, via de regra, publicando em inglês.


Quando olhamos o número de pesquisadores que estão formalmente locados nas instituições nacionais amazônicas encontramos que dos 8,304 mil pesquisadores apenas 3,877 mil possuem titulação em nível de doutorado, cifras que indicam capacidade regional ainda em construção para produzir informação robusta e em quantidade. Todavia, a região Norte publicou entre 2007 e 2010, 10,8 mil trabalhos em periódicos científicos de circulação nacional, mas, publicou também 9,978 mil trabalhos em periódicos científicos de circulação internacional - acrescente-se ainda 6,626 mil capítulos de livros e 1,152 mil livros completos.

Apenas para completar o raciocínio, se somarmos as quantidades de publicações nos periódicos temos um total de 20,778 mil trabalhos que, se for calculada a média utilizando-se o total de pesquisadores (8,304 mil) dará 2,5 trabalhos por pesquisador em três anos. Se a média for calculada apenas para os doutores (3,877 mil), resultará em 5,3 trabalhos por pesquisador, uma média muito elevada. É dizer que estamos publicando a pleno vapor, mas, nosso esforço jamais suplantará o que o mundo poderá produzir.


*Doutor em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade de São Paulo (1988); Coordenador de Biodiversidade e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); membro do conselho curador da Fundação para Desenvolvimento da Biodiversidade; diretor geral da Associação Brasileira para o uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

domingo, 12 de maio de 2013

UM ANO SEM O PAPAI


UM ANO SEM O PAPAI

Hoje (01.05.2013) o dia amanheceu lindo. O céu estava vestido de azul cristalino, quase sem nuvens, aparentava limpidez e clareza, parecia anunciar que há alegria no futuro. O firmamento como que comunicava algo de alvissareiro apesar da tristeza e do vazio de um ano sem a brandura e a força de um grande pai e um grande líder. A frase dita por ele momentos antes da sua morte permanece viva e audível, como a infundir certeza: “não tenha medo!”.
Foi, talvez, por conta da frase que interpretei o ambiente externo do dia como que inspirando esperança. No entanto, sinto muito a falta de nosso pai; seus conselhos sempre solícitos, sua maneira amiga e carinhosa de falar conosco, seu amor incondicional. A sua falta significa um imenso abismo aberto em nossa existência o qual não poderá ser preenchido.

A personalidade do Papai era inconfundível. Pastor por excelência gostava de ser assim e dizia que encerraria seus dias sendo pastor, porque não poderia negar a Deus nenhum momento, uma vez que Dele viera tudo o que possuía. Viveu sem parar o seu privilégio de ser pastor e, por seu turno, Deus o recompensou com a maior honraria que um homem pode receber: ser um honorável entre os homens. Sua dedicação e boa vontade o tornaram um conselheiro de primeiro momento, fez parte dos conselhos administrativos da igreja até o fim da sua vida. Foi pastor honrado e, até certo ponto, venerado por suas ovelhas, respeitado pelos pares e amado por seus filhos. Antes de falecer reuniu a família, pregou seu último sermão exortando o amor a Deus e o amor fraterno no seio familiar. Jamais esquecerei o seu último sermão!       
Papai era também um professor excelente. Sua disciplina favorita era história e gostava de ser reconhecido como conhecedor da história. Aprendi a interpretar o mundo através do seu olhar crítico e perscrutador, sendo sempre confiante nas profecias e nos comandos de Deus. Na qualidade de professor foi um grande construtor de almas que voltaram muitas vezes em reconhecimento por sua influência. Um educador dedicado que ajudou a construir a infraestrutura educacional da igreja em Belém, Pará, tendo sido departamental de educação e JA, além de diretor e professor no Instituto Adventista Grão Pará - IAGP, fundado enquanto fora departamental da União Norte Brasileira. Hoje, o reconhecimento por sua dedicação está explícito na biblioteca do IAGP, a qual tem o seu nome. Aprendi muito com sua maneira de conduzir problemas; era um homem de saúde frágil, mas um Hércules em questões morais e espirituais. Nunca vi meu pai vacilar por falta de fé, e jamais ouvi dele um murmúrio sequer diante das dificuldades enfrentadas, especialmente no ambiente do pastorado. Amava a Deus e encerrou seus dias dedicando ainda mais amor a Ele.

Em casa, sempre foi muito atencioso conosco e muito preocupado com a nossa educação. Sinto com muito carinho seu amor ao proporcionar o melhor ambiente de aprendizado que havia quando eu ainda estava em formação. Pude estudar nas melhores escolas e minha educação alcançou nível de sofisticação alto; falo três idiomas, conheço música com profundidade e sou capaz de interpretar textos complexos. Papai nos brindou com um ambiente doméstico venturoso e divertido, com direito a saraus nos domingos à tarde: Mamãe no piano, Papai no violino e alguns amigos que vinham para tocar outros instrumentos.  Papai possuía uma boa coleção de discos clássicos com os quais aprendi a gostar de música erudita. Além disso, possuía grande afinidade com literatura, chegou a comprar coleções com os clássicos da literatura universal para que tivéssemos acesso aos autores importantes e aprendêssemos com a boa literatura. Penso que a proximidade com estes livros me deu bom conhecimento do mundo e do nosso idioma.
Lembro que quando era criança ele gostava de brincar comigo e tínhamos contato físico sempre depois do almoço quando deitava em sua rede para dialogar e brincar. Gostava de mecânica e carpintaria e, por esse motivo, também me interesso por mecânica. Papai gostava de dar tratos aos seus automóveis e aos seus sapatos e esse comportamento foi transferido para mim. Gostava igualmente de construção civil e, de certa forma, eu também. Papai era um homem de muitos dotes e qualidades, tinha bom gosto nas roupas e me ensinou a saber vestir e dar nó de gravata. Sabia ser orador e creio que usava esse dom para dialogar com Deus e persuadi-lo sobre questões importantes. Sei que Deus o tinha em alta consideração, pois lhe deu longa e proveitosa vida, apesar de sua frágil saúde.  Embora eu tenha buscado aprender essa arte da oratória, não consigo chegar aos seus pés. Lembro que em muitas ocasiões chegava eu sem avisá-lo ao seu escritório e era surpreendido com o papai de joelhos suplicando por seu trabalho e por soluções aos problemas e desencantos profissionais. Deus tinha em seu exército humano um grande e leal soldado. Meu pai era amável com todos, esta era a sua principal característica, nunca afastava ninguém que o procurasse sob qualquer pretexto, até aos desafetos procurava encaminhá-los de alguma maneira. Por ser bom orador, sempre era convidado para eventos sociais importantes, era o casamenteiro mais assediado, um conselheiro experiente e sábio, além de ser espirituoso e alegre. Sempre pronto a receber os amigos para uma refeição transformava nossa casa em lar para muitos e abrigo seguro para solitários.

Nos últimos anos passei a representar um interlocutor importante para o Papai. Trocávamos informações sobre assuntos variados e especialmente teologia. Tínhamos diálogos de longas horas sobre questões bíblicas importantes e, apesar de sua experiência insuperável, com humildade ouvia minhas ponderações e idéias com a avidez de um aprendiz. Há dois anos passei uma semana palestrando numa espécie de semana de oração para os funcionários do Hospital Adventista de Belém, no qual ele era um tipo de conselheiro. Preparei alguns temas bastante chamativos e as reuniões foram muito concorridas de ouvintes. Papai não tinha tido anteriormente nenhuma experiência comigo como orador e, no final daquele evento, ouvi dele algo que me mostrou o grau de orgulho e satisfação por ver sua obra de construção de um filho: ele me chamou particularmente em casa e disse-me que durante muito tempo ele fora o meu pastor, mas agora eu me transformara no pastor dele. Esta frase me enterneceu profundamente, e me deixou ver um pouco da grandeza de um homem especial que sabia ser humilde para aprender, até mesmo com alguém menor, com o próprio filho.
Na verdade um homem não morre porque suas obras o seguem, e no caso do meu pai sei que não estarei só por causa do seu exemplo. Sigo meu passo em direção ao futuro buscando atender o repto lançado instantes antes de ele dormir: Não tenha medo! Hoje ao acordar e olhar para o céu azul transparente, claro e vívido, tive a sensação de que Deus mandou um recado para mim imprimindo confiança e dizendo que está ao leme. Vou seguir em frente com muita energia, procurando terminar a minha expiação para que possa estar em paz com Deus e possa encontrar com o meu pai naquele dia quando tudo estará terminado e a morte não mais existirá. Estou há um ano sem a presença física do meu pai, mas ele estará eternamente dentro em mim, pois sou produto dos seus desejos, das suas ordens e da sua compreensão de missão. Vou seguindo pelo mundo pondo sempre os meus pés sobre as pegadas que ele deixou para mim.
Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca,Dr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

BARRADOS PELA CIRCUNCISÃO?!


BARRADOS PELA CIRCUNCISÃO?!


Em Romanos 4:12 lemos que foi Deus quem pediu a Abraão que aplicasse a circuncisão: E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão. Se Deus ordenou a circuncisão, este assunto é atual e importante.

Para entendermos a razão da ordem de Deus temos que retornar ao Éden, no período anterior a queda do homem. Ali, a harmonia com a lei eterna de Deus era absoluta, segundo a escritora Ellen White “sendo a lei do amor o fundamento do governo de Deus, a felicidade de todos os seres inteligentes depende da perfeita harmonia, com seus grandes princípios de justiça. Deus deseja de todas as Suas criaturas o serviço de amor, serviço que brote de uma apreciação de Seu caráter” (Patriarcas e Profetas, p.34). Mas, o homem caiu levando-o a um estado de desarmonia com a lei e, consequente separação de Deus. Deus é um soberano (Sal.93), portanto, nossa relação com o seu governo se dá pela observância dos dez mandamentos, a constituição do seu governo.

Na era patriarcal Encontramos Abraão, a quem Deus chama para sair da sua terra e viajar para um lugar que Ele, o Senhor, iria indicar. E como indicativo de sua fé deveria circuncidar-se. E assim foi. Abraão também circuncidou Isaque seu filho, e este circuncidou a Jacó e este aos doze patriarcas (Atos 7:8).

Quando Deus chamou a Moisés para dirigir a saída de Israel do Egito, indo o mesmo a caminho de cumprir a missão, hospedou-se numa estalagem, e alí o Senhor o encontrou e quis mata-lo. A razão é que Moisés não havia circuncidado aos filhos e isto ofendeu a Deus (Ex. 4:22-26). O relato acima é algo preocupante: Se Deus quis matar Moisés por não haver circuncidado aos filhos, então, circuncisão é assunto muito sério. Por qual razão os cristãos modernos não praticam a circuncisão?

O relato histórico informa que no oitavo dia após seu nascimento Jesus fora circuncidado conforme o costume judaico. Novamente, se Jesus foi circuncidado, por que não os cristãos? Sabemos através do relato de Atos 11 ter havido uma polêmica sobre a necessidade da circuncisão e Paulo, o apóstolo responsável pela transição entre o judaísmo e o cristianismo, advoga que os gentios não estavam obrigados ao rito circuncidatório. Todavia, o que motivou o apóstolo a se inclinar por esta postura? A explicação está em Isaías 9:6 “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Um filho se nos deu é a frase mais importante no verso acima, significando que Jesus é filho do homem, isto é, um de nós. Acrescente-se que sobre ele estava o principado ou a representação humana aquele que deverá operar em favor do homem o que este não tem capacidade para operar por si mesmo. O príncipe, o principal, aquele que importa. Este conceito é fundamental e por ele entenderemos algo extraordinário: “Cerca de quarenta dias depois do nascimento de Cristo, José e Maria levaram-nO a Jerusalém, para O apresentar ao Senhor, e oferecer sacrifício. Isso estava de acordo com a lei judaica e, como substituto do homem, Cristo Se devia conformar com a lei em todos os particulares. Já havia sido submetido ao rito da circuncisão, como penhor de Sua submissão à lei”. Desejado de Todas as Nações, p.50.

O ato da circuncisão representava a garantia de que o circuncidado estaria submetido à observância da lei. Doar o prepúcio a Deus simbolizava um compromisso de observar a lei, e tal rito era muito importante no período pré-Messiânico, considerando que aquele que tornaria possível a todos os homens guardarem a lei ainda não tinha vindo. Note-se que o reino da graça – o qual havia sido inaugurado após a queda no Éden – ainda não estava totalmente implantado. Jesus, o nosso exemplo, estava por vir e neste cenário, a aliança feita conosco era que devíamos ser “uma benção”, todavia o único parâmetro para comparação era a lei à qual todo filho de Deus estaria submetido, sendo a prova da submissão a circuncisão. Com a vinda do Príncipe dos homens, essa necessidade da circuncisão desaparece em virtude de que Jesus, a luz do mundo, veio para cumprir os reclamos da lei, morrendo e ressuscitando, além de deixar-nos o exemplo de como devem viver àqueles que desejam estar ligados ao céu. A imitação do comportamento e do caráter de Jesus por seus seguidores é o caminho seguro para a guarda da lei e, nestas circunstâncias, a garantia não é mais o prepúcio, mas, Cristo.

O Seven Day Adventist Bible Commentary diz o que segue: “Era chegado o tempo para ser introduzida pela igreja de Cristo uma fase de trabalho inteiramente nova. A porta que muitos dos judeus conversos haviam fechado aos gentios devia agora ser aberta de par em par. E os gentios que aceitassem o evangelho deviam ser tidos no mesmo pé de igualdade com os discípulos judeus, sem a necessidade de observar o rito da circuncisão. Os gentios, e especialmente os gregos, eram extremamente licenciosos, e havia o perigo de que alguns, não convertidos de coração, fizessem uma profissão de fé sem renunciar as suas más práticas, Os cristãos judeus não podiam tolerar a imoralidade, que nem mesmo era considerada crime pelos pagãos. Os judeus, portanto, consideravam como altamente próprio que a circuncisão e a observância da lei cerimonial fossem impostas aos conversos gentios como um teste de sua sinceridade e devoção. Isto criam eles, poderia impedir que se aliassem à igreja os que, adotando a fé sem verdadeira conversão de coração, pudessem mais tarde trazer opróbrio sobre a causa por imoralidade e excesso. Nesta ocasião parece ter sido escolhido Tiago para anunciar a decisão tomada pelo concílio. E sua sentença foi que a lei cerimonial, e especialmente a ordenança da circuncisão, não deveriam ser impostas aos gentios, ou a eles sequer recomendadas. Tiago procurou impressionar a mente de seus irmãos com o fato de que, em se convertendo a Deus, os gentios tinham feito grande mudança em sua vida, e que se deveria usar muita cautela para não perturbá-los com assuntos embaraçantes e duvidosos de somenos importância, para que não desanimassem em seguir a Cristo. Os conversos gentios, porém, deviam abandonar os costumes incoerentes com os princípios do cristianismo. Os apóstolos e anciãos, portanto, concordaram em instruir por carta os gentios a se absterem de carnes sacrificadas aos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Deviam ser instigados a guardar os mandamentos, e a levar vida santa. Deviam também estar certos de que os que declaravam ser a circuncisão obrigatória não estavam autorizados a fazê-lo em nome dos apóstolos”.

Pelo acima exposto, podemos entender o que o apóstolo Paulo afirmou quando disse “Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?” Rom. 2:26. E depois quando ensinou que “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor”. Gál. 5:6. Na verdade, a circuncisão era um ato de fé no vindouro Messias. Sendo que o Messias veio e habitou conosco, mostrou-nos como entrar e permanecer no reino de Deus, consolidando o reino da graça (graça significa conhecimento), sendo ele mesmo a maior graça recebida pelos humanos, nossa conformidade com a lei passa a ser garantida pela imitação do caráter do Messias, o qual é a expressão dos princípios da lei. Assim, nossa garantia de conformidade com lei não depende do ato da circuncisão física como prova de fé (Rom.2:25), mas, depende do ato da circuncisão espiritual pela imitação do comportamento de Cristo, conforme Paulo descreve em Rom. 2:28 e 29 e 3:30, a circuncisão do coração. Assim, a observância da lei por meio de Cristo se torna a circuncisão atual (I Cor.7:19) para a qual todo professo filho de Deus deve se submeter. O resultado da circuncisão espiritual pode-se ver no diagrama abaixo:



 Tal diagrama está descrito em Gálatas 5:22 e 23. A obra do Santo Espírito na vida de alguém opera a circuncisão do coração e isto produz a santidade o resultado final do evangelho do Reino. Sem coração circuncidado não será possível agradar a Deus.